Defesa Contra o Desânimo

Derek Prince
Published: 2011
Last Updated: October 2026
Read Time: 13
O desânimo é um ataque espiritual, não uma prova de que há algo de errado na caminhada do crente com Deus. As Escrituras apresentam a fé que se manifesta por meio do amor como proteção para o coração, e a fé na Palavra imutável de Deus como um escudo contra o desânimo.
A primeira vez que ouvi Billy Graham falar foi em Londres, em 1954. Eu nunca me esqueci do que ele disse naquele culto. Ele disse: “Deus nunca usa um cristão desanimado”. Pensei bem e concluí que aquilo não era justo. O desânimo era definitivamente um problema que eu mesmo enfrentava naquela época, e achei que não era muito legal da parte dele dizer aquilo.
O exemplo que ele deu foi sobre Gideão sentado atrás do lagar, malhando o trigo e escondendo-se em total desânimo. O anjo veio a Gideão com uma declaração inesperada: “O Senhor é contigo, homem valoroso”, (Juízes 6:12). Gideão, certamente, olhou em volta para ver com quem o anjo estava falando, já que ele estava apavorado de medo dos midianitas. O Senhor teve que mudar a imagem que Gideão tinha de si mesmo antes de poder fazer qualquer coisa através dele.
O mesmo se aplica a nós. Se não pudermos olhar para nós mesmos através dos olhos da fé, então dificilmente seremos usados no serviço de Deus. Uma imagem distorcida e negativa de nós mesmos frustrará tudo o que Deus deseja fazer por nós, a menos que vejamos as coisas sob uma luz diferente. Basicamente, quero falar com você sobre a resposta das Escrituras ao desânimo e como lidar com esse tipo de ataque espiritual.
O Equipamento Necessário
No sexto capítulo de Efésios estão listados seis itens usados como equipamento militar: o cinto da verdade, a couraça da justiça, os calçados do evangelho da paz, o escudo da fé, o capacete da salvação e a espada do Espírito. Todos esses elementos não são apenas nomes sofisticados ou sutilezas teológicas. São realidades muito práticas às quais cada um de nós precisa se agarrar. Quero considerar apenas dois desses seis itens e dar a você alguns ensinamentos práticos específicos das Escrituras sobre como resistir ao ataque do desânimo espiritual.
“Pois a nossa luta não é contra seres humanos, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais. Por isso, vistam toda a armadura de Deus, para que possam resistir no dia mau e permanecer inabaláveis, depois de terem feito tudo. Assim, mantenham-se firmes, cingindo-se com o cinto da verdade, vestindo a couraça da justiça e tendo os pés calçados com a prontidão do evangelho da paz. Além disso, usem o escudo da fé, com o qual vocês poderão apagar todas as setas inflamadas do Maligno. Usem o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus.” (Efésios 6:12–17 NVI)
Com base em meus estudos e em inúmeras traduções modernas, acredito que o primeiro versículo acima poderia ser lido com mais precisão desta forma: “Pois nossa luta não é contra pessoas com corpos”. Isso é muito impressionante. Em outras palavras, não estamos lutando contra seres humanos. Sua sogra não é o problema, nem mesmo algum ditador como Stalin ou Hitler.
Nossa luta não é contra pessoas com corpos, mas contra governantes que têm domínios de autoridade, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais.
Coloque sua Armadura
Estamos envolvidos num conflito total e absoluto com pessoas espirituais invisíveis que têm um poder tremendo, que são altamente organizadas e que se opõem totalmente a nós e a tudo o que representa Deus e o povo de Deus. Seu quartel-general está nos lugares celestiais, e eles exercem todo tipo de pressão espiritual contra nós a fim de nos derrubar. Como conclusão lógica desse fato, Paulo diz no versículo 13 (NVI), “Por isso, vistam toda a armadura de Deus, para que possam resistir no dia mau e permanecer inabaláveis”. Essa é uma conclusão muito lógica e prática.
Eu não recomendaria que alguém se envolvesse numa guerra espiritual ou na construção do Reino de Deus sem que primeiro vestisse a armadura. Por quê? Porque quando você ataca o diabo, acredite, ele vai revidar, pois ele não joga de acordo com as regras.
“Por isso, vistam toda a armadura de Deus, para que possam resistir no dia mau e permanecer inabaláveis.” (Efésios 6:13 NVI)
Observe que Paulo pressupõe que o dia mau está chegando. Não acredito que isto se refira à Grande Tribulação. Isso significa que cada cristão passará por seu próprio dia mau. Quando Jesus contou a parábola dos dois homens que construíram suas casas, um na rocha e outro na areia (Mateus 7:24–27), Ele não disse: “Se vierem o vento e a chuva”. Ele disse: “E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos.” As duas casas foram igualmente submetidas ao mesmo teste.
Quando Jesus contou a parábola do semeador, Ele disse: “Quando surge alguma tribulação ou perseguição” (Mateus 13:21 NVI). Ele não disse “se”. Ele tinha como certo que a perseguição viria. Todo cristão terá que passar pelo dia mau, quando terá que enfrentar aflições e perseguições. Como Paulo disse em Atos 14:22: “Pois que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus.” Não há outra maneira.
Então, antes de tudo, precisamos ter isso firmemente fixado em nossas mentes. Lembre-se de que não significa que algo está errado quando estivermos no dia mau, sob tremenda pressão. Não significa que estamos fora da vontade de Deus. Pelo contrário, é provavelmente uma boa indicação de que estamos a caminho do Reino de Deus.
Dos seis itens dos equipamentos listados por Paulo, quero destacar apenas dois: a couraça e o escudo. Os outros quatro são necessários, mas, para efeitos desta carta, quero concentrar-me nos dois que mencionei. Desejo explorar de uma forma muito prática – principalmente a partir da experiência pessoal – o uso da couraça e do escudo.
A Couraça
Para começar, vamos observar que em Efésio 6 há um verso paralelo com 1 Tessalonicenses 5:
“Mas nós, que somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e do amor, e tendo por capacete a esperança da salvação.” (Tessalonicenses 5:8)
Efésios 6:14 diz, a couraça da justiça, mas 1 Tessalonicenses 5:8 nos mostra mais especificamente o que é essa justiça. Não é a justiça do esforço próprio ou das boas obras, mas a justiça da fé que opera pelo amor. (A propósito, esse tema da fé é o mais importante dentre os ítens utilizados como equipamento militar e também os mais importantes para proteger os órgãos vitais do corpo humano).
Que órgão vital do corpo a couraça protege? O coração. A proteção do coração é o propósito da couraça da justiça por meio da fé, a qual opera pelo amor. Tenha em mente que a fé bíblica está sempre no coração, não na mente. Por exemplo, Romanos 10:10 diz: “Porque com o coração se crê para a justiça”. A verdadeira fé não consiste apenas de conceitos intelectuais, nem de teologia, nem de doutrina. É a fé do coração que trabalha em conjunto com algo muito importante: o amor.
A esse respeito, veja Gálatas 5:6:
“Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão tem valor algum; mas sim a fé que opera pelo amor.”
Essa é uma afirmação simples, mas profunda. Precisamos nos lembrar constantemente de que a única coisa que realmente importa em toda a vida cristã é a fé que opera pelo amor. Podemos ser sofisticados e termos respostas para todos os tipos de questões teológicas e ainda assim não entender a realidade principal: que é a fé no coração atuando pelo amor. Sem isso, você não atinge o propósito da vida cristã.
A couraça que protege o coração é a fé que opera por meio do amor. Quando a couraça é removida, nosso órgão vital mais delicado, o coração, fica exposto.
A respeito da natureza da fé, precisamos ver que ela sempre se relaciona com o invisível, nunca com o visível. O verso de 2 Coríntios 5:7 afirma de forma muito simples: “Porque andamos por fé, e não por vista”. Andar significa “viver”. Toda a nossa vida como cristãos não se baseia naquilo que vemos, mas no que cremos. Precisamos viver pela fé, não por vista e dessa maneira, esses dois se tornam opostos um ao outro. Se seguimos o que vemos, não seguiremos aquilo que cremos.
Toda essa questão foi o primeiro erro que a humanidade cometeu. Quando a serpente no Jardim do Éden questionou a palavra de Deus, e Eva começou a considerar o que foi dito pela serpente, ela foi derrotada. Gênesis 3:6 nos mostra o motivo que fez Eva errar: “E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer”. A palavra-chave aqui é “viu”. Eva deixou de ter fé na palavra invisível para confiar na sua visão e no momento seguinte, ela foi derrotada. Este mesmo princípio se aplica a nós. Quando seguimos o que vemos, somos incapazes de competir com Satanás. Devemos andar por fé e não por vista.
A couraça que protege nosso coração é a fé no Deus invisível e em Sua palavra, e essa fé opera pelo amor. No momento em que abandonamos essa fé, deixamos de ser verdadeiramente amorosos. Algumas pessoas dizem: “O amor é mais importante que a fé”. Pode ser, mas a única maneira de amar é pela fé. Como a fé atua por meio do amor, não é de admirar que fiquemos irritados, frustrados, impacientes e briguemos com nosso cônjuge no momento em que tiramos a couraça. A nossa fé, que é a única coisa que produz amor, desapareceu. Consequentemente, surge o velho eu com todos os seus caprichos e comportamentos desagradáveis. Mas qual é o problema básico? A couraça foi removida.
O Escudo da Fé
Se a couraça protege o coração, o escudo protege a pessoa inteira. Na era romana, se você soubesse manipular um escudo, nenhuma parte do seu corpo poderia ser atingida com um dardo inflamado. Da mesma forma, o escudo da fé protege a pessoa inteira.
Às vezes entendemos mal a fé, pensando nela como algo que devemos fazer conscientemente o tempo todo. “Devo exercitar meus músculos espirituais e crer.” Mas a fé não é tanto uma ação, mas uma atitude de confiança em Deus.
Minha falecida esposa Lydia costumava dar o exemplo de um garotinho aninhado nos braços do pai. O garotinho segurava com força as lapelas do casaco do pai para não cair, mas depois de um tempo ficava com sono e cochilava. Suas mãos relaxavam, mas seu pai ainda o segurava. O esforço do menino para segurar as lapelas era realmente desnecessário. Isso ilustra nossa relação com Deus. Podemos nos agarrar a ele, mas mesmo quando relaxamos, Deus ainda está nos segurando.
Em certo sentido, podemos relaxar. A fé não é um esforço contínuo de se agarrar a Deus para que Ele não fuja. Em vez disso, é uma atitude de apenas saber que Deus está ali, nos envolvendo com Seus braços eternos. Sua fé é afirmada com essa atitude.
Você deve ter ouvido falar de um ensinamento muito familiar com três elementos. São eles: Fato, Fé e Sentimento, nessa ordem. Os fatos estão na Bíblia, a fé afirma esses fatos e seus sentimentos cuidam de si mesmos. Se confiarmos nos nossos sentimentos, seremos tão instáveis quanto eles. Os fatos nunca mudam; os sentimentos variam de momento a momento.
Não podemos nos dar ao luxo de basear nossa fé em nossos sentimentos. Baseie sua fé nos fatos da Palavra de Deus, que nunca mudam. Eles são os mesmos, hora após hora, dia após dia, ano após ano. Acreditar nisso requer uma decisão mental. Smith Wigglesworth disse uma vez: “Nunca ando pelo que sinto; somente por aquilo que acredito”.
A única fonte de fatos permanente, imutável e válida é a Bíblia. A fé diz: “A Bíblia é verdadeira e eu acredito nela. Deus está aqui. Ele não vai me deixar. Meus sentimentos podem cuidar de si mesmos”. Se você tiver essa atitude, seus sentimentos estarão de acordo com os fatos. Mas se você considerar seus sentimentos, nunca chegará aos fatos. É prioridade absoluta que você tenha uma atitude de fé que comece com os fatos da Palavra de Deus.
Conhecer os Fatos
Para fazer isso, você precisa conhecer os fatos. Você tem que estar ciente do que as Escrituras dizem.
Por exemplo, o fato da nossa redenção. A palavra redimir significa “comprar de volta”. As Escrituras dizem que fomos vendidos sob o pecado no mercado de escravos de Satanás, mas Jesus nos redimiu, ou nos comprou de volta, do mercado de escravos de Satanás com Seu precioso sangue. Onde se afirma esse fato? O Salmo 107, versículo 2, diz: “Assim o digam os que o Senhor resgatou, os que livrou das mãos do adversário” (NVI). O Senhor nos livrou para que não estejamos mais nas mãos do inimigo, mas nas mãos do Senhor.
Então considere Colossenses 1:12–14 (NVI):
“Dando graças ao Pai, que nos tornou dignos de participar da herança dos santos no reino da luz. Pois ele nos resgatou do domínio das trevas e nos transportou para o Reino do seu Filho amado, em quem temos a redenção, a saber, o perdão dos pecados.”
É um fato que Deus nos libertou do poder das trevas – o reino de Satanás – e nos transportou para o Reino de Cristo. Assim, temos redenção e nossos pecados são perdoados. Não estamos mais no território de Satanás nem estamos sob a sua autoridade. Os incrédulos, os que rejeitam a Cristo, os rebeldes e os desobedientes estão sob a autoridade legítima de Satanás. Mas nós não estamos.
O fato é que quando nos arrependemos e nos rendemos a Jesus Cristo e O tornamos Senhor, fomos transladados e transportados – espírito, alma e corpo – do reino de Satanás para o Reino de Cristo.
Isso são fatos. Acreditamos em fatos do reino invisível da Palavra de Deus porque não nos guiamos mais pelos nossos sentimentos. Esse escudo da fé cobre todas as áreas de nossas vidas. Nenhum dardo inflamado pode passar por ele.
Podemos ver, então, que Deus nos proporcionou uma defesa eficaz para quando o inimigo tentar nos desencorajar. Quando nos lembrarmos de colocar diariamente esses aparatos da armadura como defesa (a couraça e o escudo) contra os ataques que certamente virão e colocarmos os outros quatro itens também (cinto da verdade, pés calçados com a prontidão do evangelho, capacete da salvação e a espada do Espírito), veremos que Deus é fiel em fortalecer nossa fé e esperança, capacitando-nos a permanecer vitoriosos em Seu Espírito.

ទាញយកដោយឥតគិតថ្លៃ
សេចក្តីបង្រៀននេះអាចទាញយក បោះពុម្ព និងចែករំលែកសម្រាប់ការប្រើប្រាស់ផ្ទាល់ខ្លួន ឬក្នុងព្រះវិហារ។
ទាញយក PDFកូដ: TL-L083-100-PO2













