Levando Deus a Sério

Derek Prince
Published: 1994
Last Updated: October 2026
Read Time: 8
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A fé não consiste em reivindicar de forma seletiva as promessas de Deus enquanto se ignoram Seus mandamentos, proibições e advertências. Levar Deus a sério significa submeter-se à Sua Palavra, incluindo o chamado de Jesus ao discipulado comprometido e ao amor ao próximo. Um amor sincero pela verdade protege os crentes contra o engano, mesmo quando sinais sobrenaturais parecem convincentes.
As duas cartas anteriores desta série, Preparando-se para reinar com Cristo, identificaram as características necessárias para reinar com Cristo e a natureza espiritual do contexto. Esta última carta da série explica a necessidade de os cristãos levarem Deus e a Sua Palavra a sério.
Recentemente, enquanto meditava sobre várias definições de fé, cheguei a uma conclusão: Fé é levar Deus a sério. Esta conclusão surgiu como resultado de encontrar tantos cristãos que afirmavam ter fé, mas não levavam Deus a sério.
Levar Deus a sério significa levar a sério a Sua Palavra. Se uma pessoa fala conosco, mas ignoramos - ou mesmo rejeitamos - muito do que ela nos diz, certamente não a estamos levando a sério. Na verdade, estamos sendo desrespeitosos.
O mesmo se aplica a Deus. Se ignorarmos ou rejeitarmos muito do que Ele nos diz por meio das Escrituras, não O estamos levando a sério. Na verdade, estamos tratando-O com desrespeito. No entanto, é desta forma que muitos cristãos se relacionam com Deus. Eles tratam Sua Palavra como um buffet self-service, onde escolhem as porções que agradam ao seu gosto e deixam as outras de lado.
Existem quatro maneiras práticas pelas quais a Palavra de Deus se aplica em nossas vidas: Suas promessas, Seus mandamentos, Suas proibições e Suas advertências. Vamos pegar alguns exemplos de cada maneira e considerar como elas podem se aplicar a nós.
As Promessas de Deus
Os quatro Evangelhos contêm muitas promessas maravilhosas de Jesus, mas antes de reivindicá-las para nós mesmos, é importante verificar a quem cada promessa foi dada. Os escritores dos Evangelhos fazem uma distinção clara entre as palavras que Jesus falou a Seus discípulos e aquelas que Ele falou a multidões ou a indivíduos que não eram discípulos. Existem mais de 900 versículos que registram palavras ditas aos discípulos e cerca de 860 dirigidas aos não-discípulos.
A marca distintiva dos verdadeiros discípulos era o compromisso. Eles assumiram o compromisso sem reservas de obedecer e seguir a Jesus, independentemente do quanto isso lhes custava. O próprio Jesus estabeleceu esta condição:
“E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo. Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo”. (Lucas 14:27, 33)
Obviamente nós que estamos vivos hoje não estávamos presentes quando Jesus estava falando isso. Antes de aplicarmos qualquer uma de Suas promessas a nós mesmos, precisamos perguntar: Eu sou o tipo de pessoa com quem Jesus estava falando? Suas promessas se aplicam a mim? Tenho o direito de reivindicá-las?
Por exemplo, João 14 contém promessas gloriosas, como:
“E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei. Se pedirdes alguma coisa em Meu nome, Eu o farei. Porque eu vivo, vós também vivereis. Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”. (versículos 13, 14, 19, 27)
Mas essas belas promessas foram dadas apenas a um grupo de discípulos compromissados. Pedro falou em nome de todos eles quando disse: "Eis que nós deixamos tudo e te seguimos" (Lucas 18:28). Reivindicar essas promessas sem cumprir essa condição não é fé, mas presunção. Cada um de nós precisa se perguntar: Sou um discípulo - ou apenas um membro da igreja?
Os Mandamentos de Deus
“E nisto sabemos que o conhecemos: se guardarmos os seus mandamentos. Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade”. (1 João 2:3-4)
Nossa resposta aos mandamentos de Deus revela nossa verdadeira condição espiritual. Obedecê-los é a prova de que conhecemos a Deus.
A Bíblia contém muitos mandamentos que abrangem várias áreas de nossas vidas, mas Jesus os resume em um só do qual dependem todos os outros:
“Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”. (João 13:34-35)
Obedecendo a este mandamento cumprimos toda a lei: "Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Gálatas 5:14). O amor é o propósito final para o qual todos os outros mandamentos foram dados:
“Ora, o fim do mandamento é o amor de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida. Do que, desviando-se alguns, se entregaram a vãs contendas.” (1 Timóteo 1:5 -6)
É com base nisso que devemos avaliar nossa obediência aos mandamentos de Deus. Precisamos nos perguntar: minha vida é uma expressão do amor de Deus?
As Proibições de Deus
“Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele”. (1 João 2:15)
Deus aqui nos proíbe de amar o mundo. Ele nos obriga a fazer uma escolha. Podemos amar o mundo ou podemos amar a Deus Pai. Mas não podemos fazer as duas coisas. Deve ser um ou outro - ou amor a Deus ou amor ao mundo.
Na linguagem do Novo Testamento, o mundo compreende todas as pessoas e todas as atividades que não estão submetidas à justa liderança do governante designado por Deus, Jesus Cristo. Como tal, o mundo - consciente ou inconscientemente - está em rebelião contra Deus. Amar o mundo, portanto, é alinhar-se com a rebeldia do mundo.
A atração do mundo em todas as nossas vidas é extremamente forte. Ele nos oferece muitas atrações e muitas tentações. Algumas são aparentemente inocentes, mas dentro delas está o veneno sutil da rebelião.
A mídia, com todas as formas de entretenimento que oferece, é um dos principais canais de influência do mundo. Cheguei à conclusão de que o entretenimento, quando deixa as pessoas totalmente passivas, não é um conceito cristão. Na Bíblia, Deus ordenou para Seu povo épocas de alegre celebração, mas as próprias pessoas faziam parte da atividade. Elas nunca foram meramente espectadores passivos.
Além disso, muito do entretenimento contemporâneo é permeado por impureza moral e espiritual e tem um efeito de corrupção bastante sutil. Alguns anos atrás, Ruth e eu assistimos a um filme que era uma comédia brilhante com atuação de primeira classe - mas continha algumas partes com uma linguagem de baixo calão. Sentimo-nos inclinados a assisti-lo pela segunda vez, mas finalmente decidimos que não iríamos expor o Espírito Santo em nós à linguagem de baixo calão do filme.
Finalmente, decidimos que nunca nos exporíamos voluntariamente a nada que glorificasse o pecado e desonrasse Jesus Cristo. Também temos como princípio não manter em casa nenhum livro ou outro objeto que desonre a Jesus. Isso parece radical? Talvez seja. Mas o cristianismo é uma religião radical.
As Advertências de Deus
Em Mateus 24, Jesus dá uma previsão profética das condições nos últimos dias. Ele começa com uma advertência contra o engano: "Acautelai-vos, que ninguém vos engane". No versículo 11 Ele repete Sua advertência: Então surgirão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. O engano é o maior perigo que os cristãos vão confrontar nos últimos dias.
Em Mateus 24, Jesus dirigiu Sua advertência aos apóstolos que Ele mesmo havia escolhido e que estiveram continuamente com Ele durante os 3 anos de Seu ministério. Se esses apóstolos precisavam de tal advertência, como os cristãos hoje podem imaginar que estão imunes a esse perigo?
No entanto, encontrei muitos cristãos que parecem sentir que a advertência contra o engano não se aplica a eles. Essa reação é, na verdade, uma indicação de que o engano já está em ação em suas vidas.
Em 2 Tessalonicenses 2:9-10, Paulo reafirma a advertência contra o engano em conexão com a ascensão do anticristo.
“A esse [o anticristo] cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem.”
Muitos cristãos carismáticos têm a atitude de que qualquer mensagem ou ministério acompanhado de sinais sobrenaturais deve necessariamente ser de Deus, mas isso não é verdade. A Bíblia indica que Satanás também pode produzir vários tipos de sinais sobrenaturais. A aceitação simplista de que tudo que é sobrenatural vem de Deus, na verdade, abre uma porta para o engano.
Existe apenas uma garantia segura contra o engano: é receber o amor da verdade. Isso vai além de simplesmente ouvir sermões ou mesmo ler a Bíblia. Envolve um compromisso intenso e apaixonado com a autoridade das Escrituras que afeta todas as áreas de nossas vidas. Produz dentro de nós uma reação instintiva contra qualquer mensagem ou ministério que não seja fiel às Escrituras.
Deus oferece a cada um de nós este amor à verdade. Estamos dispostos a recebê-lo? Devemos levar a sério Seu aviso ou devemos ignorá-lo?

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