Tocando na Fonte (Parte 2)

Derek Prince
Published: 2010
Last Updated: Oktober 2026
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As promessas de Deus expressam Sua vontade e estão disponíveis por meio de Cristo para as necessidades que se adequam à situação do crente. Com base nos exemplos de Abraão, Elias e na oração, Derek Prince mostra por que a fé recebe as promessas de Deus no tempo presente, em vez de ceder às circunstâncias.
Na primeira parte desta Carta de Ensino, examinamos as palavras relacionadas à abundância, dando seus significados específicos para que pudéssemos ter uma melhor compreensão do que significa ter abundância.
Depois, dei em detalhes dois dos cinco princípios básicos, que acredito que Deus me revelou nas Escrituras. São eles:
- A provisão de Deus está em Suas promessas — essas promessas são fornecidas para nós na Palavra de Deus.
- As promessas são nossa herança – elas são legalmente nossas. É como quando Josué entrou na Terra Prometida. Deus prometeu a ele que todo lugar onde a planta do seu pé pisasse seria dele - mas Josué tinha que pisar nas terras antes de receber a herança.
Agora, passaremos aos Princípios 3, 4 e 5.
O Terceiro Princípio
As promessas são a maneira como Deus expressa a Sua vontade. Deus nunca prometeu nada que não fosse da Sua vontade. Precisamos entender esse fato importante.
Suponha que eu tenha um filho pequeno e diga a ele: “Se você varrer a garagem, colocar tudo em ordem e fizer um bom trabalho, eu lhe darei dez dólares”. Meu filho concorda e entra, varre a garagem, faz um bom trabalho e deixa tudo limpo e organizado. Mais tarde, ele volta e diz: “Pai, quero meus dez dólares”. Se eu dissesse: “Nunca tive a intenção de lhe dar dez dólares. Não é da minha vontade fazer isso”, o que você pensaria de mim? No mínimo, você me consideraria uma pessoa nada digna de confiança e bastante infiel — um fracasso como pai.
O mesmo acontece com as promessas de Deus. Suponhamos que descobrimos uma promessa que atende às nossas necessidades e então cumprimos obedientemente as condições que Deus estabeleceu. Se então formos a Ele para obter aquilo que Ele prometeu, Ele nunca nos dirá: “É verdade que eu prometi isso a você, mas nunca tive a intenção de dar-lhe. Não é da minha vontade fazê-lo.” Tal comportamento seria impróprio mesmo para um pai terreno. Seria totalmente inconsistente com a natureza de Deus como nosso Pai celestial. Na verdade, o próprio Jesus nos garantiu exatamente o oposto:
“Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?” (Lucas 11:13).
Vemos, então, que as promessas de Deus são a expressão de Sua vontade.
Quando conhecemos a vontade de Deus, podemos orar com confiança. Vejamos 1 João 5:
“E esta é a confiança que temos nele [Deus]” (versículo 14).
A palavra grega aqui traduzida como “confiança” significa literalmente “liberdade de expressão”. Foi uma palavra muito importante na formação política do povo grego. Uma das coisas pelas quais lutaram na democracia foi a liberdade de expressão, que é, obviamente, muito familiar à democracia americana. Portanto, o versículo poderia ser: “Esta é a liberdade de expressão que temos em Deus”. A implicação é que a confiança precisa ser expressa naquilo que dizemos. Não basta apenas “acreditar de coração”; devemos também “confessar com a boca” (ver Romanos 10:10).
“E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que lhe fizemos.” (1 João 5:14–15)
Toda oração bem-sucedida gira em torno do conhecimento da vontade de Deus. Uma vez que sabemos que estamos pedindo algo que está de acordo com a vontade de Deus, sabemos que temos aquilo que pedimos. Não é dizer “nós vamos conseguir”, mas sim “nós temos”. Em Marcos 11:24, Jesus diz: “Por isso vos digo que todas as coisas que pedirdes, orando, crede receber [a tradução literal diz “crede que já receberam”], e tê-las-eis”. Quando recebemos? Quando oramos. O ato de receber está no presente – agora. A verdadeira concretização daquilo que recebemos – o “tê-las-eis” – está muitas vezes no futuro. Mas se não recebermos agora, não teremos depois.
O ensino de Marcos 11:24 concorda exatamente com o de 1 João 5:14–15. Em cada caso, a lição é: devemos receber, pela fé, no exato momento em que oramos. Depois disso, devemos expressar com ousadia a nossa confiança de que recebemos – mesmo antes da coisa recebida se manifestar na prática.
Uma das táticas favoritas do diabo é fazer com que adiemos para algum momento futuro aquilo que deveríamos ter agora. Em meu livro Vivendo Pela Fé, ilustro isso com uma história que sempre foi muito vívida para mim. Quando era jovem, por volta dos vinte anos, enquanto estudava filosofia grega na Universidade de Cambridge, recebi uma bolsa para visitar a Grécia e estudar os vários monumentos antigos locais. Fui com um amigo meu que era filho do vice-reitor da Universidade de Cambridge. Ficamos em um hotel em Atenas e saíamos sempre no mesmo horário todas as manhãs para visitar os diferentes locais.
Todos os dias, quando saíamos do hotel, havia um pequeno grupo de engraxates na calçada esperando para engraxar nossos sapatos. Agora, se você nunca esteve no Oriente Médio ou nos países mediterrâneos, terá dificuldade em imaginar esta cena. Mas nesses países os engraxates são determinados! Quero dizer, eles vão engraxar seus sapatos, quer você queira, quer não.
Todas as manhãs os engraxates se aproximavam de nós e diziam: “Vamos engraxar os sapatos hoje?” Todas as manhãs dizíamos em grego: “Não!”. Quando você diz não em grego, você diz a palavra ochi e, ao mesmo tempo, joga a cabeça para trás. O movimento da cabeça reforça o significado da palavra. Mas, mesmo falando não e fazendo os gestos, eles iam em frente e engraxavam nossos sapatos como se não houvéssemos dito nada.
Como esse método não estava funcionando, certa manhã meu amigo decidiu tentar uma tática diferente. Quando saímos pela porta do hotel e os engraxates se aproximaram de nós perguntando: “Vamos engraxar os sapatos hoje?” meu amigo respondeu em grego: “Avrio”. Isso pegou os engraxates desprevenidos. Eles pararam por um momento e olharam para nós com incerteza. Aproveitando a hesitação momentânea deles, conseguimos escapar sem ter que engraxar os sapatos. Você consegue adivinhar o que avrio significa? Significa “amanhã.”
Muitas vezes, quando você está prestes a se apropriar das bênçãos de Deus, o diabo recorre à mesma tática. Ele não diz “Não”. Mas ele diz: “Amanhã”. Como resultado, você hesita apenas por um momento e deixa de se apropriar da bênção pela qual está orando. O que as Escrituras dizem ser o tempo aceito? Agora! As pessoas costumam dizer: “Hoje é o momento aceitável”. Mas as Escrituras não dizem isso. Elas dizem “Eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação” (2 Coríntios 6:2). Deus vive no eterno agora. Quando você encontra Deus, nunca é ontem e nunca será amanhã. Seu nome não é “eu fui” nem “eu serei”. É sempre “EU SOU” (veja Êxodo 3:14).
O Quarto Princípio
Todas as promessas de Deus estão agora disponíveis para nós através de Cristo. Como base para este princípio, vejamos 2 Coríntios 1:20. Este é um versículo chave quando lidamos com “dispensacionalistas” – isto é, pessoas que colocam quase todas as bênçãos e provisões de Deus no passado (“a era apostólica”) ou para o futuro (“o milênio”). Existem várias versões diferentes deste versículo, mas parece-me que a Nova Versão King James Fiel é a que expressa da forma mais clara e enfática possível 2 Coríntios 1:20:
“Porque todas as promessas de Deus Nele [Jesus] são sim, e por ele o Amém, para a glória de Deus por [ou através de] nós.” (KJF)
Qualquer que seja a tradução que você use, há certas palavras-chave que não mudam. Em primeiro lugar, “todas as promessas” – não algumas, mas todas. Em segundo lugar, “são” – não “foram” ou “serão”. Terceiro, “Nele” – existe apenas um canal através do qual Deus disponibiliza Suas promessas para nós. Esse canal único e todo-suficiente é Jesus. Quarto, “para a glória de Deus”. Cada promessa da qual nos apropriamos na vontade de Deus glorifica a Deus. Deus organizou Suas promessas de tal maneira que, quando nos apropriamos delas, Ele é glorificado.
Romanos 3:23 diz: “Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”. Existem diferentes maneiras de traduzir isso, mas em essência eu entendo que significa: “Através do nosso pecado roubamos a glória de Deus”. Como, então, retribuímos a Deus a glória que Lhe é devida? Uma maneira é encontrada em Romanos 4, onde diz sobre Abraão que ele “foi fortificado na fé, dando glória a Deus, e estando certíssimo de que o que Ele [Deus] tinha prometido também era poderoso para o fazer” (versículos 20–21). Assim, devolvemos a Deus a glória que o nosso pecado roubou Dele, quando cremos em Suas promessas. Quanto mais reivindicamos as promessas de Deus, mais O glorificamos. E todas as Suas promessas estão agora disponíveis para nós através de Cristo.
Finalmente, gosto das duas pequenas palavras que aparecem por último em 2 Coríntios 1:20 – “por nós”. Não é “pelos apóstolos”; ou “pela igreja primitiva”; ou “por cristãos especiais – como evangelistas ou missionários”. É “por nós”. “Nós” significa você e eu. Todas as promessas de Deus estão agora disponíveis para você e para mim através da fé em Cristo.
É claro que você não precisa de todas as promessas de Deus agora. Na verdade, você não conseguiria reivindicar as promessas de Deus todas de uma vez. Mas qualquer promessa que você precise e que se adapte à sua situação está disponível para você agora. Portanto, resumindo: Cada promessa que se adapte à sua situação e atenda às suas necessidades é para você agora.
O Quinto Princípio
Quando Deus faz uma promessa, ela não se limita a um conjunto específico de circunstâncias. Não precisa ser fácil para Deus cumprir o que prometeu. Um erro comum que cometemos quando confrontados com uma promessa de Deus é dizer: “Sim, vejo que é isso que Deus diz. Mas nesta situação particular seria demais”, e a nossa fé vacila. A verdade é que as promessas de Deus não dependem das circunstâncias em que nos encontramos. As circunstâncias não fazem diferença. Você pode ter cem anos e sua esposa noventa, mas se Deus disser que você terá um filho, você terá um filho.
Não depende de nada ao seu redor ou em você. Nada físico, nada temporal e nada no mundo do espaço-tempo pode mudar as promessas eternas de Deus. Essa é a lição. É por isso que Deus permitiu tantas vezes que homens de fé se envolvessem em situações totalmente impossíveis. Ele queria deixar absolutamente claro que em caso algum Suas promessas dependiam de um conjunto favorável de circunstâncias. Na verdade, Ele geralmente permite que as circunstâncias se tornem tão desfavoráveis quanto poderiam ser.
A verdadeira fé se recusa a ser influenciada pelas circunstâncias. Por exemplo, quando Elias quis que o fogo descesse do céu para consumir o sacrifício em seu altar, ele molhou o sacrifício em água três vezes e deixou a água correr e encher o fosso. Então ele disse: “Agora vamos ver o que Deus pode fazer”. E quando veio o fogo, queimou a água, queimou o pó, queimou a lenha, queimou o sacrifício. O fogo de Deus não tem mais problemas com uma vala cheia de água do que teria com a lenha seca. Molhado ou seco, difícil ou fácil, possível ou impossível — não faz diferença para Deus.
Talvez o exemplo mais notável desse fato seja a provisão de Deus para Israel no deserto. Durante quarenta anos Ele os alimentou, vestiu, sustentou-os e guiou cerca de três milhões de pessoas — homens, mulheres, idosos, crianças, gado, tudo — em um deserto totalmente árido onde não havia água, nem comida — na verdade, nada, exceto areia e sol. Deus fez de tudo só para poder dizer: “Que haja dificuldades, assim posso mostrar-lhes o que sou capaz de fazer”. Na verdade, Ele tornou tudo difícil. Foi ele quem organizou a situação. É muito importante compreender que você não deve deixar seu foco passar da promessa para a situação. Sempre que você faz isso, você começa a afundar, como Pedro quando andava sobre as águas.
Os Cinco Princípios
Vamos revisar esses cinco princípios apenas para fixá-los em sua mente e então concluir esta carta de Ensino. São eles:
- A provisão de Deus está em Suas promessas.
- As promessas são nossa herança.
- As promessas de Deus são a expressão da Sua vontade.
- Todas as promessas de Deus estão agora disponíveis para nós através de Cristo.
- O cumprimento das promessas de Deus não depende das nossas circunstâncias, mas sim, de cumprirmos as condições de Deus.
Na minha próxima carta de ensino desta série, “Recebendo a Promessa”, examinaremos como as Escrituras avaliam cada um dos dois opostos que estamos estudando – isto é, pobreza e riqueza, carência e abundância.

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