Nesta série de quatro partes sobre o tema orgulho vs humildade, estamos estudando a lei eterna e universal afirmada por Jesus em Mateus 23:12:

“Pois todo aquele que a si mesmo se exaltar será humilhado, e todo aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado.” (NVI)

Fazendo Progresso Espiritual

Nesta Carta de Ensino, estamos cobrindo a terceira parte da série que trata da importante questão de vencer o orgulho e andar em humildade. Começamos a série reconhecendo que a natureza de nossa luta contra o orgulho é um desejo de autoexaltação e de se tornar independente de Deus — uma atitude muito comum no mundo de hoje, mas que leva à rebelião e à destruição. O antídoto para essa atitude predominante é o princípio universal afirmado por Jesus em Mateus 23:12: “Pois todo aquele que a si mesmo se exaltar será humilhado, e todo aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado” (NVI). Também examinamos os resultados opostos que acompanham a autoexaltação e a auto-humilhação. Em Lúcifer, que se tornou Satanás, vimos o exemplo perfeito de autoexaltação e suas consequências. Em Jesus vimos o exemplo perfeito de auto-humilhação e seus resultados. Observamos que essas leis funcionam exata e completamente da mesma forma na vida de cada um de nós.

Na primeira de nossas duas mensagens anteriores, estudamos a vida de Jesus como o padrão perfeito da vitória sobre o orgulho por meio da auto-humilhação. A segunda parte foi uma aplicação desse padrão - um passo que deve ser dado por cada um de nós a fim de iniciarmos um relacionamento vívido com o Senhor. Isso nos leva ao nosso ensino atual, no qual entenderemos como a humildade é necessária para avançarmos para a maturidade na vida cristã. Quanto mais nos humilhamos, mais progresso fazemos, e isto é válido para cada um de nós.

Um Pedido Corajoso

Antes de tudo, quero focar no caminho para a liderança no Corpo de Cristo, entre o povo de Deus, os discípulos de Jesus. Tomaremos um exemplo de um incidente ocorrido perto do fim do ministério terreno de Jesus, registrado em Mateus 20:20-28. Na situação descrita nesta passagem, a mãe de dois de Seus discípulos - Tiago e João, filhos de Zebedeu - veio a Jesus com um pedido especial em nome de seus dois filhos. Vamos prestar atenção tanto ao pedido da mãe quanto à resposta que Jesus deu. A história começa em Mateus 20:20:

“Então, aproximou-se de Jesus a mãe dos filhos de Zebedeu com seus filhos e, prostrando-se, fez-lhe um pedido. ‘O que você quer?’ perguntou ele. Ela respondeu: ‘Declara que no teu Reino estes meus dois filhos se assentarão um à tua direita e o outro à tua esquerda’. Disse-lhes Jesus: ‘Vocês não sabem o que estão pedindo’ [Observe, ele colocou a responsabilidade não na mãe, mas nos filhos. Ele dirigiu a palavra para eles, usando o plural ‘vocês’. Eles estavam, até certo ponto, escondidos atrás do avental da mãe. Mas Ele os trouxe à tona e expôs seus próprios motivos errôneos.] ‘Podem vocês beber o cálice que eu vou beber?’ ‘Podemos’, responderam eles. Jesus lhes disse: ‘Certamente vocês beberão do meu cálice; mas o assentar-se à minha direita ou à minha esquerda não cabe a mim conceder. Esses lugares pertencem àqueles para quem foram preparados por meu Pai’. Quando os outros dez ouviram isso, ficaram indignados com os dois irmãos.” (NVI)

Uma Exigência Absoluta

Por que eles ficaram indignados? Só havia uma razão para isso. Eles também aspiravam a esses dois lugares de honra, à direita e à esquerda de Jesus. Muitos motivos são revelados neste simples incidente.

“Jesus os chamou e disse: "Vocês sabem que os governantes das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas. Não será assim entre vocês. Pelo contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo, e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo.” (versículos 25-27, NVI)

Essa palavra, “escravo” — é uma palavra que incomoda, não é? E, no entanto, é uma exigência absoluta. Se você quer ser grande, você tem que se tornar um servo. Se você quer ser o primeiro - maior ainda - você tem que se rebaixar. Você tem que se tornar um escravo.

“...como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” (versículo 28, NVI)

Portanto, vemos aqui um princípio de como ser promovido no reino de Deus. É a mesma lei que examinamos ao longo dessas mensagens sobre Orgulho vs Humildade. O caminho de subida é o caminho de descida. Se você quer subir, desça. Se você quer ser o governante ou o líder, torne-se servo. Se você quer ser o chefe, torne-se escravo.

Mais uma vez, quero enfatizar que esse princípio opera em todas as vidas, em todas as partes do universo. Não há exceções a esta lei. Assim como normalmente diríamos que no mundo físico não há exceções à lei da gravidade, também no mundo espiritual não há exceções a essa lei. Essa é a lei eterna e universal afirmada por Jesus em Mateus 23:12: “Pois todo aquele que a si mesmo se exaltar será humilhado, e todo aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado.” (NVI). Não há outro caminho legítimo para a promoção no Reino de Deus para se tornar um líder, a não ser por meio da auto-humilhação.

Deixe-me mencionar que muitas vezes ignoramos esta lei ao promover alguém na igreja. Escolhemos as pessoas porque frequentaram um seminário, ou por causa de sua educação, ou por causa de seu dom de pregação. Muitas vezes, tais escolhas acabam sendo desastrosas para o Corpo de Cristo porque ignoramos o grande princípio básico: qualquer um que não aprendeu a se humilhar não está apto para ser o líder do povo de Deus.

O Espinho na Carne de Paulo

Nesta seção, quero lhe mostrar esse mesmo princípio aplicado na experiência pessoal do apóstolo Paulo. Vamos ler o próprio testemunho dele sobre si mesmo e sua experiência em 2 Coríntios 12:7–10. Antes desses versículos, Paulo está falando sobre as tremendas e exclusivas revelações sobre o Evangelho e sobre a Igreja que ele havia recebido do Senhor. Em seguida, ele explica como Deus teve que lidar com ele por causa dessas revelações.

“E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar.”

Deixe-me apenas mostrar que nesta situação não pensaríamos desta maneira. Poderíamos pensar que, se tivéssemos revelações tremendas, tudo correria bem. A vida seria muito mais fácil. No entanto, muitas vezes o contrário é verdadeiro. O homem que tem uma grande revelação é o que mais sofre. Então Paulo diz:

“Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim.”

Percebemos aqui que, quando oramos, precisamos nos lembrar de um fato. Um “não” é uma resposta tanto quanto um “sim”. Nesse caso, Paulo orou três vezes — e todas as vezes obteve a mesma resposta: “não”. Vemos a explicação do Senhor no versículo 9:

“E disse-me: ‘A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.’ [E então Paulo continua:] De boa vontade, pois [em outras palavras, este é o resultado deste princípio], me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco é que sou forte.”

Eu me pergunto se você poderia dizer isso. Na verdade, estou me perguntando: “Posso dizer isso?” Quantas pessoas poderiam dizer: “Regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias?” Você entende que a razão pela qual Paulo se deleitava nessas coisas era porque ele havia aprendido os princípios — os mesmos princípios que estamos aprendendo aqui? Tudo o que me empurra para baixo, tudo o que me despoja do último vestígio de orgulho, arrogância ou autoconfiança - esse é o caminho para a minha exaltação. Quanto mais para baixo eu vou, mais alto Deus me eleva. Quanto mais vazio estou de mim mesmo, mais posso receber de Deus. Quando estou fraco, então sou forte. Por quê? Porque o poder de Deus se aperfeiçoa na nossa fraqueza.

Enquanto estivermos cheios de nós mesmos, não precisamos muito de Deus. Mas quando somos despojados de nós mesmos, precisamos de tudo o que Deus tem para nós - e está disponível gratuitamente.

Humildade em João Batista

Em nossa próxima seção, quero que você veja o mesmo princípio ilustrado pelo homem que veio como o precursor de Jesus: João Batista. Ele foi o homem que teve um ministério especial para preparar o caminho do Messias. A certa altura do ministério de João, as pessoas que o seguiam lhe deram notícias surpreendentes sobre Jesus, o homem cujo caminho ele viera preparar. Aquele que ele havia declarado ser o Messias estava fazendo mais conversões e batizando mais pessoas do que o próprio João. Suponho que as pessoas que contaram essa notícia a João Batista esperavam que ele reagisse de forma negativa — que ficasse desapontado. Eles pensaram que seu orgulho seria ferido e seus sentimentos machucados. Tiveram a impressão de que ele não gostaria de ver seu primo - que era mais jovem do que ele e para quem ele realmente abriu a porta para o ministério - fazendo sucesso de tal forma. Presumiram que João não gostaria de ver Jesus numa situação melhor do que a dele. Podemos agradecer a Deus porque esta não foi a reação de João Batista. Vemos seu comentário sobre a situação em João 3:30:

“É necessário que Ele [que é Jesus] cresça e que eu diminua.” (NVI)

Que grande segredo nessa afirmação! Você quer mais de Jesus? Então deve haver menos de você mesmo. Você quer mais do poder de Deus? Então você deve perceber suas próprias fraquezas. Você quer a unção de Deus? Então você deve se despir de toda a confiança em sua própria habilidade carnal. À medida que você se torna menor, Jesus se torna maior em você. Seu poder se aperfeiçoa na sua fraqueza, e na minha fraqueza.

Fixando Nossos Olhos

Isso me lembra uma citação dada pelo falecido evangelista Dwight L. Moody; “Eu costumava pensar que os dons de Deus estavam em prateleiras uma acima da outra; e que quanto mais elevado fosse nosso caráter Cristão mais facilmente poderíamos alcançá-las. Agora eu penso que os dons de Deus estão em prateleiras uma debaixo da outra. Não é uma questão de subir mais alto, mas sim de descer cada vez mais; temos que descer, sempre descer, para receber Seus melhores dons."¹

Em todo o processo que estamos discutindo nesta mensagem, o verdadeiro segredo é manter nossos olhos no próprio Jesus. Devemos lembrar que Ele é o padrão - aquele que realizou perfeitamente esse princípio. Hebreus 12:2 diz:

“Tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé. [Lembre-se: Jesus não apenas nos iniciou na fé, Ele é quem vai nos ajudar a ir até o fim. Por que fixamos nossos olhos Nele? Por causa de Seu exemplo.] Ele, pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-se à direita do trono de Deus.” (NVI)

Mais uma vez, qual é o princípio que vemos ilustrado aqui? O caminho para cima começa embaixo. Assim como foi para Jesus, assim é para nós. O caminho para o trono é através da cruz.

Nosso trabalho é receber de bom grado a morte de toda arrogância, toda autoconfiança, todas as nossas pretensões carnais e ambições de ser alguma coisa. À medida que deixamos todo esse egocentrismo morrer na cruz que Deus fornece, o caminho está aberto para nós até o trono. Portanto, fixemos os olhos em Jesus, autor e consumador da nossa fé.