Você é Espiritual ou Anímico?

Derek Prince
Published: 2018
Last Updated: October 2026
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A vida espiritual depende da submissão do espírito a Deus, que orienta a alma, em vez de a vontade, o intelecto e as emoções da alma assumirem o controle. As Escrituras distinguem a vida orientada pelo Espírito da vida anímica (orientada pela alma) e exortam os crentes a usar a Palavra de Deus e o discernimento adquirido para combater a confusão e a influência demoníaca.
Depois de muitos anos ministrando a milhares de pessoas magoadas em todo o mundo, cheguei a esta surpreendente conclusão: Nosso problema básico como seres humanos é que não percebemos o quanto somos valiosos. Estou convencido de que Deus quer que saibamos quem somos e quão preciosos somos para Ele. Se você, como tantos cristãos, está lutando com sua identidade e destino, espero que esta série de Cartas de Ensino com o tema “Nosso Valor, Nosso Custo” seja uma fonte de ajuda e cura para você. Começamos esta série voltando ao início da criação do homem. Vimos que a criação, como um todo, veio à existência pela palavra de Deus. A criação de Adão, no entanto, foi exclusivamente diferente.
“E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gênesis 2:7).
Vimos também como as Escrituras revelam as três áreas que compõem a personalidade humana total: espírito, alma e corpo. Nesta carta, ao examinarmos como Deus planejou que cada aspecto de nossa personalidade funcionasse, vamos nos concentrar em uma questão específica: o relacionamento entre nosso espírito e nossa alma.
O Padrão Original
No padrão original da criação, o espírito do homem veio diretamente de Deus, relacionando-se diretamente com Deus e desfrutando de um relacionamento perfeito e ordenado com Deus. Deus moveu o espírito do homem; o espírito do homem moveu-se sobre sua alma; e sua alma direcionou seu corpo. Através dos efeitos devastadores da rebelião do homem, no entanto, seu espírito ficou corrompido e sua alma assumiu o controle. Como resultado, o homem não regenerado passa a ser controlado pelas três funções de sua alma: a vontade, o intelecto e as emoções.
Quando uma pessoa é reconciliada com Deus, o propósito divino é restaurar a ordem original, pela qual Ele poderá se relacionar de novo diretamente com o espírito da pessoa. Nesse caso, o espírito da pessoa terá domínio sobre a sua alma, e a sua alma terá domínio sobre o seu corpo.
Isso explica as palavras de Davi no Salmo 103:1:
“Bendize, ó minha alma, ao Senhor.”
Pela fé, o espírito de Davi se reuniu com Deus e estava ansioso para adorá-Lo. Então seu espírito despertou sua alma para mover seus órgãos vocais e proferir as palavras apropriadas de adoração. Este é um bom exemplo do padrão original da criação em ação na vida de Davi: o espírito direciona a alma e a alma direciona o corpo.
Harmonia versus Tensão
Enquanto este padrão estiver em vigor, onde nosso espírito permanece em submissão a Deus e nossa alma permanece em submissão ao nosso espírito, funcionamos em harmonia com Deus e conosco. Mas se a qualquer momento reafirmamos nossa rebelião contra Deus, nossa alma não está mais em submissão ao nosso espírito. O resultado? Nossa harmonia interior é quebrada. Todos nós enfrentamos essa tensão constante entre o espírito e a alma.
O grego do Novo Testamento tem um adjetivo especial, formado diretamente da palavra grega para alma, psuche, que descreve a ação iniciada pela alma. O adjetivo é "psuchikos". A maneira lógica de traduzir isso em português seria “anímico”, mas infelizmente essa palavra não é comumente usada na nossa língua.
Consequentemente, nas traduções para o português do Novo Testamento foram usadas uma variedade de palavras e frases diferentes: natural, sensual, mundano, não espiritual, de mente carnal, seguidor da própria alma e seguidor do instinto natural. No geral, é difícil para uma pessoa entender que essas sete palavras ou frases traduzem uma mesma palavra em grego: psuchikos (“anímico”)
Por uma questão de clareza, ao longo desta carta usarei a palavra anímico.
Isso vai enfatizar, no Novo Testamento, a oposição entre aquilo que é espiritual e o que é próprio ou característico da alma, o anímico.
Um Corpo Espiritual
Em 1 Coríntios 15:44–46, Paulo usa essa palavra três vezes para apontar a diferença entre nosso corpo atual, que é natural (anímico), e nosso corpo ressurreto, que será espiritual. Um corpo anímico é aquele sobre o qual o espírito tem que se mover através da alma. Um corpo espiritual seria aquele em que o espírito se move diretamente sobre o corpo, sem ter que trabalhar através da alma.
Por exemplo, os querubins descritos no capítulo 1 de Ezequiel aparentemente têm corpos espirituais.
“E cada qual andava para adiante de si; para onde o espírito havia de ir, iam; não se viravam quando andavam.” (versículo 12)
E novamente, mais abaixo no mesmo capítulo:
“Para onde o espírito queria ir, eles iam; para onde o espírito tinha de ir.” (versículo 20)
Aparentemente, esse é o tipo de corpo que os crentes terão após a ressurreição. Nosso espírito não terá mais que incitar nossa alma a direcionar nosso corpo para dar a resposta apropriada. Nosso corpo responderá diretamente à decisão de nosso espírito. Seremos como os querubins de Ezequiel: iremos diretamente, sem nos voltarmos, para onde nosso espírito deseja ir. Que liberdade gloriosa!
Um Corpo “Anímico”
Há três outras passagens no Novo Testamento onde a oposição entre o espiritual e o anímico é mais claramente expressa. Em 1 Coríntios 2:14-15, Paulo diz:
“Ora, o homem natural [anímico] não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido”.
Para entender os assuntos espirituais, a alma depende do espírito. Se a alma está em desarmonia com o espírito, o reino da verdade espiritual está fechado para ela. Você consegue enxergar como é importante que abordemos a verdade com a atitude certa? É crucial que nossa alma esteja submissa ao nosso espírito e que nosso espírito esteja em união com Deus.
O que acontece quando os cristãos se tornam anímicos? Em sua epístola Judas fala sobre pessoas na igreja que “são murmuradores, queixosos, andando segundo suas próprias concupiscências (...) pessoas sensuais [anímicas], que causam divisões, não tendo o Espírito [Santo].” (Judas 1:16,19)
Quando a alma de um cristão não se submete a Deus por meio de seu espírito, ele se torna um canal pelo qual todo tipo de carnalidade e divisão pode se infiltrar na igreja. Esta é a verdadeira e principal causa das divisões no Corpo de Cristo.
O Deslizamento Descendente
Mas não para por aí. Em Tiago 3:15 (NVI), o apóstolo fala sobre uma forma de sabedoria que não vem do céu, mas é terrena, não é espiritual [anímica] e é demoníaca. Tiago descreve um deslizamento descendente em três estágios sucessivos: do terreno ao anímico e do anímico ao demoníaco.
Quando os cristãos se tornam terrenos, eles perdem a visão da eternidade. Eles não podem ver além dos assuntos desta vida: sucesso, prazer, saúde e riqueza. Eles só estão interessados no que sua fé fará por eles nesta vida!
A respeito de tais pessoas, Paulo diz: “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.” (1 Coríntios 15:19). Cristãos assim geralmente se consideram prósperos e bem-sucedidos. Mas o que Deus pensa? Ele os considera dignos de pena.
Depois do terreno, o próximo estágio na descida é anímico. Ser anímico é ser egocêntrico — aquele que só pensa em si mesmo. Para essas pessoas, a fé cristã é uma maneira de conseguir o que querem da vida. Eles supõem que “a piedade é fonte de lucro” (1 Timóteo 6:5) (NVI).
O estágio anímico abre caminho para o demoníaco. Esta é uma das principais maneiras pelas quais os demônios se infiltram na igreja. Muitas vezes se faz a pergunta: será que os cristãos precisam de libertação de demônios? As palavras de Tiago fornecem uma resposta clara. Este deslize do terreno para o anímico e depois para o demoníaco, expõe tanto os crentes individuais quanto congregações inteiras às atividades dos demônios.
Cultivando o Discernimento
Em muitos lugares hoje, a igreja virou uma mistura do bem com o mal. Não há nenhuma linha clara separando o espiritual do anímico e, portanto, não há barreira para o demoníaco. Manifestações genuínas do Espírito Santo são intercaladas com manifestações claramente demoníacas. Como resultado, muitos crentes sinceros ficam confusos e assombrados.
Para nos proteger, devemos cultivar o discernimento bíblico. Devemos aprender a distinguir entre o que é verdadeiramente espiritual e o que é anímico. Existe apenas um instrumento afiado o suficiente para fazer isso: a Palavra de Deus.
“Pois a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais afiada que qualquer espada de dois gumes; ela penetra ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e intenções do coração.” (Hebreus 4:12) (NVI)
Duas Condições
Mais adiante, em Hebreus 5:14, o escritor afirma duas condições que devemos cumprir para exercer esse tipo de discernimento:
“Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal.”
A primeira condição é que devemos nos alimentar regularmente de alimento espiritual sólido por meio do estudo de toda a Bíblia. A segunda condição é que devemos praticar regularmente o discernimento das coisas. Devemos estar continuamente alertas, reconhecendo as forças espirituais que encontramos em todas as situações. O discernimento deve fazer parte de nossa vida cristã tanto quanto a oração.
Finalmente, obedeçamos à exortação de Paulo em 1 Coríntios 16:13–14:
“Estejam vigilantes, mantenham-se firmes na fé, sejam homens de coragem, sejam fortes. Façam tudo com amor.”
E Você?
Ao ler essas palavras, você está percebendo que seu espírito precisa ser fortalecido para governar sua alma? Você quer ser mais como o rei Davi, que regularmente exortava sua alma a louvar a Deus? Se você tem o mesmo desejo, vamos cobrir isso em oração agora.
Prayer Response
Querido Senhor, quero ser a melhor versão de quem Tu tinhas em mente quando me criou. Comprometo-me agora a ser mais vigilante em meus pensamentos e orações. Quero ouvir e obedecer a Tua voz.
Peço humildemente por Tua graça - para alinhar meu espírito, alma e corpo de acordo com o Teu desígnio para mim. Eu quero ser espiritual, e não, anímico. Quero Te amar e Te seguir. Em Nome de Jesus. Amém.

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