O Sangue do Cordeiro

Derek Prince
Published: 2011
Last Updated: அக்டோபர் 2026
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O sangue de Jesus refuta as acusações de Satanás com perdão, justiça e misericórdia. As Escrituras mostram que os crentes vencem por meio do sangue de Cristo, da Palavra de Deus e do testemunho pessoal. O ensinamento explica como o sangue de Jesus proporciona redenção, purificação, justificação, santificação e intercessão contínua diante de Deus.
Os cristãos estão envolvidos num tremendo conflito que abrange todo o universo, desde o céu até a terra. A batalha é entre Deus e as forças do bem, de um lado, e Satanás e as forças do mal, do outro. O diabo é um arcanjo que, por causa do orgulho, liderou seus anjos à rebelião contra Deus e estabeleceu um reino contra Ele. As Escrituras retratam-no como um dragão, uma serpente, um assassino, um mentiroso e um ladrão. Satanás se opõe a Deus, aos Seus propósitos e ao Seu povo, e em sua oposição a nós ele tem três objetivos: roubar, matar e destruir.
Felizmente, a boa notícia do evangelho é que através da morte de Jesus na cruz, Ele derrotou Satanás em nosso favor de duas maneiras importantes. Primeiro, Ele tornou possível que obtivéssemos o perdão dos pecados do passado. Segundo, Ele tornou possível que recebêssemos a justiça de Deus pela fé, sem ter que observar a lei. Desta forma, Jesus privou Satanás da sua principal arma contra nós, que é a culpa.
Armas Espirituais
Jesus também colocou armas espirituais em nossas mãos para podermos administrar Sua vitória sobre Satanás. Em 2 Coríntios 10:4 lemos:
“As armas com as quais lutamos não são humanas [não são físicas ou materiais]; pelo contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas.” (NVI)
Nossas armas espirituais fornecidas por Deus são divinamente poderosas – traduzindo literalmente, elas são “poderosas por meio de Deus”. À medida que utilizamos essas armas que Deus nos deu, com fé e dependência Dele, o poder do próprio Deus está disponível para nós.
Não devemos ficar na defensiva na nossa batalha contra o inimigo, imaginando onde Satanás nos atacará da próxima vez, mas devemos avançar no combate contra suas fortalezas para destruí-las com nossas armas espirituais. Não devemos permanecer passivos. Podemos ter a tendência de dizer: “Sou tão fraco; tão miserável. Como posso lutar? É o diabo quem coloca estas palavras em nossas mentes. Num certo sentido, somos fracos. No entanto, ouça estas palavras de Paulo em 1 Coríntios 1:27–28:
“Mas Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios, e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes. Ele escolheu as coisas insignificantes do mundo, as desprezadas e as que nada são, para reduzir a nada as que são.” (NVI)
Em Sua infinita sabedoria, Deus escolheu pessoas fracas e miseráveis como nós para destruir “as coisas que são”: o reino de Satanás. Nossa confiança não está em nós mesmos, mas em nossas armas espirituais.
Quais são as nossas armas espirituais? Uma passagem que as descreve é Apocalipse 12:10-11, que está imediatamente após a passagem que descreve Satanás como o dragão e a serpente:
“Então ouvi uma forte voz do céu que dizia: "Agora veio a salvação, o poder e o Reino do nosso Deus, e a autoridade do seu Cristo, pois foi lançado fora o acusador dos nossos irmãos, que os acusa diante do nosso Deus, dia e noite. Eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do testemunho que deram; diante da morte, não amaram a própria vida.” (NVI)
A declaração decisiva aqui é esta: “Eles o venceram”. Observe o conflito direto, de pessoa para pessoa, dos crentes com o inimigo. Suas armas usadas na luta foram o sangue do Cordeiro e a palavra do seu testemunho. Além disso, eles estavam totalmente comprometidos com a batalha, não amaram a própria vida.
Eu interpreto este texto de uma forma simples e prática: vencemos Satanás quando testemunhamos pessoalmente o que a Palavra de Deus diz sobre o que o sangue de Jesus faz por nós. Quando usamos estas três armas juntas – o sangue de Jesus, a Palavra de Deus e o nosso testemunho pessoal – elas se tornam eficazes. Mas para fazer isso corretamente, precisamos saber o que a Palavra de Deus diz sobre o sangue de Jesus.
O Cordeiro Pascal
Em 1 Pedro 1:18–19 lemos:
“Pois vocês sabem que não foi por meio de coisas perecíveis como prata ou ouro que vocês foram redimidos da sua maneira vazia de viver que lhes foi transmitida por seus antepassados, mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e sem defeito.” (NVI)
Aqui Jesus é comparado ao cordeiro pascal.
Na antiga aliança, o sangue do cordeiro pascal era aplicado nas casas dos israelitas. O pai de cada família matava o cordeiro pascal, coletava o sangue em uma bacia e transferia o sangue da bacia para sua casa com um instrumento simples – um pequeno ramo de hissopo. Ele mergulhava o hissopo no sangue e depois borrifava em sua casa. Portanto o hissopo era essencial porque o sangue, enquanto estava na bacia, não podia protegê-los. Mas o sangue borrifado na casa pelo uso do hissopo era a proteção da família.
O hissopo é o nosso testemunho. Quando testemunhamos sobre o que a Bíblia diz que o sangue de Jesus faz, é como tirar o sangue da bacia e aspergi-lo sobre o lugar onde é necessário – o lugar onde moramos.
Redenção e Perdão
Em Efésios 1:7 Paulo diz: “Nele [Jesus] temos a redenção por meio de seu sangue, o perdão dos pecados, de acordo com as riquezas da graça de Deus” (NVI). Paulo afirma aqui duas coisas que nos são fornecidas pelo sangue de Jesus: redenção e perdão dos pecados. Contudo, para tornar estas provisões eficazes nas nossas vidas, temos que dar o testemunho apropriado. Esta é a mensagem do Salmo 107:2:
“Que o digam os redimidos do SENHOR, os que Ele resgatou da mão do inimigo” (KJA)
Temos que declarar com ousadia: “Fui resgatado das mãos do inimigo” – isto é, de Satanás.
Resgatar significa “comprar de volta”. Já fomos pecadores, expostos à venda no mercado de escravos de Satanás. Mas Jesus entrou nesse mercado de escravos e nos resgatou da possessão do diabo com Seu próprio sangue precioso. Esta libertação das mãos do inimigo é baseada no perdão dos nossos pecados. Para tornar a redenção e o perdão de Cristo eficazes em nossas vidas, devemos dar nosso testemunho pessoal, dizendo: “Através do sangue de Jesus, todos os meus pecados foram perdoados. Através do sangue de Jesus, fui resgatado das mãos de Satanás”. Esse testemunho, quando o fazemos com os nossos próprios lábios, é como o hissopo. Transfere o poder do sangue de Jesus do reino espiritual para a nossa vida prática cotidiana.
Purificação
Outra provisão vital do sangue de Jesus é a purificação dos pecados. Esta provisão para purificação dos pecados é declarada em 1 João 1:7:
“Se, porém, andamos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado.” (NVI)
Se andarmos na luz, então, o primeiro resultado é a comunhão uns com os outros, e o segundo resultado é que somos purificados pelo sangue de Jesus.
Todos os três verbos – andar, ter comunhão, ser purificado – estão no presente e indicam uma ação que deve acontecer continuamente. Devemos andar constantemente na luz para permanecer na comunhão uns com os outros e para que o sangue de Jesus continue nos limpando.
Embora possamos reivindicar a purificação através do sangue de Jesus, se não cumprirmos as condições, não seremos realmente purificados. O sangue de Jesus não nos limpa quando estamos na escuridão, mas apenas quando andamos na luz. O primeiro teste para saber se estamos andando na luz é se estamos tendo comunhão uns com os outros. Se não desfrutamos da comunhão com nossos irmãos crentes e com o Senhor, então não estamos na luz. E se não estivermos na luz, o sangue de Jesus não nos purifica.
A próxima questão, então, é como podemos andar na luz. A primeira condição é que devemos andar em obediência à Palavra de Deus. O Salmo 119:105 diz: “A tua palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho.” (NVI). O segundo requisito é que devemos ter comunhão uns com os outros.
Isso é resumido por Paulo em Efésios 4:15, onde ele diz:
“Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo.” (NVI)
Nesta passagem, andar na luz é definido como relacionar-se com nossos irmãos crentes na verdade e no amor. Devemos estar dispostos a agir de acordo com a verdade em nossos relacionamentos uns com os outros, mas temos que fazer isso com amor.
Andar na luz consiste em duas ações conjuntas: andar em obediência à Palavra de Deus e andar na verdade e no amor com nossos irmãos crentes. Quando atendemos a essas condições, podemos dizer com plena segurança que o sangue de Jesus está nos purificando de todos os pecados.
Hoje estamos muito conscientes da poluição física da atmosfera que nos rodeia. Mas a atmosfera espiritual que nos envolve também está poluída – pelo pecado, pela corrupção e pela impiedade. Para podermos permanecer limpos, precisamos da purificação constante do sangue de Jesus.
Tendo a certeza de que cumprimos as condições para a purificação, estamos em posição de fazer a confissão apropriada. Nosso testemunho deveria ser este: “Enquanto ando na luz, o sangue de Jesus está me purificando de todo pecado agora e continuamente”. Se cremos nisso, começaremos a agradecer a Deus. E ao agradecermos a Ele, nos sentiremos puros e limpos de uma maneira diferente.
Justificação
Temos mais uma provisão do sangue de Jesus que é a justificação. Ela fica clara em Romanos 5:8–9:
“Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores. Como agora fomos justificados por seu sangue, muito mais ainda seremos salvos da ira de Deus por meio dele!” (NVI)
A frase-chave é “justificados por seu sangue”. Justificar e justificação são palavras-chave no Novo Testamento. Justificar na verdade significa “tornar justo, absolver do pecado, manter-se inocente”. A melhor definição de justificação que já ouvi é esta: através do sangue de Jesus, sou justificado de tal forma que é como se eu nunca tivesse pecado. Com base em quê, podemos afirmar isso? Porque somos justificados pelo sangue de Jesus, recebemos a justiça de Jesus Cristo, não a justiça que nós merecemos, pois Jesus Cristo nunca pecou.
Em 2 Coríntios 5:21 Paulo diz:
“Deus tornou pecado por nós aquele [Jesus] que não tinha pecado, para que nele nos tornássemos justiça de Deus.” (NVI)
Observe a troca. Na cruz, Jesus tornou-se pecado com a nossa pecaminosidade, assumiu a pena e o julgamento dos nossos pecados e pagou o preço total da redenção ao derramar o Seu próprio sangue. Nele nos tornamos a justiça de Deus – não recebemos a sentença que merecemos, nem qualquer tipo de justiça humana, mas sim a justiça do próprio Deus. Deus nunca conheceu o pecado. Ele nunca foi contaminado pelo pecado. Essa é a justiça que recebemos através da fé no sangue de Jesus. Através do sangue de Jesus, então, sou justificado, feito justo com a justiça de Deus. Eu me torno como se nunca tivesse pecado.
Essa, então, é a resposta às acusações de Satanás contra nós. Por que ele está nos acusando? Porque ele quer provar que somos culpados. Portanto, o principal testemunho que supera as acusações de Satanás é este: “Através do sangue de Jesus sou justificado, feito justo, como se nunca tivesse pecado”. Por essa razão, posso estar diante de Deus sem vergonha ou medo, e posso responder a Satanás com total ousadia: “Satanás, é inútil você me acusar, porque não estou lhe enfrentando com base na minha própria justiça. Eu estou enfrentando você com base na justiça de Deus que é imaculada, sem pecado e sem mancha.”
Santificação
A próxima provisão do sangue de Jesus é a santificação. Santificar significa “tornar santo”, e tornar santo significa “separar algo ou alguém para Deus”. Uma pessoa santa é alguém separada para Deus. Hebreus 13:12 diz:
“Portanto, também Jesus, para santificar o povo com o seu próprio sangue, sofreu fora da porta” (KJA)
Em outras palavras, Ele foi crucificado fora da cidade para santificar o povo através de Seu próprio sangue.
O uso do sangue para a santificação fica claro na Páscoa. O sangue do cordeiro pascal separou Israel para Deus de uma maneira específica. Em Êxodo 11:4–7, a intenção de Deus de separar os israelitas é revelada assim:
“Disse, pois, Moisés ao faraó: "Assim diz o Senhor: ‘Por volta da meia-noite, passarei por todo o Egito. Todos os primogênitos do Egito morrerão, desde o filho mais velho do faraó, herdeiro do trono, até o filho mais velho da escrava que trabalha no moinho, e também todas as primeiras crias do gado. Haverá grande pranto em todo o Egito, como nunca houve antes nem jamais haverá. Entre os israelitas, porém, nem sequer um cão latirá contra homem ou animal’. Então vocês saberão que o Senhor faz distinção entre o Egito e Israel!” (NVI)
O Senhor fez uma distinção entre aqueles que eram o Seu povo e aqueles que não eram o Seu povo. A ira e o julgamento caíram sobre aqueles que não eram o povo de Deus, mas o povo de Deus estava totalmente tão protegido que nem mesmo um cachorro latiria contra eles. A base desta distinção, desta separação, foi o sangue do cordeiro pascal. Qualquer casa que tivesse sangue do lado de fora era santificada ou separada para Deus. Nenhum poder maligno poderia invadir aquele lar porque o Senhor havia feito uma distinção entre o Seu povo e aqueles que não eram o Seu povo. A diferença foi feita por conta do sangue do cordeiro aplicado na porta.
Da mesma forma que aplicamos as outras provisões do sangue de Jesus, dando um testemunho apropriado, podemos aplicar a provisão da santificação com estas palavras: “Através do sangue de Jesus, sou santificado, feito santo, consagrado, separado para Deus. O diabo não tem lugar em mim, nem poder sobre mim, não pode usar alegações infundadas contra mim. Tudo foi resolvido pelo sangue de Jesus.”
Um Apelo Permanente
Há outra provisão preciosa feita para nós pelo sangue de Jesus, uma das quais muitos cristãos não têm conhecimento. Hebreus 12:22, 24 diz:
“Mas vocês [todos os verdadeiros crentes] chegaram ao monte Sião ... ao sangue aspergido, que fala melhor do que o sangue de Abel.” (NVI)
No Monte Sião celestial, o sangue de Jesus foi aspergido no Santo dos Santos, diante da presença de Deus, em nosso favor. Ele entrou lá como nosso precursor, tendo obtido a redenção eterna por meio de Seu sacrifício, e aspergiu a prova dessa redenção na própria presença do Deus Todo-Poderoso, o Pai.
Devemos notar um contraste importante aqui. No início da história, Caim assassinou seu irmão, Abel. Ele então tentou se isentar da responsabilidade, mas o Senhor desafiou Caim e disse: “O que foi que você fez? A voz do sangue do seu irmão clama da terra a Mim” (veja Gênesis 4:10 NAA). Em contraste, o sangue de Jesus aspergido no céu clama, não por vingança, mas por misericórdia. O sangue é um apelo contínuo na presença de Deus por Sua misericórdia.
Depois de testemunharmos pessoalmente o poder do sangue de Jesus, não precisamos repetir essas palavras a cada minuto, porque o sangue de Jesus fala o tempo todo em nosso favor, na presença do próprio Deus. Cada vez que estivermos perturbados, tentados, com medo ou ansiosos, devemos nos lembrar: “O sangue de Jesus está falando na presença de Deus em meu favor neste momento”.
Em nossa luta contra Satanás, devemos agir ativamente com fé para atacarmos. Jesus nos forneceu as armas do Seu sangue, a Palavra e o nosso testemunho. E o nosso testemunho pessoal é a chave para empregar as outras duas armas.
O sangue de Jesus providenciou redenção, perdão, purificação, justificação, santificação e intercessão em nosso favor. Se testemunharmos pessoalmente o que a Palavra de Deus diz sobre o sangue de Jesus, podemos aplicar estas provisões às nossas vidas. Desta forma, Satanás é privado da sua principal arma contra nós – a culpa – e somos capazes de viver na vitória que Cristo conquistou há muito tempo na cruz.

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