Sucesso Em Nossos Lares

Derek Prince
Published: 2007
Last Updated: Oktober 2026
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O sucesso aos olhos de Deus inclui um lar organizado segundo Seu desígnio, e não as realizações feitas fora dele. Derek Prince ensina os pais a cultivarem a comunicação e a instrução bíblica contínua, protegendo os filhos contra a rebelião e o desânimo. Ele apresenta o lar como um lugar onde a paternidade, a comunhão amorosa e a autoridade legítima refletem o modelo de Deus.
Sucesso é uma palavra típica da civilização ocidental. Através do meio em que vivemos e da nossa criação, somos continuamente desafiados a buscar o sucesso em tudo o que fazemos - em nossas profissões, nos esportes, na política, em nossas vidas pessoais. É uma motivação primordial. O sucesso aos olhos de Deus, porém, costuma ser medido por um padrão bem diferente do nosso. Deus me fez entender isso de uma forma muito pessoal. Certa vez, ouvi um colega ministro definir um especialista como “um homem segurando uma maleta e que está sempre fora de casa”. Como viajava muito e sempre tinha minha maleta comigo, eu era, segundo essa definição, um especialista.
No entanto, enquanto eu estava meditando sobre isso, um dia, o Senhor falou ao meu espírito, dizendo: “Você pode viajar por todo o mundo com sua maleta, pode pregar para milhares de pessoas e levá-las ao púlpito quando terminar, mas se sua casa não estiver em ordem - aos Meus olhos, você é um fracasso”. Tendo um grande desejo de ser um sucesso aos olhos de Deus, levei isso a sério. Como resultado, comecei a ter uma nova compreensão da vida no lar e da responsabilidade de um pai.
“Pais, Escrevo-vos”
Em 1 João 2:13, o apóstolo diz: “Pais, escrevo-vos...” Deixem-me fazer o mesmo. Deixe-me falar diretamente a cada um de vocês que é pai: você pode ter sucesso em todas as outras áreas da vida, mas se falhar como pai, aos olhos de Deus você é um fracasso na vida.
Em Efésios 6:4, Paulo resume em um versículo as principais responsabilidades de um pai:
“E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação [educação] do Senhor.”
Em Colossenses 3:21, Paulo repete a advertência inicial: “Vós, pais, não irriteis a vossos filhos”, acrescentando “para que não percam o ânimo”. As mães, é claro, estão intimamente envolvidas no cuidado e na educação dos filhos. No entanto, a responsabilidade principal recai sobre cada pai.
Um pai tem duas obrigações para com seus filhos: primeiro, a comunicação; segundo, a educação. A ordem é importante. Se os canais de comunicação entre pai e filhos não forem mantidos abertos, o pai ficará frustrado em sua tarefa de educar. Não basta ao pai dar instrução. A criança também deve estar disposta a recebê-la.
Para manter a comunicação, um pai deve evitar duas atitudes opostas em seus filhos: a rebelião de um lado e o desânimo do outro. Portanto, ele deve dar tempo e atenção a cada criança. Ele deve cultivar cada filho como uma personalidade individual. Não há duas crianças iguais em uma família. A disciplina que beneficia uma criança pode destruir a outra. Uma criança receberá correção de uma certa forma que, se aplicada a outra criança, provocará apenas rebelião.
Em frequentes sessões de aconselhamento com adultos, descobri que muitos de seus problemas podem ser atribuídos a uma situação em que um pai - por raiva, injustiça ou indiferença - provocou seu filho.
O Lar é o Centro
Não é apenas o Novo Testamento que coloca essas responsabilidades sobre os pais. O mesmo princípio percorre toda a Bíblia. Em todas as dispensações, Deus ordenou que a vida espiritual de Seu povo fosse centrada em seu lar. Deuteronômio 11:18–21 fala muito diretamente sobre isso para nós como pais:
“Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma, e (...) ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te. E escreve-as nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas, para que se multipliquem os vossos dias e os dias de vossos filhos na terra que o Senhor jurou a vossos pais dar-lhes, como os dias dos céus sobre a terra.”
Deus coloca sobre nós, como pais, a responsabilidade de ensinar Suas palavras e Seus caminhos aos nossos filhos em casa. Essa responsabilidade não pode ser relegada a nenhuma instituição religiosa, a nenhum templo, igreja ou escola dominical. Tampouco pode ser delegada a alguma classe profissional de padres, pregadores ou professores de escola dominical. Como pais, devemos instruir nossos filhos nas palavras e nos caminhos de Deus, em casa.
Não é só uma questão de se estabelecer um “altar para a família” ou realizar “devoções em família”. Para serem eficazes, a instrução espiritual e a disciplina devem ser contínuas. Deus diz: “Quando você se deitar e quando se levantar.” Isso cobre cada momento de quando estamos acordados. É nosso dever entremear o ensino da Palavra de Deus com todas as atividades diárias de nossa vida domiciliar.
O falecido Dr. V. Raymond Edman, ex-presidente do Wheaton College, escreveu certa vez: “Relembrando a maneira como criei meus filhos, se tivesse que fazer tudo de novo, passaria mais tempo com eles em atividades simples, informais e que não fossem religiosas.” Ele descobriu que as coisas que os filhos mais lembravam, de quando estavam juntos, eram os momentos descontraídos e informais. Leva tempo para se estabelecer uma comunicação de verdade com uma criança. Não se pode fazê-lo em apenas cinco minutos e, muitas vezes, as coisas mais importantes que dizemos a elas são ditas quando menos esperamos, de maneira informal ou improvisada. Se o contato informal não estiver presente, essas coisas nunca serão ditas.
Céu na Terra
Meditando sobre a passagem de Deuteronômio 11:18–21 fui arrebatado pela frase final: “como os dias dos céus sobre a terra.” Muitas vezes ouvimos pessoas falando de forma extravagante sobre “o céu na terra”, mas confesso que não tinha percebido que a frase é tirada da Bíblia. Fiquei ainda mais surpreso ao descobrir que é aplicada à vida no lar do povo de Deus. Quantos lares cristãos hoje poderiam ser descritos com precisão como o céu na terra?
No entanto, este é verdadeiramente o propósito de Deus. Ele deseja que cada lar seja uma representação viva da natureza do céu aqui na terra, reproduzindo o relacionamento de amor eterno que existe entre as Pessoas da Divindade — Pai, Filho e Espírito Santo.
Muitas vezes assumimos que a vida familiar começou com a raça humana, mas não é assim. Em João 14:2, Jesus diz: “Na casa de meu Pai há muitas moradas”. Casa nas Escrituras tem um significado mais profundo do que uma construção material e física; é usado para retratar uma família inteira sob a liderança de um pai. Não são apenas algumas pessoas vivendo juntas sob o mesmo teto. Deus sempre atribuiu um significado muito mais rico do que esse para a palavra "casa”, um significado que está ligado à própria natureza da Divindade.
Paternidade, Liderança, Comunhão
A relação entre as Pessoas da Divindade no céu é íntima, contendo três aspectos eternos. Esses são os três aspectos que Deus deseja que sejam projetados em nossos lares na terra.
O Primeiro é a paternidade
Deus, o Pai, sempre foi o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, e Cristo sempre foi Seu Filho. Em Efésios 3:14–15, Paulo diz: “Por causa disto me ponho de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome.”
A palavra grega aqui traduzida como “família” é pátria, formada diretamente de pater, que significa “pai”. Ao invés de “família”, a versão King James Atualizada diz “paternidade”, que é uma tradução mais fiel do grego. Esta passagem nos mostra não apenas que Deus é o Pai de Cristo, mas também que o ofício de paternidade em toda a terra é derivado e estabelecido no padrão do ofício que Deus Pai ocupa dentro da Divindade. Toda paternidade é uma projeção da natureza de Deus Pai.
O segundo aspecto eterno do relacionamento dentro da Divindade é a liderança
Em 1 Coríntios 11:3, Paulo diz: “Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o homem, e o homem a cabeça da mulher [da esposa]; e Deus a cabeça de Cristo.” Na ordem do universo, descobrimos que a liderança do Pai sobre Cristo é eterna — sempre foi assim.
O terceiro aspecto eterno do relacionamento dentro da Divindade é a comunhão
Em João 1:1, descobrimos que Cristo [o Verbo] era “com Deus [o Pai]” desde o princípio. A palavra grega usada para “com” significa “em direção a” ou “face a face com”. João 1:18 nos diz que Cristo estava “no seio do Pai”. Isso retrata lindamente o amor e o deleite mútuo que existe entre o Pai e o Filho, sendo continuamente mantidos pelo Espírito Santo. De fato, alguém descreveu o Espírito Santo como sendo “a relação de amor entre o Pai e o Filho”.
Através do evangelho e do Espírito Santo, Deus deseja projetar essa comunhão divina em nossas vidas na terra - e, em particular, em nossos lares. Em 1 João 1:3 o apóstolo nos apresenta o convite de Deus para compartilharmos a eterna comunhão do céu:
“O que vimos e ouvimos [o registro contido nos evangelhos], isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo.”
Vemos, então, que o céu fornece o padrão eterno de um lar, e que nesse padrão há três aspectos principais de relacionamento: paternidade, liderança e comunhão. Se nossos lares na Terra vão cumprir o propósito de Deus e ser bem-sucedidos, eles devem reproduzir esses três relacionamentos.
Em nossa sociedade, a esposa costuma ser chamada de “dona de casa”. No entanto, isso é verdade apenas em um sentido secundário. Na economia de Deus, o homem é o principal dono da casa - porque é ele que fará as coisas acontecerem. O pai é a chave para o estabelecimento do lar. É sobre seus ombros que Deus colocou a responsabilidade e a autoridade de estabelecer um lar que vai cumprir o desígnio que um Pai celestial amoroso traçou para ele. Quando o homem assume sua posição de direito, a mulher assume a dela ao lado dele como “ajudadora” (Gênesis 2:20).
A Cadeia de Autoridade
Podemos começar a ver que o relacionamento marido/esposa tem uma importância que transcende o tempo, pois é uma imagem do relacionamento eterno entre o Pai e Cristo. Voltando a 1 Coríntios 11:3, descobrimos que existe uma cadeia muito definida de autoridade que se origina na Divindade e se estende até o lar. Deus é o cabeça de Cristo, Cristo é o cabeça do homem ou marido, o marido é o cabeça da mulher ou esposa. Toda autoridade é derivada, em última análise, do Pai e depende de um lugar certo na cadeia que retorna a Ele. Cristo tem autoridade porque se submete ao Pai; o marido tem autoridade porque se submete a Cristo; a esposa tem autoridade porque se submete ao marido.
Certa vez, um centurião romano, muito sábio, que estava com um servo doente veio a Jesus para pedir a cura de seu servo. Visto que havia observado a vida e os milagres de Jesus, ele se apresentou dizendo: “Porque também eu sou homem sujeito à autoridade, e tenho soldados sob o meu poder, e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu servo: Faze isto, e ele o faz.” (Lucas 7:8). Ele não disse, como alguns de nós teriam feito: “Eu tenho autoridade!” Não, ele reconheceu que a autoridade que tinha sobre os soldados sob seu comando dependia do fato de que ele próprio estava debaixo de autoridade. Como oficial romano, ele era um elo em uma cadeia de comando que retornava ao próprio imperador. Assim, qualquer um que se recusasse a obedecer às ordens do centurião estava, na verdade, rejeitando a autoridade do imperador.
Ao apresentar-se a Jesus, o centurião disse: “Eu também sou um homem sujeito à autoridade”. Por que ele usou a palavra também? Porque ele estava se comparando com Jesus. Ele reconheceu o mesmo princípio aplicado em seu próprio comando militar também aplicado no ministério espiritual de Jesus. Jesus também era “um homem colocado sob autoridade”. Assim como a autoridade do centurião dependia de seu relacionamento com o imperador, a autoridade de Jesus dependia de Sua perfeita submissão ao Pai. Em todos os domínios, o princípio é o mesmo: para ter autoridade, devemos estar sob autoridade.

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