A Busca Pelo Controle

Derek Prince
Published: 2006
Last Updated: Oktober 2026
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O desejo de controlar os outros por meio da manipulação, da intimidação ou da dominação pode abrir caminho para uma influência espiritual destrutiva. Nesta carta de ensino, as Escrituras identificam a feitiçaria como uma obra da carne e apontam para a Palavra de Deus e para Jesus como proteção contra o engano.
O dicionário define feitiçaria como “a arte ou a prática de poderes mágicos, efeito ou influência de poderes mágicos, fascínio, charme sedutor ou encantador”. A Palavra de Deus vai ainda mais longe ao identificar a feitiçaria como a religião mais antiga e universal da humanidade caída. Quando a raça humana se afastou de Deus em rebelião, o poder que tomou o seu lugar foi a feitiçaria. Diferentes grupos de pessoas praticam formas distintas de feitiçaria, mas certos elementos são comuns a quase todas elas.
Em muitas partes do mundo, a prática aberta da feitiçaria continuou inalterada por séculos. Em nações com história cristã (principalmente no Ocidente), a feitiçaria se adaptou à cultura e assumiu certas formas especiais. Um propósito comum a todas as formas de feitiçaria é o controle. Sempre que qualquer atividade religiosa esteja buscando controlar as pessoas, a influência da feitiçaria provavelmente está em ação.
A prática primitiva da feitiçaria normalmente contém um sacerdócio (curandeiro, feiticeiro, xamã), um ritual ou liturgia (que pode assumir várias formas), um sacrifício (animal ou humano), alguma forma característica de ritmo (muitas vezes encantamento ou batidas de tambor) e alguma forma de pacto ligando os participantes uns aos outros e a qualquer ser satânico que seja o foco de sua atividade. A palavra coven (uma reunião de bruxos) é derivada da mesma raiz de covenant (pacto).
Essas práticas são geralmente utilizadas para:
- Aplacar os ânimos de um ser espiritual superior, muitas vezes considerado caprichoso ou malévolo;
- Controlar as forças da natureza, como chuva ou bom tempo para a colheita;
- Evitar doenças e infertilidade, como na África, onde quase todas as mulheres estéreis vão ao feiticeiro para obter uma poção ou feitiço;
- Controlar outros seres humanos—aterrorizar inimigos em batalha ou produzir desejo sexual em uma pessoa por outra.
Quatro Níveis
A prática moderna da feitiçaria contém os mesmos elementos citados acima. Ela opera em pelo menos quatro níveis:
1. Exposto ao Público
A feitiçaria, quando opera de acordo com a sua verdadeira natureza, ensina e pratica a adoração à Satanás. A Igreja de Satanás tem seu próprio site na Internet, que se apresenta como uma igreja “respeitável”. Mas aqueles que conseguiram se livrar de suas garras lhe dirão que a cerimônia satânica central é uma “missa negra” – uma paródia blasfema de uma cerimônia de comunhão cristã. A motivação dominante é o ódio e a rejeição deliberados e conscientes de Jesus Cristo. É vital notar que o principal inimigo da feitiçaria não é o Islã, o humanismo ou alguma outra religião oriental; mas, sim a Igreja Cristã.
2. “Secreto”
Os grupos de feitiçaria geralmente se reúnem à noite para oferecer sacrifícios e iniciar novos membros. Um elemento central na prática da feitiçaria é o sacrifício. Normalmente os sacrifícios são de pequenos animais (cães, gatos, ratos etc.). Às vezes, porém, um sacrifício é humano. Sem dúvida, o deus da feitiçaria é Satanás. Seus adeptos estão ligados a ele e uns aos outros por um pacto com o qual assumem o compromisso de sigilo absoluto a respeito de suas atividades. O que atrai as pessoas ao satanismo? Eu acredito que é a oferta de poder sobrenatural. Uma vez convencidos do poder que adquiriram, os satanistas costumam ser ousados e agressivos.
Um amigo meu estava sentado em um avião ao lado de uma mulher que recusava toda a comida que era servida. Ela disse ao meu amigo que estava jejuando e orando.
“Eu também sou cristão”, disse meu amigo, “e às vezes jejuo e oro”.
“Ah, não!” a mulher respondeu. “Não sou cristã, sou satanista.” Ela passou a explicar que tinha dois objetivos principais em sua oração: o rompimento de casamentos cristãos e o declínio dos ministros das igrejas evangélicas. (Estatísticas recentes certamente devem ter demonstrado a essa mulher a eficácia de suas orações.)
Certa vez, recebi uma carta de uma mulher do Texas que ouvia regularmente meu programa de rádio. Ela disse que era uma bruxa e que tinha sido designada para trabalhar numa certa igreja, plantando dúvidas e descrença nos corações e mentes de cristãos novos ou fracos. Ela tinha conseguido atrair três dessas pessoas. Então ela continuou: “Você acredita que posso ser perdoada e receber a salvação de Jesus?” Respondi que Deus é infinitamente misericordioso, mas que, provavelmente, a libertação total dela ia ser uma luta intensa e custosa. Depois, eu a encaminhei a um pastor local.
3. Quinta Coluna/Disfarçado
Existem muitas formas de filosofia e religião que estão enraizadas na feitiçaria. A operação da quinta coluna da feitiçaria - as formas que operam sob o disfarce da prática aceita - está em constante expansão. A Nova Era, a hipnose e a acupuntura são apenas algumas das muitas formas assumidas pela feitiçaria para atrair pessoas inocentes para o território de Satanás.
4. Uma Obra da Carne
Agora que examinamos três formas principais de feitiçaria como uma força sobrenatural - a forma pública, a forma secreta e a quinta coluna - devemos expor a raiz. É a operação menos reconhecida, mas permeia a sociedade e a Igreja.
Em Gálatas 5:19–21, Paulo lista as diversas obras da “carne” (“natureza humana”, NTLH). No meio, ele menciona “idolatria, feitiçaria”.
Essa natureza geralmente se manifesta, já na infância, na tentativa de controlar outras pessoas. Nós nos sentimos seguros quando conseguimos controlar os outros. Por outro lado, Deus nunca procura nos controlar. Ele respeita o livre arbítrio que deu a cada um de nós, embora nos responsabilize pela maneira como usamos essa liberdade.
Esse desejo de controle se manifesta de três maneiras: manipulação, intimidação e dominação. O objetivo é a dominação. Pessoas que reconhecem que são mais fracas do que aquelas que procuram controlar tendem a manipular; aquelas que se sentem mais fortes tendem a intimidar. Mas o objetivo final é o mesmo: dominar, ou seja, controlar os outros e fazer com que façam o que queremos.
Muitos relacionamentos familiares retratam essas expressões. Um marido intimida sua esposa com acessos de raiva (ou violência direta). A esposa manipula o marido com lágrimas e sentimentos feridos - e muitas vezes fazendo com que ele se sinta culpado pelas suas falhas. Os pais frequentemente intimidam ou manipulam seus filhos, mas os filhos podem ser muito bons em manipular os pais, também.
A principal ferramenta de manipulação é a chantagem emocional ou sentimento de culpa. Uma mãe pode dizer ao filho: “Se você me ama, vá até a loja e compre um maço de cigarros para mim”. A criança aprende que se não reagir da maneira que a mãe deseja, isso será interpretado como um sinal de que ele não a ama. Claramente, esse tipo de controle é destrutivo para uma criança.
No entanto, ninguém fica surpreso com o fato de que a feitiçaria pode operar em ambas as direções. Quando a mãe está ocupada, entretendo convidados, a criança pode ir lá e pedir para assistir a um programa de televisão proibido. Ela sabe que seus pais procuram protegê-la de influências nocivas sendo muito seletivos no que permitem que ela assista, mas calcula que a mãe acabará por dizer sim, a fim de evitar que ela jogue uma birra na frente dos convidados.
Assim que aprendermos a reconhecer o desejo de controlar os outros como uma força maligna e manipuladora, veremos isso em ação em muitas áreas diferentes. Na religião, pode ser a forma como um pregador apela para uma oferta: “Deus me mostrou que há dez pessoas aqui esta noite que vão dar mil dólares, cada uma”. Ou ele mostra fotos de crianças famintas em uma terra distante que faz todo mundo ficar com água nos olhos e, no final, com sentimento de culpa, caso não reaja positivamente
Na política, pode estar na forma como um candidato apela sutilmente ao preconceito racial para ganhar votos. Nos negócios, muitas vezes é expresso na publicidade que induz as pessoas a querer o que não precisam e a comprar o que não podem pagar. Em todos os casos, é uma coisa ruim.
Uma vez que conseguimos enxergar esses disfarces da feitiçaria, percebemos que em nossa cultura contemporânea estamos sendo expostos continuamente à sua pressão. Isso dá um novo significado à declaração de Paulo em 2 Coríntios 4:4 de que “o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos”.
Pessoas que costumam usar a manipulação ou a intimidação para controlar os outros se abrem para a escravidão e para a influência de um demônio da feitiçaria. Se isso acontecer, eles não conseguirão se relacionar com ninguém a não ser através do uso dessas táticas. Não será mais apenas a carne trabalhando, mas um poder sobrenatural que pode levar quem quer que eles controlem a uma condição de escravidão espiritual.
Vi esse poder em ação entre mãe e filha. Uma mãe pode decidir que sua filha deve se casar com um homem de certa origem racial ou nível social. Então, se o homem que a filha escolher não atender aos critérios da mãe, o espírito de feitiçaria na mãe fará com que ela reaja de maneira tal que acabe amaldiçoando tanto a filha quanto o futuro genro. A maldição pode assumir uma forma verbal: “Ele nunca irá prover para você.” Como resultado, o casal se verá lutando continuamente contra pressões e frustrações para as quais não conseguem encontrar uma causa óbvia.
O demônio da feitiçaria também pode atuar em muitos outros tipos de relacionamento. Um pastor pode tentar controlar membros de sua equipe ou toda a sua congregação. Um executivo de negócios pode intimidar seus subordinados.
A Saída
As pessoas que, alguma vez, participaram de adoração satânica e exerceram o poder de Satanás devem estar muito determinadas se quiserem ser libertadas. A luta espiritual pela libertação costuma ser muito intensa.
A experiência real de libertação, no entanto, não é o fim do conflito. Uma pessoa que fez um compromisso consciente e sem reservas com Satanás ainda é considerada por ele como sua propriedade. Satanás procurará continuamente restabelecer seu controle, usando todo tipo de demônio sob seu comando.
A ex-vítima de Satanás precisará da ajuda de um grupo de crentes comprometidos para apoiá-la. Ela precisa aprender a resistir a todo tipo de pressão, afirmando e reafirmando continuamente as Escrituras que garantem a sua libertação e a sua vitória. Nisto, o próprio Jesus é o nosso exemplo. Cada vez que Satanás o abordava com uma tentação, Ele respondia com uma resposta adequada, própria para cada situação: “Está escrito...” (Mateus 4:1–11). Satanás não consegue responder à Palavra escrita de Deus.
Quando uma pessoa é escravizada por Satanás, as paredes internas de sua personalidade são derrubadas. Após a libertação, para manter a liberdade, as paredes de proteção devem ser reconstruídas. A repetição contínua das Escrituras apropriadas irá, gradualmente, reconstruir as paredes.
Uma vez que as paredes estejam firmemente reconstruídas, as pressões satânicas diminuirão gradualmente e, no final, cessarão. Satanás é esperto demais para enviar suas tropas para uma batalha que ele sabe que já não pode mais vencer.
Como as pessoas podem se proteger do engano? Há apenas uma porta que leva ao Reino de Deus: Jesus, que é “o caminho, a verdade e a vida” (João 14:6). Aqueles que entram no reino do sobrenatural por qualquer outra porta se encontram no reino das trevas, não no da luz.
Também existe apenas um padrão absoluto de verdade. Em João 17:17, Jesus diz ao Pai: “A tua palavra é a verdade”. Qualquer coisa que não esteja em harmonia com a Bíblia é um erro. Por esta razão, é importante que estudemos as verdades e os princípios básicos da Bíblia, para que estejamos sempre prontos a aplicar esta regra, examinando todas as coisas para ver se estão, ou não, de acordo com o que a Palavra de Deus diz.

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