Princípios da Proteção Espiritual

Derek Prince
Published: 2000
Last Updated: அக்டோபர் 2026
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A proteção espiritual exige mais do que apenas resistir ao mal. Os cristãos são chamados a viver sob a autoridade das Escrituras, perdoar aqueles que lhes fazem mal e submeter-se aos irmãos na fé. No conflito entre o reino de Deus e o de Satanás, essas atitudes proporcionam proteção por meio da obediência a Cristo e à Sua Palavra.
Quando nascemos de novo como cristãos no reino de Deus, descobrimos que estamos envolvidos numa guerra com um reino espiritual oposto - o reino de Satanás. E não há outra opção, porque a partir do momento em que passamos a pertencer a um reino que está em guerra, passamos a fazer parte dessa guerra. Descobrimos também que temos vários tipos de inimigos, mas o mais poderoso e assombroso é um reino de anjos rebeldes nas regiões celestiais, sob o governo do arquiinimigo de Deus, Satanás.
Na primeira carta desta série, Por Causa dos Anjos, analisamos a intervenção dos anjos na vida dos crentes; em seguida, exploramos os relatos bíblicos sobre a guerra entre os anjos de Deus e os de Satanás. Nesta carta, vamos refletir sobre a necessidade de proteção espiritual em meio a essa guerra nos lugares celestiais.
Como temos inimigos tão poderosos, todos precisamos nos valer da proteção que Deus nos deu. Em 1 Coríntios 11:10, Paulo explica que as mulheres cristãs precisam da proteção da autoridade bíblica sobre elas - simbolizada por uma cobertura apropriada em suas cabeças. Mas este é apenas um exemplo de um princípio que, de modo geral, se aplica a todos os cristãos - tanto homens quanto mulheres. Todo cristão precisa da proteção que se recebe quando está dabaixo de uma autoridade adequada e baseada nas Escrituras.
Sujeito à Autoridade
Lucas 7:1–10 registra como um centurião romano enviou alguns anciãos judeus a Jesus para pedir a cura de seu servo que estava à beira da morte. Jesus se ofereceu para ir orar pela cura do servo, mas o centurião respondeu:
“Senhor, não te incomodes, porque não sou digno de que entres debaixo do meu telhado. E por isso nem ainda me julguei digno de ir ter contigo; dize, porém, uma palavra, e o meu criado sarará. Porque também eu sou homem sujeito à autoridade, e tenho soldados debaixo do meu poder, e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu servo: Faze isto, e ele o faz.”
Ao dizer “também eu sou homem sujeito à autoridade”, o centurião reconheceu que a autoridade de Jesus no reino espiritual era análoga à autoridade que ele tinha no reino militar como um centurião do exército romano. Em cada caso, a autoridade deles provinha da submissão a uma fonte superior. Para o centurião, a fonte era o imperador romano. Para Jesus, a fonte era Deus Pai.
Observe também que o centurião não disse — como muitos teriam feito — “Eu tenho autoridade”, mas “estou sujeito à autoridade." Ele afirmou um princípio básico da Escritura: para ter autoridade, deve-se estar sujeito a (debaixo de) alguma autoridade. A autoridade vem de cima para baixo.
Em Mateus 28:18, depois de Sua ressurreição, Jesus disse:
“Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra.” (NVI)
Existem cadeias de autoridade que descem de Deus, o Pai, por meio de Jesus, o Filho, em todas as situações do universo. Em 1 Coríntios 11:3, Paulo explica que há uma cadeia descendente de autoridade designada para operar em todas as famílias na terra: “(...) Cristo é a cabeça de todo o homem, e o homem a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo." A autoridade desce de Deus, o Pai, por meio de Jesus, o Filho, para o marido e, por meio do marido, para a esposa.
Mas o que é verdade em casa se aplica a todos os outros departamentos da vida. Aplica-se a todos os cristãos. Todo cristão precisa da proteção que vem do fato de se estar debaixo de uma autoridade apropriada. Um cristão que não está debaixo de autoridade é um cristão desprotegido.
Autoridade na Igreja
Em Efésios 1:22 (NVI), Paulo diz que Deus designou Jesus "como cabeça de todas as coisas para a igreja."
A palavra grega para igreja é ekklesia. Em seu significado original, ekklesia denotava um grupo de cidadãos em uma cidade-estado (como Atenas) que era o governo coletivo da cidade. Quando aplicado aos cristãos, indica que em Seus atos redentores, Jesus exerce Sua autoridade por meio da igreja, que é Sua ekklesia.
Estar sujeito à autoridade de Cristo, portanto, significa estar corretamente relacionado com Sua igreja. Não podemos reivindicar a proteção da autoridade de Cristo sobre nós se não respeitarmos a autoridade que Ele investiu em Sua igreja.
Isto é claramente ilustrado na nomeação de Paulo como apóstolo. Em 1 Timóteo 1:1, Paulo chama a si mesmo de:
“(...) apóstolo de Jesus Cristo, segundo o mandado de Deus, nosso Salvador, e do Senhor Jesus Cristo, esperança nossa.”
A autoridade final do apostolado de Paulo foi uma decisão de Deus Pai e Deus Filho feita no céu. Mas, por definição, um “apóstolo” é “alguém enviado." O apostolado de Paulo, portanto, não se efetivou até que ele fosse “enviado” por uma igreja local em Antioquia.
Em Atos 13:1, Paulo (ainda chamado Saulo) é listado como um dos cinco homens descritos como “profetas e mestres." Então, em resposta à direção do Espírito Santo, os outros três homens lançaram as mãos sobre Barnabé e Saulo e os enviaram. Depois disso, os dois homens são chamados de apóstolos (ver Atos 14:4, 14). O apostolado de Paulo foi determinado no céu, mas só se tornou efetivo quando foi reconhecido e posto em prática por uma igreja local na terra.
Em mais de cinquenta anos de ministério mundial, sempre procurei reconhecer e respeitar a autoridade de Cristo operando por meio de uma igreja local. Primeiro Lydia e eu - e depois Ruth e eu - sempre nos identificamos com uma congregação local onde quer que fosse nosso local de residência. Quando saíamos em nossas viagens ministeriais, éramos oficialmente enviados por uma igreja local. Quando voltávamos, apresentávamos um relatório à igreja que nos enviara. Essa foi a prática estabelecida por Paulo e Barnabé em Atos 13:3 e 14:26–27.
Alguns cristãos estão procurando uma igreja perfeita. Devo reconhecer que em mais de cinquenta anos nunca encontrei uma igreja assim. Mas também tenho que reconhecer que, se algum dia encontrasse tal igreja, não poderia me afiliar a ela, porque depois que me afiliasse, ela não seria mais perfeita! Enquanto isso, sou grato por tudo de bom que recebi por meio de várias igrejas locais imperfeitas.
Membros de Um Só Corpo
Em Efésios 1:22–23, Paulo também apresenta uma segunda imagem do povo de Deus aqui na terra. Ele diz “da igreja, que é o seu corpo [o de Cristo]."
Em 1 Coríntios 12:27 (NVI), Paulo desenvolve este tema: “Ora, vocês são o corpo de Cristo, e cada um de vocês, individualmente, é membro desse corpo.” Ele usa vários exemplos do corpo físico para enfatizar que, como cristãos, somos todos interdependentes e todos precisamos uns dos outros.
A imagem mais completa e a que mais demonstra a autoridade da igreja como o corpo de Cristo é dada em Efésios. É muito significativo, portanto, que ao longo desta epístola Paulo consistentemente fale de cristãos no plural. Ele não tem nada a dizer para os cristãos ou sobre eles de modo individual.
Por exemplo, em Efésios 1:3–12, Paulo diz o seguinte:
Deus nos abençoou… Ele nos elegeu [escolheu]… Ele nos predestinou… Ele nos adotou [nos aceitou]… nEle temos a redenção… Ele nos revelou o mistério da Sua vontade… recebemos uma herança… devemos ser para o louvor da Sua glória.
Uma leitura cuidadosa do restante da epístola confirmará que esta é a sua mensagem do começo ao fim. Não há promessas nem orações a nível individual. Somente nos últimos seis versículos há uma breve exceção: Paulo encerra pedindo uma oração especial por si mesmo.
Esse foco no corpo coletivo de Cristo atinge seu clímax em Efésios 6:10-18, onde Paulo fala sobre nossa guerra espiritual. No versículo 12, todas as palavras-chave estão no plural—tanto aquelas que se referem ao povo de Deus quanto aquelas que se referem às forças opostas: nós lutamos contra principados… potestades… … autoridades…hostes [exércitos]…
A batalha espiritual assim descrita não é um conflito entre indivíduos, mas uma vasta guerra entre exércitos opostos. Não há espaço aqui para “cavaleiros solitários” perseguindo seus objetivos individuais. A vitória exigirá ação controlada e coordenada do povo de Deus trabalhando junto como membros de um só corpo. Isso exigirá disciplina e prontidão para se submeter à autoridade das escrituras.
Multiplicação da Iniquidade
Uma característica do fim da era atual sobre a qual Jesus advertiu Seus discípulos foi um aumento da iniquidade:
“E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará.” (Mateus 24:12)
Jesus indicou que muitos cristãos seriam infectados por essa iniquidade predominante e, como resultado, seu amor por Deus e pelos outros se esfriaria.
Em essência, iniquidade é a rejeição da autoridade. Isso se tornou uma característica óbvia de nossa cultura contemporânea. Há um desprezo generalizado por quaisquer regras ou regulamentos que interfiram na liberdade individual de cada pessoa. As pessoas são muito enérgicas em afirmar seus “direitos”, mas muito relutantes em reconhecer suas responsabilidades correspondentes. Às vezes, a consequência é uma condição que beira a anarquia. Como cristãos, devemos nos precaver contra esse tipo de atitude. Somos obrigados a mostrar nosso respeito pela autoridade secular legítima.
Mas antes de mais nada, devemos cultivar e manter uma atitude de respeito e obediência para com Deus, nosso Pai, e para com Jesus, nosso Salvador. Isso será expresso em uma atitude correspondente de respeito e obediência para com a Palavra de Deus, a Escritura.
Em João 14:23–24, Jesus disse:
“Se alguém me ama, guardará a minha palavra (...) Quem não me ama não guarda as minhas palavras.”
Podemos alegar amar a Deus e até fazer orações longas e eloquentes ou pregar sermões longos e eloquentes, mas, em último caso, a única maneira de honrar e obedecer a Deus é honrando e obedecendo à Sua Palavra. Em meio à iniquidade prevalecente, seria apropriado que cada um de nós fizesse uma nova afirmação de nossa submissão total e sem reservas à autoridade das Escrituras. “Toda a Escritura é inspirada por Deus.” (2 Timóteo 3:16) (NVI)
Nossos Relacionamentos Pessoais
Uma área principal na qual nossa submissão a Deus e Sua Palavra será testada é a de nossos relacionamentos pessoais. Jesus estabeleceu algumas regras muito rígidas.
A respeito de perdoar outras pessoas, por exemplo, Ele diz em Marcos 11:25–26:
“E, quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe as vossas ofensas. Mas, se vós não perdoardes, também vosso Pai, que está nos céus, vos não perdoará as vossas ofensas.”
Novamente, no final da oração padrão que Jesus ensinou a Seus discípulos em Mateus 6:9-13, Ele acrescentou:
“Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós. Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas.” (Mateus 6:14-15)
Precisamos sempre lembrar que perdoar outra pessoa não é uma expressão de emoção, mas um ato de autocontrole. Para isso, podemos depender do Espírito Santo, que é um Espírito “que nos dá poder, amor e autocontrole.” (Timóteo 1:7) (NVT)
O autocontrole também é necessário para produzir o tipo de atitude que Paulo descreve em Efésios 5:21: “sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus." Essa atitude de submissão mútua é a chave para relacionamentos corretos tanto no lar quanto na igreja.
Cristãos que se recusam a perdoar os outros ou a se submeter uns aos outros estão desafiando as Escrituras. A raiz do problema deles é a iniquidade. Eles se abriram para o espírito que prevalece no mundo ao seu redor. Isso inevitavelmente os tornará vulneráveis aos anjos maus, aqueles seus inimigos implacáveis que estão nos lugares celestiais.
Três Rígidas Exigências
Somos confrontados com três áreas nas quais a Escritura revela exigências claras e rígidas de Deus que se aplicam a todos os cristãos. A primeira é o respeito pela autoridade de Cristo operando em e através de cada igreja local. A segunda é o perdão incondicional para todos os que nos prejudicaram ou nos ofenderam. A terceira é uma atitude de submissão para com todos os nossos irmãos cristãos.
A obediência nessas três áreas fornece aos cristãos uma cobertura de autoridade bíblica que os protege dos ataques de anjos satânicos nos lugares celestiais. Por outro lado, a desobediência inevitavelmente torna os cristãos vulneráveis a tais ataques.
Esta carta foi escrita a partir de uma grande preocupação pessoal. Com base em muitos anos de experiência no corpo de Cristo, estou convencido de que as consequências da desobediência a esses três requisitos das Escrituras podem ser trágicas ao extremo. Acredito que esse seja um dos principais motivos pelos quais muitos bons e dedicados servos do Senhor acabaram sendo eliminados. Oro para que Deus conceda a todos nós um novo respeito pela autoridade de Cristo investida em Sua Igreja e que Ele renove em cada um de nós uma atitude de perdão e submissão.
Na minha próxima carta, tratarei das armas da nossa milícia.

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