Para Agradar Meu Pai

Derek Prince
Published: 2017
Last Updated: October 2026
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Jesus revela Deus como Pai, levando os crentes além da doutrina para um relacionamento pessoal com Ele. Derek Prince compartilha como conhecer o Pai proporciona identidade, segurança, um lar celestial e um motivo para servir, livre de ambição egoísta.
Os cristãos, no geral, adoram citar as palavras de Jesus em João 14:6: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim”. No entanto, acredito que a grande maioria se agarra só à primeira metade deste versículo. Um caminho só tem sentido quando leva a um destino. Jesus é o caminho, mas o Pai é o destino.
A Revelação do Pai
Em Sua oração sacerdotal em João 17:6, Jesus disse ao Pai: “Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste”. O povo judeu havia ouvido o nome Jeová (ou Javé) por quatorze séculos. Jesus, agora, manifestava um outro nome em sua oração: "Pai.”
O que significa o fato de Jesus manifestar esse nome aos Seus discípulos? Enquanto O observavam, vivendo Sua vida diante deles como um Filho de Deus, eles começaram a entender o que significava ter um relacionamento pessoal com Deus como Pai. Isso era algo que nunca havia sido revelado abertamente ao povo judeu sob a antiga aliança.
Jesus enfatizou que somente Ele pode revelar o Pai. “Todas as coisas me foram entregues por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mateus 11:27). João também disse: “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou.” (João 1:18). Para que o Pai nos seja revelado, cada um de nós depende da graça que nos vem somente por meio de Jesus.
O escritor de Hebreus faz uma distinção entre a mensagem dos profetas do Antigo Testamento e a de Jesus:
“Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho.” (Hebreus 1:1)
Literalmente, o grego não diz pelo (por+ o) Filho, mas diz por um Filho. A mensagem de Deus no Novo Testamento diferia de Sua mensagem no Antigo Testamento — não apenas no conteúdo, mas também no canal pelo qual veio. No Antigo Testamento, Deus falava através de profetas; no Novo Testamento, Ele fala por meio de um Filho. Somente Jesus como um Filho poderia revelar Deus como Pai.
Uma Revelação Pessoal
Minha compreensão de Deus como Pai foi revolucionada por uma experiência pessoal no início de 1996. Ruth e eu estávamos sentados na cama certa manhã, orando juntos como normalmente fazemos. De repente, percebi uma força poderosa em ação em meus pés e na parte inferior das pernas. Moveu-se para cima, até que todo o meu corpo foi sacudido com força por ele. (Ruth me disse mais tarde que a pele do meu rosto mudou para vermelho escuro.)
Ao mesmo tempo, percebi um braço estendido em direção à minha cabeça, tentando pressionar sobre mim algo como um gorro preto. Por alguns momentos houve um conflito entre essas duas forças. Então o poder em ação em meu corpo prevaleceu, e o braço com o gorro foi dissipado à força - e desapareceu.
Imediatamente, sem nenhum processo mental de raciocínio, soube que poderia chamar Deus de meu Pai. Eu havia usado a expressão “nosso Pai” por mais de cinquenta anos. Em termos de doutrina, eu sempre fui claro sobre essa verdade. Eu até preguei uma série de três mensagens sobre “Conhecer a Deus como Pai”. Mas o que recebi naquele momento foi uma revelação direta e pessoal.
Deixe-me compartilhar com vocês minha interpretação dessa experiência. Nasci na Índia e passei os primeiros cinco anos da minha vida lá. Vinte anos depois, após ter sido salvo e batizado no Espírito Santo, percebi uma sombra negra da Índia que sempre pairava sobre mim. Por fim, entendi que era um dos numerosos “deuses” da Índia que havia me seguido ao longo da vida, procurando me possuir.
Havia uma maneira particular de esse “deus” me oprimir. Todas as manhãs eu acordava com um pressentimento sombrio de algo maligno me esperando. Nunca foi nada preciso, apenas uma escuridão amorfa. Esse mal desconhecido nunca aconteceu, mas todos os dias o pressentimento estava lá.
Depois que fui batizado no Espírito, o pressentimento diminuiu de intensidade, mas nunca desapareceu completamente. Descobri, entretanto, que se eu decidisse louvar e adorar o Senhor, o mau pressentimento se dissipava de mim. No entanto, sempre voltava na manhã seguinte!
No dia em que aquele gorro preto foi retirado, o pressentimento desapareceu - para nunca mais voltar! E a partir daquela manhã, tornou-se completamente natural para mim chamar Deus de “Pai” ou “meu Pai”. Agora eu tinha um relacionamento pessoal, não apenas uma posição teológica!
Esse novo relacionamento me deu uma nova compreensão de quatro verdades das escrituras sobre a paternidade.
O Pai É A Fonte de Nossa Identidade Pessoal
Em toda a Bíblia, uma pessoa é sempre identificada como filho – ou filha – de certo homem. Isso também é expresso em muitos nomes de famílias inglesas, como Williamson (filho ou “son” de William), Jackson, Thompson. Em cada caso, a identidade de uma pessoa é derivada de um pai.
O colapso da família em muitas nações hoje produziu o que ficou conhecido como “geração X”. O X representa uma quantidade desconhecida, mas nesse caso, representa um pai desconhecido. Muitos jovens desta triste geração não têm um relacionamento significativo com o pai. Consequentemente, eles têm uma crise de identidade. Eles não sabem quem são. O clamor de seus corações é por um pai, mas, muitas vezes, eles não conseguem colocar isso em palavras.
Acredito que se a igreja cristã hoje puder comunicar com eficácia a realidade de Deus como Pai, multidões de jovens correriam para os braços do Pai. Podemos fazer isso da mesma forma que Jesus “manifestou” o nome do Pai aos Seus discípulos: demonstrando em nossa vida diária a realidade de nosso próprio relacionamento pessoal com o Pai.
O Pai Nos Garante Que Temos Um Lar No Céu
Desde que fui salvo, acreditei que, se continuasse fiel ao Senhor, iria para o céu quando morresse. Mas nunca pensei no céu como meu lar. Depois que aquele braço com o gorro preto foi retirado, no entanto, tornou-se natural ver o céu como meu lar. Pouco depois eu disse a Ruth: “Quando eu morrer, se você quiser me dar uma lápide, basta escrever três palavras: “Foi para casa.”
Comecei a pensar no pobre mendigo que jazia à porta do homem rico. Quando morreu, ele “foi levado pelos anjos ao seio de Abraão” (Lucas 16:22). Certamente um anjo teria sido suficiente para carregar aquela forma esquelética, mas Deus enviou uma escolta de anjos! O mendigo recebeu uma recepção real no seio de Abraão. Acredito que assim deve ser para todo filho de Deus — uma escolta de anjos pronta para nos levar ao nosso lar eterno.
Certa vez, Ruth e eu conhecemos uma preciosa irmã havaiana (vamos chamá-la de Maria) que serviu fielmente ao Senhor por muitos anos. Ela costumava dizer a seus amigos: “Eu nunca vi um anjo. Eu adoraria ver um!”
Enquanto Maria estava de cama por causa do câncer, sua igreja sempre providenciava uma irmã cristã para ficar ao seu lado. Um dia, o rosto de Maria ficou radiante com a glória de Deus. Ela estendeu os braços e disse para a irmã: "Eu os vejo - vejo os anjos!" Então ela se foi! Sua escolta angelical a levou para casa.
Certa vez, John Wesley recebeu a notícia de que uma irmã metodista que ele conhecia havia morrido. Ele respondeu: "Ela foi em glória - ou apenas em paz?" Acredito que todo filho de Deus deve ir para casa na glória - com uma escolta de anjos.
O Pai Oferece Segurança Total
Imagine uma criança nos braços do pai, com o rosto pressionado contra o ombro dele. Pode haver grande confusão e angústia por toda parte. O mundo pode parecer estar desmoronando.
Mas a criança está totalmente em paz, despreocupada com o que está acontecendo ao seu redor. Ela se sente segura nos braços de seu pai.
Nós também estamos nos braços de nosso Pai. Jesus nos assegurou que nosso Pai é maior do que tudo o que pode nos cercar. Ele disse: “Ninguém as pode arrancar da mão de meu Pai” (João 10:29) (NVI).
Aos Seus discípulos, Jesus também deu esta garantia: “Não temais, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino.” (Lucas 12:32). Podemos ser apenas um pequeno rebanho, cercado por animais selvagens de todos os tipos. Mas se nosso Pai se comprometeu a nos dar o reino, não há poder no universo que vai tirá-lo de nós.
O Pai Fornece Motivação Para o Serviço
Em Filipenses 2:3, Paulo nos adverte como servos do Senhor:
“Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo.”
Ao longo dos anos, observei que um problema persistente e generalizado na Igreja é a ambição pessoal e a competição com outros ministros. Deixe-me acrescentar que cuidei de observar isso, antes de mais nada, em minha própria vida.
Muitas vezes cometemos o erro de igualar segurança com sucesso. Se eu construir a maior igreja, ou realizar a maior reunião, ou conseguir o maior número de nomes em minha lista de endereços, estarei seguro. Mas isso é uma ilusão. Na verdade, quanto mais almejamos o sucesso pessoal, menos seguros nos tornamos. Somos continuamente ameaçados pela possibilidade de que alguém possa construir uma igreja maior, ou realizar uma reunião maior, ou colocar mais nomes em sua lista de endereços.
Quanto a mim, encontrei meu padrão perfeito em Jesus, que disse: “E aquele que me enviou está comigo. O Pai não me tem deixado só, porque eu faço sempre o que lhe agrada” (João 8:29). Não sou mais motivado por ambição pessoal. Eu descobri um motivo mais doce e puro: simplesmente para agradar meu Pai.
Estou me treinando para abordar cada situação ou cada decisão com uma única e simples pergunta: Como posso agradar meu Pai? Em momentos de frustração ou aparente fracasso, procuro desviar meu foco de tentar resolver o problema e, ao invés disso, procurar manter uma atitude que agrade a meu Pai. Como servos de Cristo, não há competição entre nós se formos motivados por este simples desejo de agradar nosso Pai. A harmonia e a preocupação mútua substituem o esforço e a busca egoísta.
Ao ler esta carta, você deve ter percebido que também anseia por um relacionamento mais próximo e íntimo com Deus como seu Pai. Mas talvez haja uma barreira satânica - como o gorro preto no meu caso - que se interpõe entre você e o Pai.
Lembre-se de que Jesus é o único que pode revelar o Pai a você. Peça a Ele para remover qualquer barreira que possa haver em sua vida e que lhe dê uma revelação pessoal direta do Pai. Depois disso, apenas confie Nele e espere que Ele lhe conceda — à Sua própria maneira e no Seu próprio tempo — a revelação que você pediu.

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