Tocando na Fonte (Parte 1)

Derek Prince
Published: 2010
Last Updated: Oktober 2026
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A abundância de Deus não se resume à riqueza material, mas consiste em ter o suficiente para as necessidades pessoais e algo para compartilhar. A provisão de Deus está em Suas promessas, recebidas por meio do conhecimento e do reconhecimento de Jesus. A entrada de Josué na Terra Prometida ilustra a diferença entre possuir legalmente a herança de Deus e tomá-la por posse na prática.
Nesta série ensinarei sobre o tema da abundância de Deus. Em conexão com a restauração de Israel, há uma Escritura significativa na qual Deus diz: “Eu lhes revelarei uma abundância de paz e de verdade” (Jeremias 33:6 KJF).
A palavra-chave aqui é “revelar”. Percebi que você não pode compreender ou se apropriar da abundância de Deus a menos que Ele a revele a você. Ela vem apenas por revelação. Oro para que Deus lhe dê essa revelação.
A primeira parte de Tocando a Fonte, focará nos princípios básicos da provisão de Deus para nós. Na Parte 2 tratarei das condições para receber a abundância de Deus e do propósito pelo qual Ele nos dá a abundância.
Palavras Básicas
Primeiro, vamos examinar alguns termos ou conceitos básicos usados nesse contexto. Eles estão todos inter-relacionados, mas nem todos são sinônimos. Tratarei primeiro dos conceitos positivos. Existem quatro grupos principais de palavras do lado positivo:
- ‘rico’, ‘riqueza’;
- ‘fortuna’ e ‘afortunado’;
- ‘prosperar’, ‘próspero’, ‘prosperidade’;
- e 'abundar', 'abundante', 'abundância'.
Deixe-me apontar uma distinção importante. Quando usamos as palavras rico e riqueza ou fortuna e afortunado, estamos nos referindo a alguém que possui bens financeiros e materiais consideráveis. Mas quando falamos sobre prosperar, abundar e suas palavras relacionadas, a implicação não é necessariamente que a pessoa referida tenha muito dinheiro ou possua grandes bens materiais. Na verdade, a promessa de Deus é principalmente que teremos abundância em vez de riqueza.
Essencialmente, abundância significa que você tem tudo o que precisa e algo de sobra para dar aos outros. Ter abundância significa que você está acima do nível de suas próprias necessidades a ponto de ser também capaz de atender às necessidades dos outros.
A palavra prosperar, especialmente como é usada na Bíblia, significa “ter sucesso, progredir". Mas isso não significa necessariamente uma tremenda riqueza material ou grandes posses. Deixe-me ilustrar isso com duas Escrituras. Em sua terceira epístola, João diz:
“Amado, eu desejo, acima de todas as coisas, que tu possas prosperar e em boa saúde, e que também a tua alma prospere” (3 João 1:2 KJF).
Que bela declaração a respeito da vontade de Deus para o crente comprometido! Gaio, a quem a epístola foi escrita, era um crente modelo. Estudando a epístola, você descobrirá que ele estava andando em toda a verdade que Deus havia disponibilizado. O apóstolo João, escrevendo como porta-voz do Espírito Santo, disse-lhe: Amado, rogo que você possa prosperar em todas as coisas e ter saúde, assim como sua alma prospera. Isto cobre todas as três áreas da vida:
- a material
- a física
- a espiritual
Em cada uma delas, a vontade de Deus é boa. A palavra traduzida prosperar aqui significa literalmente 'ter uma jornada próspera ou bem-sucedida'. Em Romanos 1:10, onde Paulo está orando para que ele possa ter uma jornada próspera pela vontade de Deus (KJF) enquanto viaja para Roma, a mesma palavra é usada. Deus respondeu à oração de Paulo. Sua viagem a Roma é descrita em Atos 27 e 28.
No entanto, você notará, pela descrição daquela viagem próspera, que Paulo não viajou de primeira classe, mas como um prisioneiro acorrentado. Ele passou por uma tremenda tempestade. Parecia que todo o navio iria se perder. Mas através da intervenção de Deus todos sobreviveram à tempestade. Eles chegaram a uma ilha e tiveram o que chamaríamos de “reavivamento”. Quando partiram, as pessoas da ilha deram-lhes tudo o que precisavam para o resto da viagem. Então, Paulo teve uma viagem próspera, mas não foi exatamente confortável e ele não viajou de primeira classe. A questão é que, quando usamos as palavras prosperar e abundar, não estamos necessariamente falando de pessoas que o mundo classificaria como sendo ricas.
Não Apenas Riquezas
Vejamos novamente essas quatro categorias de palavras diferentes. Podemos ver como rico e riquezas e as palavras fortuna e afortunado são basicamente sinônimas umas das outras. Mas elas são muito diferentes de prosperar, próspero e prosperidade, que se relacionam com ser bem-sucedido em algo. Neste sentido, o oposto da prosperidade é o fracasso. Por outro lado, abundar, abundante e abundância significam que você está vivendo bem, sem passar necessidade, carência ou frustração, ainda que você não tenha um grande excedente, nem tenha nada em sua conta bancária.
Eu sempre digo que Jesus, durante o Seu ministério terreno, não tinha uma grande conta bancária - embora Ele e Seus discípulos tivessem uma sacola na qual depositavam as ofertas - Ele simplesmente usava o cartão de crédito de Seu Pai e isso sempre era honrado. Na verdade, pessoas muito ricas não precisam de muito dinheiro. Certa vez, estive com um homem rico durante um jantar para uma bela refeição. No final, ele nem sequer apresentou um cartão. Ele apenas assinou seu nome na conta. Isso foi o suficiente - o garçom sabia que isso seria resolvido. Portanto, não vamos nos concentrar na ideia de ter muito dinheiro no banco. Não é disso que estamos falando.
É claro que o oposto desses quatro conceitos positivos que citamos é bastante óbvio. As palavras que me ocorrem são: pobre e pobreza; carência; necessidade; falta; escassez e escasso. Precisamos ter em mente esses dois grupos de conceitos — o positivo e o negativo — à medida que prosseguimos no estudo dos princípios que governam o trato de Deus nesta área.
Cinco Princípios da Provisão
Vou agora declarar cinco princípios básicos relativos à provisão de Deus que são muito importantes. Os dois primeiros aparecerão neste ensinamento (Parte 1) – os próximos três seguirão na Parte 2.
Primeiro Princípio
A provisão de Deus está em Suas promessas. Vemos isso mais claramente em 2 Pedro 1:2–4:
“Graça e paz vos sejam multiplicadas, pelo conhecimento de Deus, e de Jesus nosso Senhor. Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude.” [Versículos 2–3]
Observe que a vida cristã é uma vida de multiplicação. Não é estática, não é estar ali só se agarrando ao que já se tem. Não é nem uma mera adição. É multiplicação. Isto vem através do conhecimento de Deus e de Jesus nosso Senhor. Tudo o que precisamos vem de Deus através de Jesus. Não precisamos de outra fonte de abastecimento nem de outro canal.
No tempo verbal que Pedro usa, deu, vemos que Deus já nos deu tudo o que precisaremos para o tempo e para a eternidade, para todas as áreas de nossas vidas, tudo de que necessitamos para uma vida de devoção e tudo o que precisamos para viver uma vida que agrada a Ele. Muitas vezes oramos com base em mal-entendidos. Pedimos a Deus que nos dê algo que Ele já nos deu. Não é fácil para Deus responder a essas orações porque, ao respondê-las, Ele estaria apoiando esse mal-entendido. Então, às vezes, temos que ajustar nosso pensamento para fazer o tipo de oração que Deus é capaz de responder. Agradecer a Deus é muitas vezes mais apropriado do que pedir a Ele.
Observe novamente, todas as coisas estão incluídas no conhecimento de Jesus Cristo. O grego diz que Jesus nos chamou para Sua própria glória e virtude. Não é a nossa glória, mas a Dele. Não é nossa virtude, mas a dele. Deus já nos deu tudo o que precisaremos, e tudo está contido no conhecimento de Jesus. A palavra grega para “conhecimento” também pode ser traduzida como “reconhecimento”. Significa conhecimento e reconhecimento. Não é suficiente conhecer fatos sobre Jesus; devemos efetivamente reconhecê-Lo em nossas vidas.
“Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas (...)” [Versículo 4]
Aqui está a chave! Deus já nos deu tudo o que precisaremos. Onde está isso tudo? Está nas promessas de Sua Palavra. A provisão de Deus está em Suas promessas. Esta é a verdade vital que você deve compreender: a provisão está nas promessas. Diga isso para si mesmo até que se torne parte do seu pensamento: a provisão está nas promessas...a provisão está nas promessas.
Agora, outra declaração de tirar o fôlego [versículo 4]:
“... para que por elas [pelas promessas] fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo.”
Eu só me pergunto se entendemos essa linguagem. Significa que nos tornamos participantes da própria natureza de Deus. Recebemos a verdadeira natureza de Deus. Tornamo-nos divinos.
Agora, você pode pensar que é uma afirmação arriscada de se fazer, e é. No entanto, as Escrituras apoiam isso. Quando Jesus foi desafiado sobre Sua afirmação de ser o Filho de Deus, Ele citou um dos Salmos, dizendo: “Pois, se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida, (e a Escritura não pode ser anulada)” (João 10:35). Esta citação foi tirada de um Salmo que diz: “Eu disse: ‘Vós sois deuses’” (Salmo 82:6). Deus realmente falou aos homens e disse: ‘Vós sois deuses’.
Podemos achar isso difícil de aceitar, mas Jesus nos dá o comentário divino. Como os homens poderiam se tornar deuses? Qual foi a base? Foi que a Palavra de Deus veio até eles. Se Ele os chamou de deuses, a quem veio a palavra de Deus, e as Escrituras não podem ser anuladas, o mesmo princípio se aplica a nós. Podemos nos tornar participantes da natureza de Deus através das Suas promessas que estão registradas na Sua Palavra. Pense nisso: podemos nos tornar divinos.
Eu percebo, é claro, que essa afirmação pode ser mal utilizada. No entanto, acredito que, da forma como apresentei, é uma análise precisa do que as Escrituras realmente ensinam.
E então a parte final dessa revelação é uma consequência lógica do que aconteceu antes. À medida em que nos tornamos participantes da natureza divina, vamos nos libertando da corrupção que existe neste mundo – porque a natureza divina e a corrupção são incompatíveis. A natureza divina é incorruptível. Tudo neste mundo é corruptível. Logicamente, portanto, à medida que nos tornamos participantes da natureza de Deus, ficamos livres da corrupção deste mundo.
Gostaria agora de resumir com minhas próprias palavras a essência do que Pedro nos disse nos versículos 3 e 4 acima. Essa passagem pode ser reduzida a cinco declarações sucessivas que descrevem o princípio número um: a provisão de Deus está em Suas promessas.
- O poder divino de Deus já nos deu tudo o que precisaremos nesta vida e na eternidade.
- Tudo se resume em conhecer e reconhecer Jesus corretamente.
- A provisão de Deus está em Suas promessas.
- À medida que nos apropriamos das promessas, tornamo-nos participantes da natureza de Deus.
- À medida que nos tornamos participantes da natureza de Deus, ficamos livres da corrupção deste mundo.
Sugiro que você não leia este resumo apenas uma vez — ou mesmo duas vezes. Reserve um tempo para meditar sobre isso. A revelação é tal que você não consegue absorvê-la rápido o suficiente. Exige que você exponha toda a sua mente e fique meditando nela até que ela se torne parte de você.
Segundo Princípio
As promessas são a nossa herança. Deus está nos conduzindo para as promessas. Existe um paralelo muito simples entre o Antigo Testamento e o Novo. No Antigo, sob o comando de um líder chamado Josué, Deus conduziu Seu povo para uma terra prometida. No Novo, sob Jesus (que em hebraico é a mesma palavra que Josué), Deus leva Seu povo a uma terra de promessas. Antiga Aliança – uma terra prometida; Nova Aliança – uma terra de promessas.
Vamos dar uma olhada no livro de Josué e ver as condições básicas que Deus deu a Josué. Deus primeiro lembrou Josué: “Moisés, meu servo, é morto” (Josué 1:2). Isso é muito significativo. Antes de podermos entrar em algo novo, tem sempre que haver a morte do velho. A vida espiritual, num certo sentido, é como as estações do ano. Há um ciclo contínuo e sucessivo de estações. Temos o verão com sua abundância; depois o outono quando as folhas começam a murchar e secar; o inverno, que simboliza a hora da morte; e depois a primavera, o tempo da renovação e da ressurreição. Este é um princípio que atravessa nossas vidas. Deus só abençoa aquilo que morreu e ressuscitou. A transição de Moisés para Josué representa algo que se repete de tempos em tempos na vida de cada crente.
“Moisés, meu servo, é morto; levanta-te, pois, agora, passa este Jordão, tu e todo este povo, à terra que eu dou aos filhos de Israel. Todo o lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado, como eu disse a Moisés.” [Josué 1:2–3]
Recentemente notei algo nesses versículos que nunca havia visto antes. O Espírito Santo enfatizou a palavra todo em todo este povo. Deus não iria deixar nenhuma das pessoas para trás. Na maioria dos círculos de hoje, ficaríamos satisfeitos se conseguíssemos reunir 90% das pessoas. Mas Deus disse: “Todo mundo vai passar”. Eu realmente acredito que é assim que Deus vê a nossa situação hoje em relação às Suas promessas. Todos terão que se mudar. Então observe os tempos verbais. Deus diz ali: “Eu lhes dou a terra” (presente). Então Ele diz no versículo 3: “Eu a tenho dado a vocês”. Uma vez que Deus deu, foi dado. A partir de então, passou a ser falado no pretérito.
Daquele momento em diante, a terra passou a pertencer legalmente aos filhos de Israel. Mas temos que distinguir entre legal e prático. Muitas vezes, quando falava com os crentes sobre ser batizado no Espírito Santo ou receber alguma provisão adicional de Deus, a resposta era: “Já recebi tudo quando fui salvo. Não tem mais nada para se receber”. Uma maneira de responder a isso é: “Se você já recebeu tudo, onde está esse tudo que não vejo?”
No entanto, acredito, em certo sentido, que eles estão corretos. Legalmente, quando você veio a Cristo, você se tornou herdeiro de Deus e coerdeiro de Cristo. Depois disso, toda a herança é legalmente sua. Mas há uma grande diferença entre o jurídico e o prático. Você pode possuir muito legalmente, mas desfrutar muito pouco na prática. Às vezes ilustro isso com a seguinte parábola: se Josué e os filhos de Israel tivessem sido como alguns fundamentalistas, teriam se alinhado na margem leste do rio Jordão, olhado para o outro lado do rio, cruzado os braços e dito: “Nós já recebemos tudo!” Isso teria sido legalmente correto, mas, na prática, errado. Se fossem como alguns pentecostais, teriam atravessado o rio Jordão (que eu comparo a ser batizado no Espírito Santo), depois se alinhado na margem oeste, cruzado os braços e dito: “Nós já recebemos tudo!” Mas, na verdade, eles estariam apenas um estágio adiante – ainda longe de sua verdadeira herança.
O interessante sobre os filhos de Israel quando tomaram a Terra Prometida é que Deus os trouxe ali através de um milagre, e então lhes deu sua primeira vitória sobre Jericó também através de milagre. Mas depois disso, eles tiveram que lutar por cada pedaço de terra que possuíam. Da mesma forma, não podemos esperar obter a nossa herança sem conflito! A forma como o povo de Israel deveria ganhar a sua herança era: “Todo lugar onde pisares a planta do teu pé será teu”. Assim é conosco também. Legalmente, é tudo nosso neste momento. Na prática, porém, temos que avançar e afirmar nossa reivindicação ao que Deus nos deu. Temos que colocar o pé em cada promessa à medida que chegamos a ela. Essa é uma imagem muito vívida para afirmar: “Deus me prometeu isso, e agora reivindico Sua promessa”.

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