Espírito, Alma e Corpo

Derek Prince
Published: 1996
Last Updated: செப்டம்பர் 2026
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Nossa harmonia interior depende de compreendermos os diferentes papéis do espírito, da alma e do corpo. Nesta carta de ensino, Paulo mostra como a salvação restaura a comunhão com Deus e convida os crentes a submeterem o corpo e a alma à vontade de Deus, libertando o espírito para a verdadeira adoração.
“E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.” (1 Tessalonicenses 5:23)
Paulo está orando para que esses cristãos sejam completamente santificados e ele especifica as três áreas da personalidade humana: espírito, alma e corpo.
A distinção entre esses três elementos de nossa personalidade é pouco compreendida pela maioria dos cristãos. No entanto, a Bíblia funciona como um espelho que nos revela a natureza, a inter-relação e a função de cada um desses elementos. A falha em usar este espelho corretamente nos expõe a muita frustração interior e desarmonia.
Na criação inicial do homem, Deus disse: "Façamos o homem à nossa imagem e conforme a nossa semelhança". A imagem refere-se à aparência externa do homem. De tal forma que não é verdade para nenhuma outra criatura, somente o homem reflete a aparência externa de Deus. Era apropriado, portanto, que quando o Filho de Deus viesse habitar na terra, fosse na forma de um homem e não na forma de um animal ou de alguma criatura celestial, como a de um serafim, por exemplo.
A semelhança refere-se à natureza interior do homem. As Escrituras se referem a Deus como um ser triúno: Pai, Filho e Espírito. Da mesma forma, revela o homem como um ser triúno, composto de espírito, alma e corpo.
O relato da criação do homem revela como sua natureza triúna surgiu: E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente.
O espírito do homem veio da inspiração de Deus. Seu corpo foi formado de barro, transformado em carne humana viva. Instantaneamente ele se tornou uma alma vivente.
A alma assim formada é o ego, a personalidade individual. Geralmente é definida como consistindo de três elementos: a vontade, o intelecto e as emoções. A alma é responsável por tomar as decisões pessoais e se expressa em três frases: eu quero, eu penso, eu sinto. A não ser quando é tocado pela graça sobrenatural de Deus, todo comportamento humano é controlado por essas três motivações.
O homem foi criado para ter comunhão pessoal com Deus, mas sua desobediência pecaminosa produziu efeitos desastrosos em todos os três elementos de sua personalidade.
Efeitos do Pecado
Cortado do contato com Deus, o espírito do homem morreu. Isso cumpriu a advertência de Deus: Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás, porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás. A morte física do corpo de Adão, no entanto, só ocorreu 900 anos mais tarde.
Ao exercer a sua própria vontade em desobediência direta a Deus, o homem tornou-se um rebelde em sua alma. Desde aquela época, toda pessoa descendente de Adão herdou a natureza de um rebelde.
Em Efésios 2:1-3, Paulo descreve os resultados da rebelião que afetaram cada um de nós:
“E (...) estando vós mortos em ofensas e pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também.”
Como resultado do pecado, todos nós estávamos mortos em nossos espíritos. Em nossas almas, todos nós estávamos em rebelião contra Deus. Nossos corpos também se tornaram sujeitos à corrupção, isto é, à doença, decadência e morte.
No entanto, o amor ilimitado de Deus é tal que Ele anseia continuamente pela restauração de Sua comunhão com o homem. Ele deseja zelosamente que Seu Espírito habite em nós. Além disso, por meio do sacrifício de Jesus na cruz, Deus abriu um caminho para a restauração daquela comunhão perdida.
Efeitos da Salvação
Em Efésios 2:4-5, Paulo continua descrevendo a operação da salvação em nossos espíritos:
“Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo.”
Nossos espíritos, estando reunidos com Deus, estão vivos mais uma vez. Ao mesmo tempo, nossas almas por meio do arrependimento e da fé são libertadas da rebelião e reconciliadas com Deus.
Porque se nós, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de Seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela Sua vida. E não apenas isso, mas também nos gloriamos em Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio de quem agora recebemos a reconciliação.
Quando percebemos que todos nós estivemos em rebelião contra Deus, entendemos por que não pode haver salvação genuína sem arrependimento. Arrependimento significa abandonar nossa rebelião e nos submeter ao governo justo de Deus.
A salvação também faz provisão para o corpo. Libertados da escravidão do pecado, nossos corpos se tornam templos nos quais habita o Espírito Santo e nossos membros se tornam instrumentos de justiça. Finalmente, na volta de Cristo, nossos corpos serão transformados em corpos imortais como o do próprio Cristo!
Requisitos para o Discipulado
Jesus incumbiu Seus apóstolos de fazer discípulos de todas as nações. Ele não disse a eles para ganharem membros para a igreja. O discipulado requer uma reação radical de cada área da personalidade: corpo, alma e espírito.
A exigência de nossos corpos é declarada em Romanos 12:1: Que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Da mesma forma que os israelitas, sob a antiga aliança, ofereciam, por completo, os animais que sacrificavam em seus altares, requer-se de nós que ofereçamos a Deus os nossos corpos, por completo, sobre o altar de sacrifício. Há, no entanto, uma diferença importante. Os israelitas matavam os animais que ofereciam a Deus. O corpo que oferecemos a Deus deve ser em sacrifício vivo.
No entanto, a partir desse momento, nossos corpos não nos pertencem mais. Eles são propriedade de Deus, templos de Deus. Somos meros mordomos encarregados de prestar contas a Deus pela maneira como cuidamos de Seu templo. Infelizmente, muitos cristãos hoje continuam a tratar seus corpos como se ainda os possuíssem e como se fossem livres para fazer o que quisessem com eles.
A respeito de nossas almas, Jesus declarou Sua exigência em Mateus 16:24-25:
“Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me. Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á.”
Nossa cruz é o ponto em que escolhemos morrer. Deus não nos impõe isso. Nós assumimos isso apenas por nossa própria vontade. É aqui que devemos negar nossa alma. Isso significa que dizemos Não às três exigências da alma: eu quero, eu penso, eu sinto. Desse momento em diante, não somos mais controlados por esses três motivos. Seu lugar é ocupado pela palavra de Deus e pela vontade de Deus. Ao obedecermos à palavra e à vontade de Deus, encontramos a nova vida que Jesus nos oferece. É somente através da morte que nossas almas podem encontrar esta nova vida.
Ao cumprirmos os requisitos do Senhor para nossos corpos e nossas almas, nossos espíritos são liberados para entrar em uma comunhão com Deus ainda mais maravilhosa do que aquela que foi perdida na queda. Em 1 Coríntios 6:15-17 (NVI), Paulo adverte os cristãos contra uma união sexual imoral com uma prostituta, porque isso significa tornar-se um só corpo com a prostituta. Então, em contraste direto, ele continua: "Mas aquele que se une ao Senhor é um espírito com Ele."
A implicação é clara. O espírito redimido pode agora desfrutar de uma união com Deus que é tão próxima e íntima quanto a união sexual com uma prostituta seria para o corpo. É somente o espírito que pode experimentar esta união íntima e direta com Deus. A alma e o corpo não podem fazê-lo.
É, principalmente, através do ato de adoração que nossos espíritos entram nesta união com Deus. Em João 4:23-24 Jesus disse:
“Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade (...). Deus é Espírito, e importa que [todos] os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.”
Ele deixou claro que a verdadeira adoração deve ser uma atividade de nossos espíritos.
Na igreja contemporânea há pouca compreensão da natureza da adoração, principalmente porque não discernimos a diferença entre o espírito e a alma. Adoração não é um tipo de entretenimento. Isso pertence ao teatro, não à igreja. Tampouco adoração é o mesmo que louvor. Louvamos a Deus com nossas almas, e é correto fazê-lo. Através do nosso louvor temos acesso à presença de Deus. Mas uma vez que estamos em Sua presença, é por meio da adoração que desfrutamos da verdadeira união espiritual com Ele.
Ser capaz de adorar a Deus dessa maneira é o objetivo da salvação, primeiro na terra e depois no céu. É a atividade mais elevada e sagrada de que um ser humano é capaz. Só é possível, porém, quando a alma e o corpo se submetem ao espírito e se harmonizam com ele. Tal adoração é muitas vezes profunda demais para se pôr em palavras. Ela se torna uma união intensa e silenciosa com Deus.

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