Em algum lugar dentro de cada um de nós existe um desejo profundo de estabelecer contato com o desconhecido, com algum “poder superior” – algo maior, mais sábio ou mais poderoso do que nós mesmos. Isso é verdade em todos os níveis, desde a adolescente lendo seu horóscopo, até o feiticeiro em alguma tribo remota que nunca viu um homem branco, até o cientista que sonda o espaço sideral e procura descobrir os segredos do universo.

Foi Deus quem colocou esse desejo dentro de nós, mas Satanás, o arqui-inimigo de Deus criou uma maneira de desviar as pessoas que procuram respostas para os segredos do universo. O objetivo de Satanás é desviar essas pessoas da verdade, fazendo delas seus escravos. Esses sistemas enganosos e malignos podem assumir inúmeras formas diferentes, mas o nome genérico para todos eles é ocultismo.

A palavra ocultismo é derivada de uma palavra latina que significa “escondido”. O poder que opera por meio de práticas ocultas vem de Satanás, mas a maior parte das pessoas que se deixa levar pelo ocultismo não sabe disso. No geral, essas pessoas são atraídas por alguma oferta que tornará possível a realização dos seus desejos.

Afastar-se do Deus verdadeiro e único e se engajar com falsos deuses é chamado de “adultério espiritual” pelas Escrituras. Assim, as advertências da Bíblia contra a imoralidade e o adultério também se aplicam ao envolvimento com o ocultismo. A “mulher estranha” descrita em Provérbios retrata vividamente a atração do ocultismo. O fim trágico daqueles que se deixam seduzir e enganar por ela é descrito em Provérbios 7:25–27 (Bíblia King James Fiel 1611):

“Não permita que teu coração desvie para seus caminhos,
Não te percas em suas veredas.
Porque ela humilhou muitos feridos;
Sim, muitos homens fortes foram mortos por ela.
A sua casa é o caminho para o inferno,
Que desce para as câmaras da morte.”

As escrituras enfatizam que as vítimas dessa “mulher estranha” são homens fortes. Satanás odeia tais homens. Homens fortes tornam-se vulneráveis quando depositam sua confiança em sua própria força e em seus sucessos anteriores.

Dois Ramos Principais

Os dois ramos principais do ocultismo são identificados nas Escrituras como adivinhação e feitiçaria.

A adivinhação fornece entendimento através de meios sobrenaturais a respeito de pessoas, eventos e situações. Frequentemente, prevê eventos futuros. Alguns termos comuns, hoje em dia, para isso são predição, vidência, previsão psíquica e percepção extrassensorial (PES).

Um exemplo claro é oferecido pela escrava em Atos 16:16–22, que dizia estar “possuída de um espírito de adivinhação”. Curiosamente, o grego apenas diz “ela tinha um espírito de píton”. Na cultura grega clássica, a píton era frequentemente associada à prática de vidência ou adivinhação. O termo moderno para tal pessoa é vidente.

Esta menina foi a primeira pessoa em Filipos a discernir a identidade de Paulo e Silas. “Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação,” disse ela, “são servos do Deus Altíssimo.” (v. 17). Tudo o que ela disse era verdade, mas seu conhecimento veio de um demônio. Quando o demônio foi expulso, ela perdeu a habilidade de prever o futuro e seus mestres perderam sua fonte de renda.

É isso que torna a adivinhação algo tão enganoso e perigoso. Uma pessoa que tem um espírito de píton pode realmente canalizar e receber conhecimento sobrenatural sobre o passado ou o futuro. Essa medida de verdade é a isca no anzol oculto de Satanás, com o qual ele procura capturar e escravizar suas vítimas.

A maioria das pessoas quer saber o que o futuro lhes reserva. A adivinhação atende a esse desejo. Mas Deus exige que “andemos por fé, não por vista” (2 Coríntios 5:7), sem saber o que o futuro nos reserva, mas confiando em Sua fidelidade infalível. Pode haver, no entanto, momentos em que Deus nos dará alguma revelação soberana sobre o futuro, sem que desejemos ou busquemos. Quando é Deus quem toma a iniciativa, o resultado servirá para cumprir os Seus objetivos.

Outra maneira pela qual muitas pessoas são expostas à adivinhação é por meio de horóscopos. Escanear casualmente “seu” horóscopo no jornal com uma mente desprotegida pode expô-lo à influência demoníaca.

Aqui, novamente, muitos cristãos são enganados. Eles consideram tais atividades inofensivas, não reconhecendo a armadilha. Certa vez, ministrei a uma mulher cristã que precisava ser libertada de um espírito de adivinhação. Ela não conseguia entender como tal espírito teria entrado nela. Enquanto eu a questionava, ela finalmente reconheceu que lia seu horóscopo ocasionalmente no jornal diário. Ela ficou chocada ao perceber que havia se aberto para um demônio de adivinhação.

Outra abertura potencial para os demônios é o envolvimento nas artes marciais. As artes marciais se originaram em culturas permeadas de idolatria e atividade demoníaca.

O outro ramo principal através do qual o ocultismo opera é a feitiçaria. A feitiçaria se utiliza de vários meios para causar impacto nos sentidos físicos. Algumas de suas ferramentas são: drogas, poções, encantos, amuletos, magia, feitiços e encantamentos.

O Apocalipse descreve dois julgamentos de Deus no fim dos tempos, pelos quais uma parte da humanidade será morta. Em seguida, encerra falando sobre o restante da humanidade, dizendo que “E os outros homens (...) não se arrependeram dos seus homicídios, nem das suas feitiçarias, nem da sua fornicação, nem dos seus furtos” (Apocalipse 9:20–21). A palavra grega traduzida como “feitiçarias” significa literalmente “drogas” e alguns a traduzem como “artes mágicas”. As más ações aqui associadas à feitiçaria são assassinatos, imoralidade sexual e roubo. Muitas vezes, o vício em drogas abre a porta para esses tipos de males.

Em Deuteronômio 18:10–12, o Senhor declara Sua atitude em relação ao envolvimento com o ocultismo:

“Entre ti não se achará quem faça passar pelo fogo a seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro. Nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos. Pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor.”

A palavra traduzida como “abominação” é a palavra mais forte na língua hebraica para aquilo que o Senhor odeia e rejeita. Deus coloca essas pessoas na mesma categoria daqueles que sacrificam seus filhos a uma divindade pagã. É difícil para nossa cultura perceber quão intensamente Deus odeia todas essas práticas ocultas.

Falsa Religião

A falsa religião está intimamente relacionada ao ocultismo. Ambos prometem o que agrada a todos nós - paz, poder, conhecimento, acesso a Deus. Eles afirmam nos direcionar para a luz, mas na verdade nos atraem para a escuridão.

Como podemos nos proteger? Em João 10:9 Jesus disse: “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á”. Novamente Ele disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14:6). Muitas portas diferentes conduzem ao reino do sobrenatural. Mas há apenas uma porta que leva ao reino sobrenatural de Deus. Essa porta é Jesus. Aqueles que passam por qualquer outra porta podem entrar em um reino sobrenatural - mas é o reino de Satanás, não do único Deus verdadeiro.

Satanás fará todo o dano que puder à humanidade por meio de ideologias como o ateísmo ou o humanismo, mas a religião falsa é uma ferramenta infinitamente mais poderosa em suas mãos. Até hoje, a grande maioria da raça humana é escravizada pela falsa religião.

Tal como acontece com outras formas de ocultismo, é impossível listar todas as formas de falsa religião atualmente praticadas. Mas aqui estão cinco pontos principais que caracterizam as religiões como falsas:

1. Religiões que reconhecem uma pluralidade de deuses

A igreja primitiva era cercada por uma cultura politeísta, mas em 1 Coríntios 8:5–6 Paulo definiu a posição cristã:

“Porque, ainda que haja também alguns que se chamem deuses, quer no céu quer na terra (como há muitos deuses e muitos senhores), todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele.”

2. Religiões que praticam a adoração de ídolos

A idolatria é o primeiro pecado específico proibido nos Dez Mandamentos e aquele que acarreta as penalidades mais pesadas (ver Êxodo 20:3–5).

3. Religiões que ensinam que os seres humanos podem se tornar deuses

Esta foi a tentação original oferecida por Satanás no Jardim do Éden: “E sereis como Deus [ou deuses]” (Gênesis 3:5).

Esta promessa contém uma contradição inerente. Deus, que criou todas as coisas, incluindo a raça humana, é Ele mesmo incriado. É logicamente impossível para o homem, o criado, tornar-se como Deus, o incriado. O criado nunca pode se tornar incriado. No entanto, esta promessa de se tornar como Deus tem apelado para o orgulho exaltado da humanidade em cada geração.

4. Religiões que ensinam que as pessoas podem alcançar a retidão por seus próprios esforços

Novamente, o apelo é para o orgulho humano. Pessoas orgulhosas são atraídas por sistemas religiosos que exigem formas de trabalho duras e irracionais e até sofrimento autoinfligido. Quanto mais rigorosas as exigências, maior o orgulho que uma pessoa sente em cumpri-las.

5. Religiões que oferecem conhecimento esotérico disponível apenas para poucos privilegiados

O acesso a esse conhecimento geralmente requer algum rito especial de iniciação. No século primeiro, os apóstolos alertavam seus seguidores sobre essa forma de engano. Foi contra esse erro que Paulo advertiu Timóteo em 1 Timóteo 6:20–21:

“Ó Timóteo, guarda o depósito que te foi confiado, tendo horror aos clamores vãos [conversa ociosa] e profanos e às oposições da falsamente chamada ciência [gnosticismo]. A qual professando-a alguns, se desviaram da fé.”

O Mormonismo e a Maçonaria são dois exemplos de religiões cujos segredos são revelados apenas para aqueles que passaram por um rigoroso processo de iniciação.

O cristianismo, por outro lado, é aberto. Não tem processo especial de iniciação e nem ritos secretos. A base de sua fé, a Bíblia, é um livro aberto. Todos são incentivados a estudá-lo.

A religião falsa sempre apela de uma forma ou de outra ao orgulho humano. O Evangelho, por outro lado, enfatiza que somos salvos pela graça de Deus, que não pode ser conquistada, mas é recebida somente pela fé, que o próprio Deus fornece. Em Efésios 2:8–9, Paulo diz que isso não deixa espaço para o orgulho.

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie”

Em 1 Coríntios 10:20–21, Paulo enfatiza que toda forma de religião falsa é permeada pelo poder demoníaco e que os cristãos não devem, portanto, se envolver de forma alguma:

“Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios. Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios.”

Esta breve visão geral do oculto e das falsas religiões revela como esse assunto é complexo. Não há uma maneira simples de definir o oculto ou descrevê-lo. Você pode compará-lo a um polvo com muitos tentáculos, que prende em sua vítima. Assim como a vítima está se protegendo contra um tentáculo, outro tenta prendê-lo pelo lado cego.

Se você se envolveu com o ocultismo ou religião falsa—mesmo inadvertidamente ou experimentalmente—Deus quer que você se arrependa disso, confesse como pecado e busque a Cristo por perdão, purificação e libertação. A fim de romper deliberadamente e ficar limpo, todos os livros e quaisquer outros objetos relacionados ao ocultismo ou à falsa religião devem ser destruídos.