Palavras!

Derek Prince
Published: 2011
Last Updated: அக்டோபர் 2026
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Palavras não são coisas insignificantes. As Escrituras as apresentam como canais que revelam o coração e têm peso diante de Deus. A fala pode servir à oração e à proclamação, mas palavras descuidadas, fofocas e propaganda podem promover o engano, em vez dos propósitos de Deus.
“São só palavras!” ... “O que há demais nisso?”
Quantas vezes ouvimos pessoas usarem expressões como essas! E como elas são falsas! A verdade é que é quase impossível estimar o poder e o significado das palavras. A capacidade da linguagem – isto é, o poder de se expressar em palavras, sejam elas faladas ou escritas – é um dos dons supremos de Deus, o Criador, ao homem, a criatura que Ele fez à Sua própria imagem e semelhança. Esse é o aspecto mais importante da semelhança entre Deus e o homem, que não é compartilhado por nenhuma criatura de ordem inferior.
Hoje, depois de esforços incessantes para provar a teoria da evolução, esta capacidade de linguagem, dada ao homem, continua a ser uma marca clara e incontestável de distinção entre ele e os animais, a qual os evolucionistas nunca foram capazes de remover ou explicar. Enquanto esta barreira permanecer, a teoria da evolução nunca poderá fornecer uma explicação satisfatória da origem do homem.
A Capacidade da Linguagem Diferencia o Homem
Ligada à capacidade da linguagem está a capacidade do pensamento e do raciocínio. Se você quiser ter certeza disso, analise por um tempo os processos de pensamentos que ocorrem em sua própria mente.
Você descobrirá que pelo menos oitenta por cento do seu pensamento é elaborado por palavras. Na verdade, quanto mais refinado e sutil se torna o poder de raciocínio de uma pessoa, mais dependente ela se torna da. linguagem como material de raciocínio. As formas mais simples de sensações e desejos físicos – exatamente aquelas características que o homem tem em comum com os animais – podem parcialmente serem expressas por outra coisa diferente da linguagem. Mas, à medida que ultrapassamos este nível, descobrimos que não temos outro meio de expressão a não ser a linguagem. Isto fica ainda mais claro se incluirmos sob o termo linguagem os sistemas simbólicos da lógica, da matemática e da música, que são na realidade apenas formas especializadas da mesma faculdade geral.
Estas conclusões sobre a importância da linguagem, extraídas meramente da experiência comum do ser humano, são plenamente confirmadas quando consideramos o que o próprio Deus ensina sobre este assunto. As duas revelações supremas de Si mesmo que Deus deu ao homem são a Bíblia e Jesus Cristo. Deus conferiu a esses dois o título de a “Palavra de Deus". Será que, nesse sentido, as palavras poderiam ter uma importância maior do que essa?
Palavras são Coisas
As duas línguas atuais nas quais a revelação escrita de Deus, a Bíblia, foi dada em primeira mão ao homem, são o hebraico (e sua irmã, o aramaico) no Antigo Testamento e o grego no Novo. Há um fato particularmente importante que é comum em ambas as línguas. Em cada uma delas há uma palavra – em hebraico dabar e em grego rhema – que pode ser traduzida com igual precisão como “palavra” ou “coisa”. Somente o contexto pode mostrar em cada caso qual tradução deve ser escolhida, e às vezes é necessário traduzir nos dois sentidos para dar o significado completo do original.
Por exemplo, a declaração de Gabriel a Maria em Lucas 1:37 pode igualmente ser traduzida: “Para Deus nada será impossível” ou “Para Deus nenhuma palavra estará vazia de poder”. Talvez pudéssemos expressar isso dizendo: “Cada palavra de Deus contém em si o poder para seu próprio cumprimento”.
Esta peculiaridade do hebraico e do grego, as duas línguas escolhidas para a revelação divina, não é acidental. Ilustra um princípio fundamental da natureza divina. Com Deus, palavras são coisas. Não há distinção real entre os dois. “Deus disse: ‘Haja luz’; e houve luz”, Gênesis 1:3. Quando Deus falou a palavra “luz”, a coisa chamada luz, veio a existir. “Pela fé entendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus”, Hebreus 11:3. Na verdade, as palavras foram o único meio que Deus usou para criar todo o universo.
As palavras são a matéria a partir da qual todo o universo foi criado. Não é exagero dizer, portanto, que ao atribuir ao homem a faculdade da fala, Deus confiou ao homem o Seu próprio poder divino e criador. Não admira que essa continue a ser a marca mais proeminente que diferencia os homens dos animais.
Palavras do Coração
O Senhor Jesus nos deu uma visão adicional sobre a importância das palavras quando disse:
“Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca.” (Mateus 12:34)
Ou seja, a primeira e mais completa revelação daquilo que está no coração de uma pessoa é demonstrada através de suas palavras.
O coração é a origem e a fonte de toda a vida de uma pessoa (ver Provérbios 4:23); mas as palavras são o canal divinamente estabelecido pelo qual essa vida deverá fluir e ser expressa.
Enquanto uma pessoa estiver em silêncio na minha presença, não consigo sentir o que está em seu coração. Mas quando ela fala, ela transmite em palavras aquilo que está em seu coração. Assim, as palavras quebram a barreira entre os corações humanos.
É por esta razão que o próprio Jesus é chamado de “a Palavra de Deus”. Pelos nossos sentidos não podemos conhecer a Deus, não podemos buscar ou compreender o coração e a mente de Deus. A criação — isto é, as “palavras” de Deus se tornaram “coisas” — elas nos dão um testemunho seguro do poder eterno e da Divindade de Deus (ver Romanos 1:20), mas não revela completamente o coração de Deus.
Por outro lado, Jesus, que se manifestou aos nossos sentidos em carne humana, nos dá a revelação plena e perfeita do coração de Deus. Assim como as palavras de um homem transmitem aos nossos sentidos os pensamentos invisíveis do seu coração, Jesus transmite para nós a natureza do Deus invisível. Ele é, profundamente, a “Palavra de Deus” – a expressão perfeita do coração e da mente de Deus, a qual nunca poderíamos conhecer plenamente de outra forma. Jesus, a Palavra viva, derruba a barreira entre o coração de Deus e o coração do homem.
Origem Divina das Palavras
A faculdade da fala, então, é de origem divina. É algo maravilhoso e sagrado. Não deve ser menosprezada ou mal utilizada. O próprio Jesus nos alertou repetidamente contra isso.
“Porque por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condenado”, Mateus 12:37. “Mas eu vos digo que de toda a palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no dia do juízo”, Mateus 12:36. “Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna”, Mateus 5:37.
Nossas palavras devem ser sóbrias, precisas, puras, sem exageros – instrumentos sagrados usados para propósitos sagrados. Palavras ociosas – palavras usadas de qualquer outra forma ou para quaisquer outros propósitos – são pecados que devem ser confessados e abandonados para que depois Deus possa restaurar Sua bênção.
Está escrito sobre Cristo:
“...A graça se derramou em teus lábios; por isso Deus te abençoou para sempre.” (Salmo 45:2)
Da noiva de Cristo, as Escrituras registram:
“Os teus lábios são como um fio de escarlate, e o teu falar é agradável…Favos de mel manam dos teus lábios, minha esposa! Mel e leite estão debaixo da tua língua.” (Cântico dos Cânticos 4:3, 11)
À igreja Paulo ordena:
“A vossa palavra seja sempre agradável.” (Colossenses 4:6)
Deus não apenas deseja, através da fé, restaurar a graça e a pureza de nossas palavras, mas também procura restaurar a autoridade e o domínio que o homem possuía antes da queda, mas que foram perdidos por causa do pecado. Em Jó 22:28 há uma promessa feita para aquele pecador que cumpre as condições de Deus de se arrepender e ter fé: “Decretarás uma coisa, e ela lhe será estabelecida” (KJF). Isto é, o decreto de um pecador redimido terá a mesma autoridade que o decreto do Deus Todo-Poderoso.
A respeito de Samuel está escrito: “O SENHOR... fazia com que todas as suas palavras se cumprissem”, 1 Samuel 3:19 (NVI). Isto é, as palavras proferidas por Samuel representavam de tal forma a mente e a vontade de Deus que eram tão certas e eficazes como se o próprio Deus as tivesse pronunciado.
Josué falou com o sol e a lua e, por meio de suas palavras, interrompeu o curso deles nos céus por vinte e quatro horas (ver Josué 10:12–14).
Elias disse a Acabe: “Juro pelo nome do SENHOR, o Deus de Israel, a quem sirvo, que não cairá orvalho nem chuva nos anos seguintes, exceto mediante a minha palavra”, 1 Reis 17:1 (NVI). É prerrogativa exclusiva do único Deus verdadeiro controlar a queda da chuva (ver Jeremias 14:22). No entanto, Elias declarou que nem chuva, nem orvalho cairia durante um determinado período, isto é, por três anos e meio. Essa história também está em Tiago 5:17. Essas duas forças da natureza estariam sob o controle da sua palavra. Pela sua palavra ele poderia retê-los, e pela sua palavra ele poderia liberá-los. Com certeza, durante três anos e meio não caiu chuva nem orvalho. Então, pela sua palavra – dirigida a Deus em oração – ele os liberou. Assim, no Antigo Testamento, os homens controlavam, pelas suas palavras, manifestações do poder criador de Deus, como o curso dos corpos celestes e a queda da chuva e do orvalho.
No Novo Testamento, Jesus simplesmente falou com uma figueira, e ela secou desde a raiz. Quando Seus discípulos ficaram maravilhados com isso, Jesus delegou-lhes expressamente autoridade semelhante, e ainda maior:
“Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Em verdade vos digo que, se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que foi feito à figueira, mas até se a este monte disserdes: Ergue-te, e precipita-te no mar, assim será feito. E, tudo o que pedirdes em oração, crendo, o recebereis.” (Mateus 21:21–22)
Esta dupla promessa inclui tanto palavras ditas a Deus em oração quanto palavras ditas para Deus de qualquer outra forma. Assim, Jesus expressou o seu propósito de dar aos Seus discípulos que têm a fé e não duvidam, a mesma autoridade e o mesmo poder eficaz e criador das próprias palavras de Deus.
Se ao menos nós, cristãos, parássemos de desprezar e usar indevidamente estes instrumentos sagrados. Se ao menos afastássemos de nós todas as palavras fúteis e não santificadas - conversas tolas, piadas, mexericos, calúnias, difamações e exageros. Logo ficaríamos surpresos com o poder que as nossas palavras teriam.
Palavras como Propaganda
Se os santos estão, muitas vezes, cegos ou indiferentes ao significado das palavras, podem ter certeza de que Satanás não está. Foi com palavras que ele provocou a queda de nossos primeiros pais, e desde então ele nunca deixou de procurar usurpar a autoridade divina contida nas palavras e de usar esses instrumentos sagrados de Deus contra Deus, contra o povo de Deus e contra os propósitos de Deus para a terra. Em Apocalipse 16:13 lemos “E da boca do dragão, e da boca da besta, e da boca do falso profeta vi sair três espíritos imundos, semelhantes a rãs”. Uma característica significativa da rã em Israel e nos países vizinhos é que ela permanece silenciosa durante o dia, mas mantém um coaxar incessante e repetitivo durante as horas de escuridão. Essas rãs representam brilhantemente a imagem de uma característica especial e notável dos métodos aplicados pelos políticos da era moderna, que identificamos como propaganda. Ela descreve a repetição incessante daquelas declarações e teorias nas quais seus autores desejam que acreditemos, excluindo todas as demais formas de ideias e pensamentos das nossas mentes.
É este instrumento de palavras, chamado propaganda, que “os dominadores deste mundo tenebroso” usaram para estabelecer cada uma das sucessivas ditaduras anticristãs que marcaram os últimos cem anos da história mundial. Armamentos, poder militar, polícia secreta, tudo isso tem estado subordinado a um grande instrumento verbal: a propaganda.
Embora as forças por trás de tal propaganda sejam espirituais, sendo expressamente chamadas de “espíritos imundos”, é, como sempre, através dos lábios dos homens que elas funcionam. Portanto, no Salmo 12:4 lemos sobre homens, "Venceremos graças à nossa língua; somos donos dos nossos lábios! Quem é senhor sobre nós?" (NVI). Tais homens não sabem que Satanás é o senhor sobre eles, controlando seus lábios para seu próprio propósito.
“São corrompidos e tratam maliciosamente de opressão; falam arrogantemente. Põem as suas bocas contra os céus, e as suas línguas andam pela terra.” (Salmos 73:8–9)
Nenhum escritor moderno jamais apresentou, em tão poucas palavras, uma imagem tão vívida e precisa dos objetivos e métodos políticos atuais. Na verdade, o antigo conflito entre os poderes da luz e os poderes das trevas, tanto nos lugares celestiais como na terra, está atingindo o seu clímax na nossa geração; e o instrumento supremo pelo qual a questão está sendo decidida são as palavras!
No entanto, não é a vontade de Deus que Seu povo seja incapaz ou derrotado. “Vocês não sabem”, diz Paulo, “que os santos hão de julgar o mundo?”. Novamente:
“As armas com as quais lutamos não são humanas; pelo contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas. Destruímos argumentos [ou imaginações] e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo." (2 Coríntios 10:4–5 NVI)
Compreenderemos que a guerra não está na esfera material ou carnal, mas na esfera dos pensamentos e da imaginação. E as armas extremamente eficazes que Deus nos confiou são: as palavras!
Direcione suas Palavras
Existem ainda duas direções principais nas quais podemos apontar as nossas palavras: para Deus, em favor de alguém, na oração; ou para alguém, em nome de Deus, em proclamação.
As palavras direcionadas a Deus em oração é talvez a maior tarefa já confiada ao homem. Muitas vezes, no passado, esta poderosa tarefa era deixada para um número pequeno de pessoas menosprezadas. Um grande propósito do presente derramamento do Espírito Santo sobre cada setor da igreja é criar um exército de intercessores, dispostos e capazes de levar a batalha da oração até as portas do reino de Satanás e provar que essas portas não podem prevalecer contra as palavras de poder dirigidas pelo Espírito de uma igreja em oração.
Para o uso de palavras direcionadas ao homem através de proclamação, os meios modernos de comunicação em massa, ou seja, a televisão, o rádio, a imprensa e a Internet ( World Wide Web) colocaram à nossa disposição tanto meios quanto oportunidades que nunca foram concedidas a qualquer geração anterior de Cristãos. Até agora, em muitos casos, os representantes de Satanás demonstraram maior visão e fé ao utilizarem estes meios, do que os filhos de Deus. No entanto, a Bíblia nos diz: “Porque tudo isto é por amor de vós”, 2 Coríntios 4:15.
É hora dos cristãos se arrependerem da sua falta de visão e de fé, e então arrancarem estes meios de comunicação de massa das garras de Satanás, e usá-los para a proclamação e extensão do reino de Deus. Assim cumpriremos a Escritura: “Eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho”, Apocalipse 12:11.
Finalmente, lembre-se que neste conflito não pode haver neutralidade. Jesus disse: “Quem não é comigo é contra mim, e quem comigo não ajunta, espalha”, Mateus 12:30. Nem Deus nem Satanás aceitarão acordos. Ou vencemos ou somos vencidos. Entre estas duas opções não existe uma terceira.
Na época da reforma, Lutero disse: “É mais importante pregar o evangelho do que viver”. Numa crise posterior na história europeia, o orador inglês Edmund Burke disse: “Tudo o que é necessário para o triunfo do mal é que os homens bons não façam nada”. Ambas as declarações são válidas hoje em dia, com a mesma importância. Individualmente e como corpo, nós, cristãos, enfrentamos a crise mais importante da história da humanidade. De que lado você e suas palavras estão? Você está com Cristo? Ou você está contra Ele?

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