Colocando-se na Brecha

Derek Prince
Published: 2009
Last Updated: October 2026
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Moisés e Arão se apresentaram diante de Deus em nome do povo rebelde de Israel, implorando por misericórdia quando o julgamento se aproximava. As Escrituras retratam a intercessão como uma oração corajosa em favor daqueles que precisam de misericórdia. Tal oração requer confiança na justiça de Deus, preocupação com a Sua glória e ousadia santa.
“Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens.” (1 Timóteo 2:1)
Paulo nos diz que a coisa mais importante que os cristãos devem fazer quando se juntam é orar. Ele menciona várias formas de oração, uma das quais é a intercessão. Interceder significa literalmente “colocar-se entre, mediar”. O intercessor é aquele que se coloca entre Deus e aqueles que merecem Sua justa ira e castigo. O intercessor levanta as mãos para Deus e diz: “Deus, essas pessoas merecem o Seu julgamento; o Senhor tem todo o direito de puni-los, mas antes de puni-los o Senhor terá que me atingir primeiro, porque estou me colocando entre o Senhor e eles.”
No Antigo Testamento encontramos vários relatos de cidades e nações que foram poupadas do julgamento divino através do ministério de um intercessor. Estudaremos alguns desses exemplos, mas primeiro consideremos o ministério de intercessão na vida de nosso Senhor Jesus Cristo.
A Intercessão na Vida de Jesus
A intercessão foi uma das grandes marcas do ministério de Jesus. O capítulo 53 de Isaías dá uma descrição de Sua obra expiatória, concluindo com o versículo 12:
“Por isso lhe darei a parte de muitos, e com os poderosos repartirá ele o despojo; porquanto derramou a sua alma na morte, e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos, e intercedeu pelos transgressores.”
Há quatro coisas registradas aqui sobre Jesus.
Primeiro, Ele derramou Sua alma na morte. Levítico 17:11 diz que a alma de toda carne está no sangue, então Jesus derramou Sua alma na morte quando derramou Seu sangue.
Segundo, Ele foi contado com os transgressores; Ele foi crucificado com os dois ladrões.
Terceiro, Ele levou sobre si o pecado de muitos; Ele se tornou a oferta pelo pecado por todos nós.
Quarto, Ele intercedeu pelos transgressores; Ele fez isso na cruz quando disse: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lucas 23:34). Ele estava dizendo: “O julgamento que lhes é devido, venha sobre mim”. E aconteceu.
Hebreus 7 fala de Jesus após Sua morte, ressurreição e ascensão. Somos informados de que Jesus é nosso Sumo Sacerdote à direita de Deus. Porque Ele tem um sacerdócio imutável e que não termina nunca, “Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hebreus 7:25).
Se fizermos um estudo da vida e do ministério de Jesus, chegaremos a uma comparação bastante interessante: Ele passou trinta anos na obscuridade, numa vida familiar perfeita; três anos e meio em um ministério público dramático; e quase dois mil anos em intercessão, invisível ao olho natural. Desde que Ele ascendeu, Ele tem intercedido por nós diante do Pai.
Padrões do Antigo Testamento – Abraão
Os maiores santos eram muitas vezes os maiores intercessores, pois eram os homens mais próximos do coração de Deus. O Antigo Testamento contém exemplos de alguns grandes intercessores.
Em Gênesis 18 encontramos o Senhor com dois anjos, vindo visitar a tenda de Abraão. No final da sua visita, o Senhor diz: “Ocultarei eu a Abraão o que faço?” (versículo 17). Em outras palavras, o Senhor vê Abraão como Seu amigo íntimo, com quem compartilhará Seus pensamentos e planos. Então o Senhor disse a Abraão:
“Porquanto o clamor de Sodoma e Gomorra se tem multiplicado, e porquanto o seu pecado se tem agravado muito. Descerei agora, e verei se com efeito têm praticado segundo o seu clamor, que é vindo até mim; e se não, sabê-lo-ei.” (Versículos 20–21)
Abraão estava muito preocupado com Sodoma porque seu sobrinho Ló morava lá. Abraão sabia que se o julgamento caísse sobre Sodoma, Ló e sua família sofreriam com os demais.
A cena continua:
“Então viraram aqueles homens os rostos dali, e foram-se para Sodoma; mas Abraão ficou ainda em pé diante da face do Senhor. E chegou-se Abraão, dizendo: Destruirás também o justo com o ímpio? Se porventura houver cinquenta justos na cidade, destruirás também, e não pouparás o lugar por causa dos cinquenta justos que estão dentro dela? Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como o ímpio, longe de ti. Não faria justiça o Juiz de toda a terra?” (Versículos 22–25)
Foi preciso coragem para Abraão falar com o Senhor dessa maneira. No entanto, Abraão sabia que seria totalmente contrário ao caráter de Deus e contrário à Sua justiça permitir que o julgamento recaísse sobre os justos.
O Salmo 91:7–8 estabelece este princípio:
“Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas não chegará a ti. Somente com os teus olhos contemplarás, e verás a recompensa dos ímpios.”
Tudo o que vier como julgamento justo sobre os ímpios nunca afetará o justo. O justo pode estar no meio de tal julgamento, mas este não cairá sobre ele.
Observe, porém, que há uma diferença entre julgamento e perseguição por causa da justiça. A Bíblia diz que os justos sofrerão perseguição. A diferença é que o julgamento pela iniquidade vem de Deus sobre os iníquos; enquanto a perseguição pela justiça recai sobre os justos por parte dos ímpios.
Então, com grande ousadia e intensa convicção de que Deus tem que ser absolutamente justo, Abraão se propõe a desafiar o Senhor com base neste princípio: “Senhor, se houver cinquenta justos na cidade, não pouparás a cidade por causa deles?” O Senhor responde a Abraão que poupará a cidade se cinquenta pessoas justas forem encontradas. “E quanto aos quarenta e cinco? Você vai poupar a cidade por quarenta e cinco justos?” E o Senhor diz que a poupará se quarenta e cinco pessoas justas puderem ser encontradas nela. E assim prossegue a conversa...quarenta...trinta...vinte, até que finalmente Abraão chega ao seu último desafio: “Suponhamos que haja apenas dez justos naquela cidade inteira. O Senhor a poupará por causa dos dez?” E o Senhor diz que a poupará por causa de dez pessoas justas.
Essa é uma tremenda revelação! Se meus cálculos estiverem corretos, Sodoma era uma cidade importante para sua época, com uma população de pelo menos 10.000 habitantes. Pelo bem de dez entre 10.000, Deus estava disposto a poupar a cidade inteira. Isso é um em mil!
Um em mil! Aparentemente, a Bíblia usa essa frase para destacar um homem de notável justiça. Deus diz: “Se eu conseguir encontrar em Sodoma um justo em cada mil, pouparei a cidade inteira.”
Se aplicarmos essa proporção à nossa própria cidade, será que ela se qualificaria como uma dessas cidades justas?
A Intercessão de Moisés
Nosso segundo exemplo de intercessor é Moisés. Em Êxodo 32, nós o encontramos subindo ao Monte Sinai para receber a aliança entre Deus e o povo de Israel. Depois de ter ficado ausente por muitos dias, o povo ficou impaciente e insistiu com Aarão para que fizesse deuses para eles adorarem. Então Arão pegou brincos de ouro e fez um bezerro de fundição, em torno do qual Israel começou a dançar e adorar.
Enquanto isso acontecia no acampamento, Deus falou com Moisés no monte e disse:
“Vai, desce; porque o teu povo, que fizeste subir do Egito, se tem corrompido. E depressa se tem desviado do caminho que eu lhe tinha ordenado; eles fizeram para si um bezerro de fundição, e perante ele se inclinaram, e ofereceram-lhe sacrifícios, e disseram: Este é o teu deus, ó Israel, que te tirou da terra do Egito.” (Êxodo 32: 7–8)
Neste momento tenso com o destino de Israel em jogo, há uma nota de humor na conversa que se segue entre Deus e Moisés. Falando de Israel a Moisés, Deus os chama de “teu povo”. Mas Moisés, não querendo aceitar esta responsabilidade, lança-a de volta sobre Deus e diz: “o Teu povo”. Nem Deus nem Moisés queriam ser responsabilizados por Israel naquele momento! Enquanto isso, Israel continuou a dançar em volta do bezerro, completamente inconsciente de que o seu destino estava sendo decidido por este diálogo entre Deus e Moisés.
Deus declarou a Moisés: “Agora, pois, deixa-me, para que o meu furor se acenda contra ele [contra o povo], e o consuma” (versículo 10). Observe que Deus não faria nada a menos que Moisés Lhe permitisse. Mas Moisés não tinha intenção de livrar o caminho para Deus. Como intercessor, ele se colocou entre Deus e o povo.
Finalmente, Deus diz que Ele vai usar Moisés para resgatar Sua promessa a Abraão, Isaque e Jacó, começando tudo de novo com Moisés e fazendo dele uma grande nação. Embora essas pessoas não passassem de um fardo para ele desde que deixaram o Egito, Moisés intercedeu por eles (versículos 11–12).
A preocupação de Moisés era com a reputação de Deus. Ele disse: “Deus, se depois de tirar este povo do Egito, o Senhor deixar que eles pereçam nas montanhas, os egípcios dirão que o Deus deles os resgatou com a má intenção de exterminá-los nos montes e apagá-los da face da terra”.
No final de Êxodo 32, encontramos a consumação da intercessão de Moisés. Depois de retornar ao acampamento e colocar as coisas em ordem, ele fala ao povo (versículos 30–32):
“E aconteceu que no dia seguinte Moisés disse ao povo: Vós cometestes grande pecado. Agora, porém, subirei ao Senhor; porventura farei propiciação por vosso pecado. Assim tornou-se Moisés ao Senhor, e disse: Ora, este povo cometeu grande pecado fazendo para si deuses de ouro. Agora, pois, perdoa o seu pecado; se não, risca-me, peço-te, do teu livro, que tens escrito.”
Isso é intercessão! “Deus, eles merecem ser punidos; perdoe-os. Mas se não, Senhor, que o julgamento deles venha sobre mim”. O intercessor é aquele que se coloca entre Deus e o objeto de Sua justa ira. O Salmo 106 fornece um comentário divino sobre este incidente (versículos 19–23):
“Fizeram um bezerro em Horebe e adoraram a imagem fundida. E converteram a sua glória na figura de um boi que come erva. Esqueceram-se de Deus, seu Salvador, que fizera grandezas no Egito. Maravilhas na terra de Cão, coisas tremendas no Mar Vermelho. Por isso disse que os destruiria, não houvesse Moisés, seu escolhido, ficado perante ele na brecha, para desviar a sua indignação, a fim de não os destruir.”
Moisés se colocou na brecha que havia sido aberta pelo pecado do povo de Deus e disse: “Senhor, estou me colocando na brecha. Seu golpe não pode cair sobre eles, a menos que primeiro caia sobre mim.”
Números 16 registra outro exemplo de intercessão. Aqui, Moisés e Arão juntos são os intercessores. Deus lidou soberanamente com a rebelião de Corá, Datã e Abirão, fazendo com que a terra se abrisse e os engolisse vivos. Mas:
“Mas no dia seguinte toda a congregação dos filhos de Israel murmurou contra Moisés e contra Arão, dizendo: Vós matastes o povo do Senhor. E aconteceu que, ajuntando-se a congregação contra Moisés e Arão, e virando-se para a tenda da congregação, eis que a nuvem a cobriu, e a glória do Senhor apareceu. Vieram, pois, Moisés e Arão perante a tenda da congregação. Então falou o Senhor a Moisés, dizendo: Levantai-vos do meio desta congregação, e a consumirei num momento; então se prostraram sobre os seus rostos.” (Versículos 41–45)
Essa é a posição do intercessor: prostrar-se diante de Deus, sabendo que o julgamento está prestes a cair.
Pessoalmente, fico maravilhado com a graça de Moisés e Aarão. O povo se voltou contra eles sem razão. No entanto, eles estavam dispostos a interceder por aqueles que os criticaram, até mesmo a ponto de arriscar as suas próprias vidas.
Moisés falou com Aarão e o orientou:
“E disse Moisés a Arão: Toma o teu incensário, e põe nele fogo do altar, e deita incenso sobre ele, e vai depressa à congregação, e faze expiação por eles; porque grande indignação saiu de diante do Senhor; já começou a praga. E tomou-o Arão, como Moisés tinha falado, e correu ao meio da congregação; e eis que já a praga havia começado entre o povo; e deitou incenso nele, e fez expiação pelo povo. E estava em pé entre os mortos e os vivos; e cessou a praga.” (Versículos 46–48)
A linguagem nesta passagem enfatiza a urgência da intercessão. Moisés disse a Arão: “Vai depressa, Arão! E ele não andou, ele “correu”. Cada momento de atraso poderia custar vidas.
A palavra praga sugere algo altamente infeccioso e para fazer expiação Arão teve que se expor deliberadamente a esse contágio. Ele arriscou a própria vida. Enquanto ele balançava o incensário, a fumaça subiu numa linha branca e dividiu os vivos dos mortos. Onde aquela fumaça branca subia do incensário, a praga parou. Isso é intercessão: colocar-se - correndo risco de vida - entre os mortos e aqueles que estão prestes a morrer, e depois oferecer orações e súplicas fervorosas, como aquela fumaça branca do incensário, até que a praga cesse.
A Falta de Intercessores
Ezequiel 22:23–31 registra para nós uma cena diferente. A cena é semelhante à última porque retrata os pecados do povo de Deus, mas é diferente porque nenhum intercessor foi encontrado entre o pecado do povo e o julgamento de Deus.
“E a palavra do SENHOR veio a mim, dizendo: Filho do homem, dize-lhe [a Israel]: Tu és a terra que não está purificada, sem chuva no dia da indignação. Há uma conspiração dos seus profetas no meio dela (...). Os seus sacerdotes transgridem a minha lei (...). Os seus príncipes no meio dela são como lobos devorando a presa (...). O povo da terra usou de opressão, exercitou o roubo, e aborreceu o pobre e o necessitado (...). E eu busquei por um homem entre eles, que fizesse o cerco, e que se pusesse na brecha diante de mim pela terra, para que eu não a destruísse; mas eu não encontrei nenhum. Portanto, eu derramei a minha indignação sobre eles; eu os consumi com o fogo da minha ira.”
Todos os setores da população falharam completamente – profetas, sacerdotes, príncipes, povo. Cada um deles representa um determinado elemento da sociedade. Os “profetas” são os responsáveis por trazer uma mensagem direta de Deus. Os “sacerdotes” são os líderes da religião institucional. Os “príncipes” são os governantes seculares. O “povo” é o resto da população, as pessoas comuns. A ordem em que estes quatro elementos são listados é significativa. O processo de decadência começou com a liderança espiritual; então o governo secular foi corrompido; finalmente, toda a nação foi afetada. (Esta mesma ordem tem sido seguida na América moderna e em muitas outras nações.)
Embora todos os setores da sociedade estivessem corrompidos, a situação ainda não era desesperadora. Deus procurou um homem, um intercessor, para se colocar no lugar onde o muro havia desmoronado para que Ele pudesse poupar toda a nação. Mas como não encontrou ninguém, Ele derramou sobre eles Sua indignação “e os consumiu com o fogo de Sua ira”. Um homem – um intercessor – poderia ter salvado uma nação inteira do julgamento!
A Necessidade de Intercessores
A Bíblia revela que o julgamento é feito na mesma medida em que a luz foi derramada. A luz é a verdade da Palavra de Deus. Quanto maior a luz, mais severo será o julgamento. Quando consideramos os meios de comunicação pelos quais a verdade está sendo divulgada hoje – televisão, rádio, livros, mídia digital, eu diria que nenhuma geração na face da terra teve maior luz espiritual disponível do que esta geração.
Deus falou comigo de forma audível em 1953, quando eu ainda era pastor na Inglaterra. Ele disse: “Haverá um grande avivamento nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha”. Para isso, Deus estabeleceu um requisito básico: obediência. Acredito que um grande avivamento está por vir, isso se Deus puder encontrar intercessores para suspender Seu julgamento e invocar Sua misericórdia.
Para encerrar, deixe-me apresentar quatro qualificações que vejo em todo verdadeiro intercessor.
- Primeiro, um intercessor, como Abraão, deve ter uma convicção absoluta a respeito da justiça de Deus: Deus nunca trará sobre os justos nenhum julgamento que é devido apenas aos ímpios. Ao mesmo tempo, ele deve ter uma visão muito clara da justiça absoluta de Deus e da inevitabilidade do Seu julgamento sobre os ímpios.
- Kedua, ia harus memiliki kepedulian yang mendalam akan kemuliaan Allah, seperti halnya Musa yang dua kali menolak tawaran Allah untuk menjadikannya nenek moyang orang-orang terhebat di muka bumi. Kemuliaan Allah lebih penting baginya daripada reputasi pribadinya
- Ketiga, seorang pengantara harus memiiki pengenalan yang intim akan Allah. Ia harus bersiap mempertaruhkan nyawanya sendiri, seperti Harun yang mengabaikan penularan wabah untuk mengambil tempatnya di antara orang mati dan orang hidup.
- Dan yang terakhir, untuk menjadi pengantara dibutuhkan keberanian yang suci. Anda harus mempertaruhkan hidupmu, jadilah seperti Harun yang berkata, “Aku tahu risiko wabah itu, tetapi aku akan tetap berdiri di sini!”
Não há chamado mais elevado do que o de intercessor. Quando você se torna um intercessor, você alcançou o trono. Os homens não serão capazes de vê-lo porque você estará fora da vista deles, além do segundo véu; mas no Reino de Deus sua vida contará para o tempo e para a eternidade.

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