O Servo Altruísta

Derek Prince
Published: 2019
Last Updated: அக்டோபர் 2026
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O Espírito Santo não chama a atenção para si mesmo, mas direciona os crentes a Jesus Cristo. As Escrituras apresentam Sua santidade como o padrão para avaliar mensagens, manifestações e ministérios que invocam Seu nome. O fogo consumidor de Deus traz bênçãos aos servos obedientes e julgamento contra as abordagens presunçosas em relação a Ele.
No nosso estudo até aqui, uma verdade se tornou clara: há um profundo senso de mistério rondando o Espírito Santo. Mesmo assim, ele escolheu se revelar extensivamente através das Escrituras. Esse é o ponto inicial para toda a nossa interação com o Espírito Santo. O que as Escrituras nos dizem sobre Ele?
Até agora nessa série, “Quem é o Espírito Santo”, aprendemos que ele é a terceira pessoa da Trindade, na qual a unicidade e a pluralidade estão misteriosamente combinadas. Embora ele seja a terceira pessoa do Deus Triúno, Ele é o primeiro a ser referido individualmente na Escritura:
“E o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas” (Gênesis 1:2)
A Bíblia também revela que ele é eterno, existe de eternidade a eternidade; onisciente, sabe tudo; e onipresente, está em qualquer lugar o tempo todo. Esses atributos despertam em nós um senso de curiosidade que nos leva a desejar profundamente conhecê-lo melhor.
Eu acredito, portanto, que a principal revelação do Espírito Santo está contida neste título dele mesmo: Ele é Santo. Este é o padrão pelo qual devemos julgar toda mensagem, toda manifestação, e todo movimento que alega ser do Espírito Santo: essa mensagem ou manifestação é compatível com a santidade do Espírito Santo?
Do Pentecostal ao Carismático
É bem conhecido o ditado que diz que “familiaridade gera desprezo". Infelizmente, este provérbio pode ser aplicado também às coisas do Espírito. Em algum momento, durante o desenvolvimento do Movimento Pentecostal, surgiu um certo grau de familiaridade.
Isso não estava presente quando o batismo e os dons do Espírito impactaram a igreja nos primeiros anos do século XX. Naquela época, não era nem elegante nem popular ser chamado de Pentecostal. Havia um descrédito ligado a esse título, e como resultado, houve uma falta de respeito por esse começo significante de um movimento histórico do Espírito Santo.
Até certo ponto, esse descrédito era devido a uma questão de classe social. Os primeiros pentecostais, na maioria das vezes, não eram altamente instruídos e geralmente vinham dos bairros mais pobres. Algumas coisas que eles faziam e diziam pareciam tolice, e o seu conceito de santidade era geralmente legalista.
Com o passar do tempo, muito dessa percepção negativa mudou—particularmente com o advento da Renovação Carismática. Substituir a palavra Carismático por Pentecostal de certo modo parecia trazer ao movimento um pouco de dignidade, fazendo com que ser carismático se tornasse uma nova moda. De fato, a palavra passou a não se limitar mais somente aos cristãos. (Eu me lembro de ficar espantado quando ouvi pela primeira vez esse termo sendo aplicado a um político muito inescrupuloso!)
A mudança para um termo mais digno tinha tanto um lado positivo quanto um lado negativo. No lado positivo, o batismo e os dons do Espírito Santo se tornaram acessíveis a todo o Corpo de Cristo. Mas no lado negativo, desenvolveu-se alguns ministérios e práticas aos quais a palavra “santo” já não poderia ser mais aplicada. Aqui estão alguns poucos exemplos:
- Linguagem superficial e irrelevante aplicada às coisas sagradas de Deus.
- Ministérios públicos motivados por cobiça descarada e sustentadas por alegações infundadas e promessas não cumpridas;
- Manifestações estranhas e inconvenientes atribuídas ao Espírito Santo.
Não me surpreende em nada o fato dessas questões ainda fazerem parte dos ministérios que se proclamam Cristãos. Afinal de contas, a cobiça e o servir a si próprio estão profundamente enraizados na natureza humana. O que me espanta, porém, é que milhões de cristãos professos aparentemente aceitam tal comportamento como compatível com a santidade de Deus. Tendo em vista essa atitude imprópria, é necessário um novo olhar sobre o Espírito Santo. Que tipo de pessoa é Ele?
Um Servo Humilde e Modesto
Servir é parte da natureza divina. Eu ainda consigo me lembrar do choque que tive quando percebi, pela primeira vez, essa verdade. Muitas pessoas hoje consideram ser um servo como algo a ser evitado – algo inferior e degradante. Essa atitude se tornou numa das influências mais corruptas e venenosas da nossa cultura contemporânea. Além do mais, ela é falsa. Servir não se originou no tempo, mas na eternidade; não na terra, mas no céu. Eternamente, Jesus, o filho, é o servo alegre, disposto e obediente de Deus, o Pai. O Espírito Santo, por sua vez, é o servo obediente e modesto do Pai e do Filho. Ele não alega “vitimização” ou exige seus direitos. Ele cumpre perfeitamente o papel que Lhe foi designado. Ele é o Servo de Deus!
Essa verdade é lindamente ilustrada no Capítulo 24 de Gênesis, o qual descreve como Abraão incumbiu seu servo de encontrar uma noiva para seu filho, Isaque. Há quatro pessoas distintas nessa narrativa. Abraão é um tipo de Deus o Pai; Isaque é um tipo de filho de Deus, Jesus; Rebeca é um tipo de noiva de Cristo, a Igreja.
Mas e sobre o servo de Abraão? Embora não tenha recebido um nome, ele é realmente o principal personagem dessa história! Ele é um tipo de Espírito Santo. Como um servo, ele tinha um objetivo superior: encontrar uma mulher jovem que seria a noiva. Quando a encontrou, sua tarefa era então equipá-la e adorná-la; e acompanhá-la em segurança até o noivo.
Foi para um objetivo similar que o Espírito Santo veio à terra no Pentecostes. Ele está aqui com um objetivo superior: encontrar, equipar e adornar a noiva de Cristo, a Igreja. Ele é aquele que a acompanhará em segurança através desse mundo e a apresentará para Jesus — uma noiva sem mancha e sem mácula.
A principal característica do Espírito Santo, como o servo de Abraão, é que ele nunca atrai atenção para si mesmo. Aqui está uma tradução literal de algumas das declarações que Jesus fez sobre Ele:
- "Ele testificará de mim.” (João 15:26);
- “... Porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido.” (João 16:13);
- “... Porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar” (João 16:14).
Mais extraordinário ainda, em toda a revelação fornecida para nós na Escritura, não há registro de que alguém tenha mesmo feito uma oração ao Espírito Santo. A oração padrão que Jesus deu a seus discípulos se inicia com essas palavras: “Pai Nosso”. A isso, Jesus adicionou sua própria promessa: “E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho “(João 14:13). O objetivo e o ponto central da oração bíblica é Deus o Pai. O ministério do Espírito Santo é nos ajudar a alcançar o Pai com nossas orações— não nos oferecer um caminho alternativo. Nós devemos orar no Espírito, não ao Espírito. (Veja Efésios 6:18).
Motivo de Preocupação
Nos anos recentes, porém, algumas igrejas se desviaram desse padrão bíblico. O foco foi mudado do Pai e do Filho para o Espírito. Muitas músicas, algumas com conteúdo bíblico, são direcionadas ao Espírito Santo. Frequentemente a ênfase principal tem sido nas experiências pessoais que satisfazem o ego da pessoa cantando a música. Essa mudança discreta de ênfase colocou o povo de Deus à mercê de perigos espirituais, os quais muitos falham em discernir.
Nós precisamos manter dois princípios básicos em mente. Primeiro, o Espírito Santo nunca satisfaz o ego humano. Segundo, o Espírito Santo nunca atrai a atenção para Si mesmo. Ele sempre direciona nosso foco para Jesus.
Sempre que esses princípios são colocados de lado, o resultado pode ser muito entusiasmo carnal e busca do prazer emocional, sem qualquer santidade autêntica. Isso pode nos fazer ficar vulneráveis a uma falsidade satânica e a uma atividade demoníaca. Como o Espírito Santo, devemos sempre focar nossa atenção em Jesus.
Um Fogo Consumidor
Uma das maneiras do Espírito Santo se manifestar, às vezes, é através do Fogo. De fato, a última vez que o Espírito Santo aparece visivelmente nas escrituras é como “sete lâmpadas de fogo…ardiam diante do trono…de Deus.” (Apocalipse 4:5)
O escritor de Hebreus faz uma declaração simples, mas profunda:
Porque o nosso Deus é um fogo consumidor. (Hebreus 12:29)
Ele não diz que Deus é como um fogo, mas que Deus é um fogo. Por essa razão, "Nós devemos servir a Deus adequadamente com reverência e temor Santo”. Não com um medo escravo, mas com “O temor do Senhor, [o qual] é limpo e permanece para sempre” (Salmos 19:9).
O escritor de Hebreus não está falando de Deus o Pai, nem de Deus o Filho, mas de Deus o Espírito Santo. Ele realmente é um fogo — um Fogo Consumidor.
Em vários momentos da história de Israel, o Espírito Santo desceu entre o povo como um fogo. Uma dessas vezes foi no Tabernáculo no deserto, quando Arão ofereceu todos os sacrifícios indicados:
“Porque o fogo saiu de diante do Senhor, e consumiu o holocausto e a gordura, sobre o altar; o que vendo todo o povo, jubilaram e caíram sobre as suas faces.” (Levítico 9:23-24)
Quando o fogo veio e o povo caiu com suas faces no chão, eles não foram simplesmente movidos por uma manifestação espiritual. Foi uma resposta à presença de Deus — Deus o Espírito Santo — o qual veio entre eles como fogo consumidor. Em sua presença, eles ficaram incapazes fisicamente de permanecer em pé.
Purificar ou Destruir?
Há, porém, dois atributos do fogo que são opostos. O fogo pode ser benéfico, mas também pode ser perigoso. O fogo pode purificar, mas também destruir. Então, assim é com o fogo do Espírito Santo. Ele pode ministrar as bênçãos e o favor de Deus àqueles que são obedientes. Mas também pode ministrar a ira e o julgamento de Deus sobre aqueles que são presunçosos e obstinados.
Imediatamente depois dessa narrativa do fogo que caiu sobre o sacrifício de Arão no tabernáculo, o relato continua:
“E os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, tomaram cada um o seu incensário e puseram neles fogo, e colocaram incenso sobre ele, e ofereceram fogo estranho perante o SENHOR, o que não lhes ordenara. Então saiu fogo de diante do Senhor e os consumiu; e morreram perante o Senhor.” (Levítico 10:1-2)
Que lição solene! O mesmo fogo que trouxe as bênçãos de Deus aos sacrifícios indicados por Arão trouxe morte instantânea a seus dois filhos quando eles entraram na presença de Deus com “fogo profano [ímpio]”.
Deus já definiu a maneira pela qual nós devemos nos aproximar Dele: “com reverência e temor Santo".
Oferecer fogo profano é se aproximar de Deus com presunção e teimosia. É ir a ele num espírito que não é o Espírito Santo. É, portanto, um assunto de vital importância— de fato, de vida ou morte — reconhecer o Espírito Santo quando Ele se manifesta, e distingui-lo de qualquer outro espírito falso.
Duas Exigências Importantes
De todos os israelitas, Nadabe e Abiú (filhos de Arão) devem ter achado que tinham um privilégio especial para entrar na presença de Deus da maneira que eles mesmos escolheram. Pelo direito de nascimento, Nadabe deveria ter sucedido Arão como Sumo Sacerdote. Mas não podemos substituir obediência à Palavra de Deus por nada, nem por status denominacional, nem por milagres dramáticos, nem pelo apelo da multidão. Deus não tem uma elite especial privilegiada que pode ignorar suas exigências sem sofrer as consequências.
O julgamento de Deus no caso da exaltação própria de Nadabe e Abiú é um lembrete solene para evitarmos a familiaridade contra a qual advertimos anteriormente. Isso nos lembra que o Espírito Santo somente reparte as suas bênçãos com os servos altruístas como Ele, que satisfazem seus requisitos. Sua primeira exigência é focar na exaltação e glória do Senhor Jesus Cristo. A segunda é cuidadosamente seguir as direções e atitudes que o próprio Espírito Santo transmitiu para nós nas Escrituras.
Para finalizar, vamos pedir ajuda ao Senhor agora para alcançarmos esses dois importantes requisitos: exaltar o Senhor Jesus, e obedecer ao Espírito Santo.
Prayer Response
Querido Pai Celestial, eu estou cercado por essa cultura do espírito de Nadabe e Abiú — de orgulho, direitos e títulos — e eu não quero que isso se infiltre na minha vida. Por favor, Senhor, crie um padrão de santidade em mim pelo fogo purificador do Espírito Santo. Ensine-me a andar humildemente na sua presença. Conceda-me sabedoria e discernimento e me ajude a permanecer forte contra o inimigo. Eu me rendo completamente ao seu precioso Espírito Santo, para que eu possa servi-Lo melhor, Deus Pai, e encontrá-Lo de maneiras novas e poderosas. Eu peço tudo isso em nome de Jesus. Amém.

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