A Intervenção dos Anjos na Vida dos Seres Humanos

Derek Prince
Published: 2000
Last Updated: Oktober 2026
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A adoração reverente reconhece que os crentes se reúnem diante de Deus na presença dos anjos. Não é uma atividade exclusivamente humana. Derek Prince analisa os relatos bíblicos sobre anjos fiéis e anjos caídos, relacionando a instrução de Paulo sobre o uso de véus à autoridade, à proteção e à reverência na adoração.
Ao dar instruções sobre o ato de adorar na igreja do Novo Testamento, Paulo escreve: “Portanto, a mulher deve ter sobre a cabeça sinal de poderio, por causa dos anjos” (1 Coríntios 11:10). Paulo toma como certo que quando os cristãos se reúnem para adoração, os anjos também estarão presentes e participarão.
Esta é a primeira de uma série de seis cartas didáticas intitulada Por causa dos anjos. Como introdução, exploraremos os relatos bíblicos sobre as maneiras como os anjos desempenham um papel na vida dos crentes.
Mais de uma vez, quando Ruth e eu estávamos adorando juntos, ela ouviu os anjos cantando. Percebemos que tínhamos o privilégio de experimentar uma pequena parte da suprema adoração do universo, abrangendo céu e terra. Já ouvi testemunhos semelhantes de outros cristãos.
Em Hebreus 1:14, o escritor diz que os anjos de Deus são “todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação”. A frase grega traduzida como “espíritos ministradores” descreve especificamente espíritos que realizam atos sacerdotais de adoração. Na Igreja do Novo Testamento, o céu e a terra se unem para adorar .
Rebeliões Angelicais Sucessivas
A Bíblia revela uma sucessão de rebeliões de anjos contra Deus. A primeira, e a mais significativa, foi a rebelião original de Lúcifer (um arcanjo) descrita em Isaías 14:12–14:
“Como caíste desde o céu,
Ó Lúcifer, filho da alva!
Como foste cortado por terra,
Tu que debilitavas as nações!
E tu dizias no teu coração:
‘Eu subirei ao céu,
Acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono,
E no monte da congregação me assentarei,
Aos lados do norte.
Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante [igual] ao Altíssimo.’”
De minha parte, acredito que Satanás estava falando de tomar o trono não de Deus Pai, mas Deus Filho (revelado mais tarde na história da humanidade como Jesus de Nazaré). O conflito entre esses dois atingiu seu clímax na cruz, onde Satanás aparentemente derrotou Jesus, mas, na verdade, Jesus despojou Satanás de todas as suas armas e o deixou totalmente derrotado. “E, despojando os principados e potestades [as de Satanás], [Jesus] os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo” (Colossenses 2:15), isto é, na cruz.
Em Apocalipse 12:3–4, Satanás é descrito como “um grande dragão vermelho” cuja “cauda levou após si a terça parte das estrelas do céu”. Aparentemente como um arcanjo, Lúcifer (agora Satanás) tinha autoridade sobre um terço dos anjos do céu, que o seguiram em sua rebelião e foram com ele expulsos do céu. Satanás e os anjos que o seguiram então estabeleceram um reino rival nos “lugares celestiais” (Efésios 6:12), em algum lugar entre o terceiro céu (onde seria a morada de Deus), e o céu visível da terra (2 Coríntios 12:2-4).
Embora o destino de Satanás tenha sido irrevogavelmente estabelecido pela sua derrota na cruz, o julgamento final sobre ele não será realizado até o final do milênio. Ao final dos mil anos, Satanás será “lançado no lago de fogo e enxofre” e, juntamente com o anticristo, “de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre” (Apocalipse 20:10).
Anjos Caídos Antes do Dilúvio
Uma outra transgressão por parte dos anjos é descrita em Gênesis 6:1–2:
“E aconteceu que, como os homens começaram a multiplicar-se sobre a face da terra, e lhes nasceram filhas, viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram.”
Quem são esses “filhos de Deus”? Eles são mencionados duas vezes no livro de Jó.
Em Jó 1:6: “E num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles.”
E novamente em Jó 38:4a,7 (KJA), quando Deus pergunta a Jó: “Onde estavas tu, quando Eu lançava os alicerces da terra, (...) enquanto os luzeiros matutinos, como a Alva, juntos cantavam e todos os anjos, filhos de Deus, bradavam de júbilo?”
Obviamente, em ambas as passagens, esses “filhos de Deus” eram seres angelicais. Certamente não havia seres humanos presentes quando Deus lançou os alicerces da terra.
Existem duas passagens no Novo Testamento que descrevem o julgamento de Deus sobre os anjos que pecaram dessa maneira com mulheres humanas. Em Judas 6 diz: “E aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação [céu], reservou na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia”.
Claramente, esses não são os anjos que participaram da rebelião original de Satanás, porque Satanás e seus anjos ainda não estão confinados, mas estão livres e ativos nos “lugares celestiais”. O pecado dos anjos de que Judas está falando foi que eles abandonaram sua morada designada no céu e desceram ao plano da terra, onde coabitaram com mulheres humanas.
Judas então continua: “Assim como Sodoma e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se entregue à fornicação como aqueles, e ido após outra carne, foram postas por exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno.”
Judas compara os anjos caídos dos dias de Noé com o povo de Sodoma e Gomorra porque os dois grupos eram culpados do mesmo pecado de imoralidade sexual e perversão.
Em 2 Pedro 2:4–6, o apóstolo também conecta os anjos caídos dos dias de Noé com o povo de Sodoma e Gomorra:
“Porque, se Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo; E não perdoou ao mundo antigo, mas guardou a Noé, a oitava pessoa, o pregoeiro da justiça, ao trazer o dilúvio sobre o mundo dos ímpios; E condenou à destruição as cidades de Sodoma e Gomorra, reduzindo-as à cinza, e pondo-as para exemplo aos que vivessem impiamente.”
Em ambos os casos, o pecado deles foi o sexo antinatural. No versículo 4, onde a tradução em português diz: “lançado no inferno”, a palavra grega usada é, na verdade, tártaro, uma palavra que ocorre com frequência na literatura grega. O Tártaro foi definido como “um lugar de confinamento tão abaixo do Hades quanto o Hades está abaixo da terra”.
É incrível quanto tempo o Senhor ainda vai tolerar certas formas de pecado no mundo, mas há certos limites que Deus zelosamente observa. Um desses limites é o da perversão sexual, seja entre anjos e seres humanos ou entre seres humanos do mesmo sexo. Cada vez que o limite é ultrapassado, os julgamentos mais severos de Deus vêm logo a seguir. Num dos casos, o julgamento veio na forma de um dilúvio; no outro, eliminou instantaneamente a população de duas cidades inteiras.
Pecados Semelhantes em Nossos Dias
A Bíblia indica claramente que a relação sexual entre anjos e mulheres humanas não cessou permanentemente na época do dilúvio. “Naqueles dias havia nefilins na terra, e também posteriormente, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens e elas lhes deram filhos. Eles foram os heróis do passado, homens famosos.” (Gênesis 6:4) (NVI)
A palavra hebraica nephilim é derivada diretamente do verbo hebraico naphal, que significa “cair”. Nephilim, portanto, são os caídos - isto é, anjos caídos. Havia nefilins na terra “naqueles dias” (isto é, na época do dilúvio)—e também posteriormente (isto é, após o dilúvio).
Aqueles que nasceram neste período posterior dessa união antinatural foram chamados de heróis. A mitologia grega está repleta de descrições de tais heróis. Eles nasceram quando seres que os gregos chamavam de deuses tiveram relações sexuais com mulheres humanas. Esses deuses eram seres sobrenaturalmente poderosos que desceram de um plano superior de existência. A Bíblia os chama de nefilins. Eles eram, de fato, anjos caídos.
Para dar apenas alguns exemplos, diz-se que Zeus (o “pai” dos deuses) assumiu a forma de um cisne e se uniu a uma mulher chamada Leda, que lhe deu três filhos. Em outra ocasião, na forma de um touro, Zeus teve relações sexuais com Europa, que também lhe deu três filhos. Outro “deus”—Poseidon, o deus do oceano—uniu-se com uma mulher humana e ela lhe deu um filho chamado Teseu, que se tornou um dos mais famosos heróis gregos.
Muitos outros exemplos poderiam ser adicionados. Estes mitos são como um espelho rachado cujo reflexo é distorcido, mas, a descrição exata deles está resumida em Gênesis 6:4.
Como Nos Dias de Noé
Em Lucas 17:26 Jesus nos adverte: “E, como aconteceu nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do homem.” Em outras palavras, as condições que marcaram os dias de Noé vão caracterizar novamente o período pouco antes do fim da presente era.
Nos dias de Noé, “A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência” (Gênesis 6:11). Certamente essas duas características estão sendo manifestamente reproduzidas diante de nossos olhos hoje: corrupção moral e violência continuamente crescente.
Também nos dias de Noé, a humanidade foi invadida por anjos de um plano superior que fizeram das mulheres humanas objetos de sua luxúria. Hoje, mais uma vez, a mídia está repleta de relatos de “visitantes extraterrestres ou alienígenas”. Muitas vezes, isso é atestado por relatos vívidos de testemunhas oculares.
Podemos descartar esses relatos como invenções, mas isso não explica sua frequência crescente. Outra explicação sugerida pelas Escrituras é que as condições dos dias de Noé estão sendo reproduzidas nos dias atuais. Os anjos caídos estão de novo atuando aqui no planeta Terra.
Uma Palavra Oportuna de Paulo
Se a interpretação acima das Escrituras estiver correta, então, temos que agir com uma nova urgência em relação às advertências de Paulo dadas em 1 Coríntios 11:2–16. Paulo não via a Igreja como um pequeno grupo de pessoas isoladas em algum edifício religioso. Em vez disso, ele via a igreja como parte de um grande drama cheio de ação que abrangia a terra e o céu. As reuniões da igreja não se limitavam a seres humanos, mas poderiam incluir também anjos bons e maus.
Em particular, Paulo advertiu que as mulheres humanas que participam da adoração da igreja precisam estar cientes da possível presença de anjos bons e maus. O que elas deveriam fazer, então, era ter uma cobertura adequada em suas cabeças. Desta forma, elas estariam afirmando que estavam debaixo da autoridade que Cristo investiu em Sua Igreja. Elas também estariam prestando o devido respeito aos bons anjos que poderiam estar presentes e, ao mesmo tempo, estariam se protegendo contra as influências espirituais impuras de anjos maus, possivelmente ali presentes.
As instruções sobre adoração que Paulo dá em 1 Coríntios 11:2–16 podem ser resumidas em uma palavra: respeito.
“Onde Está o Respeito para Comigo?”
No tempo de Malaquias, o Senhor acusou Seu povo de falta de sinceridade em sua adoração. Eles eram muito religiosos, mas eram desrespeitosos. Em Malaquias 1:6 (ARA), o Senhor diz:
O filho honra o pai,
E o servo, ao seu senhor.
Se eu sou pai,
Onde está a minha honra?
E, se eu sou senhor,
Onde está o respeito para comigo?
Então, em Malaquias 1:14 (KJA), Ele conclui:
“(...) pois Eu Sou o grande Rei, e o meu Nome deve ser temido entre todas as nações da terra!”
Em quase todas as culturas existem certas regras de conduta que regem a forma como as pessoas se relacionam com o seu rei. Chamamos essas regras de protocolo.
Como um rei terreno, o Senhor também tem Seu protocolo. Alguns dos requisitos do protocolo do céu são declarados em 1 Coríntios 11:2–16. Eles nos lembram que os cristãos em sua adoração não são apenas um pequeno grupo isolado por conta própria. Pelo contrário, Paulo diz: “pois somos feitos espetáculo ao mundo, aos anjos, e aos homens.” Vimos que os “anjos” incluem anjos bons e maus.
Como sinal de nosso respeito pelo Senhor, e também para o nosso próprio bem, precisamos estudar e seguir os requisitos do protocolo do céu.
O tema da minha próxima carta será A Guerra nos Lugares Celestiais.

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