A Nossa Dívida para com Israel

Derek Prince
Published: 1970
Last Updated: நவம்பர் 2026
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Os cristãos têm uma dívida espiritual para com o povo judeu, através do qual vieram as Escrituras, os apóstolos e o Salvador. As Escrituras apelam aos crentes gentios para que saldem essa dívida com amor, oração por Jerusalém e atos concretos de misericórdia, em vez de arrogância ou hostilidade. Deus também responsabiliza as nações pela forma como tratam Israel.
Na Sua conversa com a mulher samaritana no poço de Jacob, Jesus disse-lhe:
"Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus." (João 4:22, ACF)
Por “vós”, Jesus estava a referir-se aos samaritanos; por "nós" Ele referia-se aos judeus. Assim, Ele identificou-se com os judeus, falou como um deles. No último livro da Bíblia, Apocalipse 5:5, Jesus é chamado de "Leão da tribo de Judá". "Judá" é o nome do qual deriva a palavra "judeu". É importante para todos nós entendermos que existe uma forma pela qual Jesus é especialmente identificado com os judeus; e que essa identificação não cessou com a Sua vida terrena, mas, continua pelas Escrituras após a Sua morte, sepultamento e ressurreição—pela eternidade.
É igualmente importante para todos nós, reconhecer a verdade do que Jesus disse à mulher samaritana: "A salvação vem dos judeus". Este é um facto histórico incontestável. Sem os judeus, não teríamos patriarcas, nem profetas, nem apóstolos, nem Bíblia—e nem Salvador! Privados de tudo isto, quanta salvação nos restaria? Nenhuma!
Todas as outras nações da terra devem aos judeus tudo o que há de mais precioso na sua herança espiritual. Isto é verdade para todos nós, quer sejamos árabes, africanos, asiáticos ou europeus—russos, americanos ou chineses. Todos nós temos uma dívida espiritual para com os judeus, que não se pode calcular.
A Bíblia deixa claro que Deus exige que os cristãos de todas as outras nações reconheçam a sua dívida para com os judeus e façam o que puderem para a saldar. Em Romanos, capítulo 11, Paulo está a escrever principalmente para os cristãos de origem gentia. No versículo 13, ele diz: “Porque convosco falo, gentios…”. Ele lembra aos gentios a sua dívida para com os judeus e adverte-os contra a adoção de uma atitude arrogante ou ingrata em relação a Israel. Uma análise deste capítulo mostrará que Paulo usa o nome de "Israel" para referir àqueles que são judeus por descendência natural e para os distinguir dos cristãos de origem gentia. Por outras palavras, ele não usa "Israel" como sinónimo da Igreja.
Em Romanos 11:30-31, Paulo resume o que tem vindo a dizer sobre a dívida e a responsabilidade dos cristãos gentios para com Israel (por uma questão de clareza, inseri as palavras apropriadas—"Israel" ou "os gentios"—entre parêntesis retos, ao lado dos pronomes):
“Porque assim como vós [os gentios] também em tempos passados não críeis em Deus, mas agora alcançastes misericórdia pela desobediência deles [Israel], (BKJ) Assim também estes [Israel], agora, foram desobedientes, para que pela vossa [dos gentios] misericórdia, eles [Israel], agora, também alcancem misericórdia.” (TB)
Por outras palavras, devido à misericórdia de Deus que veio até nós, como cristãos gentios, através de Israel, Deus exige que nós, por nossa vez, mostremos misericórdia a Israel. Como cumpriremos esta obrigação? Eis, quatro formas práticas de o fazer.
Primeiro, podemos cultivar e expressar uma atitude de amor sincero para com o povo judeu. A maioria das formas habituais de "testemunhar" ou “pregar", praticadas pelos cristãos não chega, de todo, ao coração do povo judeu. Na verdade, frequentemente irritam-nos e afastam-nos. Mas é incrível como a aparente dureza exterior de um judeu se derrete quando confrontado com um amor caloroso e não fingido. Em dezanove séculos de dispersão entre as outras nações, há uma coisa que os judeus raramente encontraram: o amor! Por amor de Deus, deixemos de tentar "converter" o povo judeu e comecemos a pagar a dívida de amor que lhes devemos há tantos séculos.
Em segundo lugar, em Romanos 11:11, Paulo diz que:
"…veio a salvação aos gentios, para os [Israel] incitar ao ciúmes." (ACF)
Esta é outra maneira significativa pela qual podemos pagar a nossa dívida para com os judeus—ao desfrutar e demonstrar a abundância das bênçãos de Deus em Cristo, de tal forma que os judeus possam ficar com ciúmes e desejar o que nos veem a desfrutar. Estas bênçãos devem ser notadas em todas as áreas da nossa vida— espiritual, física, financeira e material. Mas, acima de tudo, devem ser expressas na nossa vida comunitária como crentes—uma vida de justiça, paz e alegria no Espírito Santo.
Infelizmente! Ao longo dos séculos, os judeus têm visto poucas coisas entre os cristãos, que pudessem provocar os seus ciúmes. Principalmente, viram inúmeras seitas, todas a reivindicar o título de "cristão", a criticarem-se umas às outras, até a matarem-se umas às outras—tudo em nome do cristianismo. Em nenhum outro lugar, a desunião cristã foi demonstrada de forma tão flagrante como na cidade considerada sagrada tanto pelos cristãos como pelos judeus—Jerusalém. Frequentemente, nos chamados "locais sagrados" da cristandade, representantes de diferentes seitas cristãs envolveram-se em confrontos físicos e derramaram o sangue uns dos outros—em prova da sua ortodoxia e em defesa dos seus santuários e privilégios. Em mais do que uma ocasião, desde que o estado de Israel foi instituído, missionários de um grupo cristão queixaram-se ao ministro da religião (judeu) em relação aos representantes de outro grupo cristão e solicitaram que estes fossem deportados. É pouco provável que tudo isto faça os judeus exclamarem: "Vejam, como estes cristãos se amam!"
Em terceiro lugar, a Bíblia exorta-nos a buscar o bem de Israel através das nossas orações:
“Orai pela paz de Jerusalém; prosperarão aqueles que te amam." (Salmo 122:6, ACF)
Para orar eficazmente desta maneira, precisamos de descobrir nas Escrituras os propósitos de Deus para Israel e para Jerusalém, e então dedicar-nos a orar de forma inteligente e consistente para a realização e o cumprimento desses propósitos. Ao fazermos este estudo das Escrituras, descobriremos que, em última análise, a justiça e a paz estão destinadas a fluir de Jerusalém para todas as nações da terra; e assim, o bem-estar de todas as nações está incluído nesta oração por Jerusalém e está dependente do seu cumprimento.
Um padrão desafiador das Escrituras, deste tipo de oração, é fornecido por Daniel, que se pôs a orar três vezes ao dia com a janela aberta, virada para Jerusalém. As orações de Daniel perturbaram tanto Satanás e ameaçaram de tal forma o seu reino, que ele usou o ciúme de homens maus para provocar uma alteração nas leis de todo o império persa, a qual tornaria as orações de Daniel ilegais. Por outro lado, orar por Jerusalém significava tanto para Daniel que ele preferia ser lançado no covil dos leões do que desistir das suas orações. Por fim, a fé e a coragem de Daniel superaram a oposição satânica e ele emergiu triunfante do covil dos leões—para continuar a orar por Jerusalém (veja Daniel capítulo 6).
Da minha própria experiência, que se estende por muitos anos, gostaria de adicionar um comentário pessoal neste ponto. Descobri que fazer um compromisso deste género para orar por Jerusalém e Israel irá, sem dúvida, suscitar uma medida especial de oposição das forças satanicamente inspiradas. Por outro lado, também descobri que a promessa de Deus dada aos que oram assim, provar-se-á verdadeira: "prosperarão aqueles que te amam". Este é um caminho bíblico para a prosperidade—não apenas no sentido financeiro ou material, mas como algo que abrange uma garantia permanente do favor, da provisão e da proteção de Deus.
Em quarto lugar, podemos procurar retribuir a nossa dívida para com Israel através de atos práticos de bondade e misericórdia. Em Romanos 12:6-8, Paulo enumera sete dons diferentes (carismas) que os cristãos devem cultivar e pôr em prática. O último que ele menciona é o de "mostrar misericórdia". Creio que é apropriado que nós, cristãos, exerçamos este dom não apenas em relação a judeus individuais, mas a Israel como nação. Assim, nós, em certa medida, expiamos os incontáveis atos de injustiça, crueldade e barbaridade que, ao longo dos séculos, foram infligidos aos judeus—muitas vezes em nome do cristianismo.
Poucos cristãos gentios têm consciência da atitude profundamente enraizada, mas raramente afirmada, dos judeus em relação a eles. Os judeus sofreram perseguição em muitas formas diferentes, de muitos povos diferentes, mas, na sua visão da história, os seus perseguidores mais cruéis e consistentes foram os cristãos. Antes de rejeitar esta visão como falsa ou injusta, vejamos brevemente o tipo de factos históricos em que ela se baseia.
Na Idade Média, os Cruzados, ao atravessarem a Europa para "libertar" a Terra Santa, massacraram comunidades judaicas inteiras— homens, mulheres e crianças—num total de muitas centenas. Mais tarde, quando conseguiram capturar Jerusalém, derramaram mais sangue e mostraram mais crueldade do que qualquer um dos muitos conquistadores anteriores de Jerusalém, exceto, talvez, os romanos sob o comando de Tito. Fizeram tudo isto em nome de Cristo e com a cruz como o seu emblema sagrado. (Por esta razão, pessoalmente, nunca me agrada ver qualquer apresentação genuína do evangelho descrita pela palavra "cruzada".)
Mais tarde, nos guetos da Europa e da Rússia, foram padres cristãos carregando crucifixos que lideraram as multidões contra as comunidades judaicas—saqueando e incendiando as suas casas e sinagogas, violando as suas mulheres e assassinando aqueles que procuravam defender-se. A sua justificação para isto era de que tinham sido os judeus que tinham "assassinado Cristo".
Outra vez, na memória viva, os nazistas—no seu extermínio sistemático de seis milhões de judeus na Europa—usaram como instrumentos homens, cristãos professos—sobretudo luteranos ou católicos. Além disso, nenhum grupo cristão de relevo, na Europa ou noutros lugares, levantou a voz para protestar ou condenar a política nazista contra os judeus. Aos olhos dos judeus, multidões de cristãos estão condenadas simplesmente pelo seu silêncio.
Desfazer o efeito que estas experiências—e inúmeros outros semelhantes—tiveram sobre o povo judeu exigirá mais do que folhetos ou sermões. Exigirá atos—tanto individuais como coletivos, que sejam manifestamente tão bondosos e misericordiosos como os atos anteriores foram injustos e cruéis.
Finalmente, precisamos de ter em mente que um dos principais fatores no julgamento de Deus sobre todas as outras nações, será o seu trato para com os judeus. Em Mateus 25:31-46, temos uma imagem de Cristo como Rei no fim desta era, no trono da Sua glória, com todas as nações apresentadas perante Ele, para julgamento. São separadas em duas categorias—as "ovelhas", que são aceites no reino de Cristo e os "bodes", que são rejeitados do Seu reino. Em cada caso, a razão apresentada por Cristo é, "O que fizeram—ou não fizeram—a algum dos meus menores irmãos". As nações que demostrarem misericórdia aos judeus receberão misericórdia de Deus; as nações que negarem a misericórdia aos judeus, terão a misericórdia de Deus negada.
Em certa medida, isto já se provou verdadeiro muitas vezes na história. Por exemplo, nos séculos XV e XVI, a Espanha era a nação dominante da Europa, com um alto nível de cultura, um poderoso exército e marinha, e um império que abrangia ambos os hemisférios. Mas, no espaço de um século após expulsar todos os judeus dos seus territórios, a Espanha declina para uma potência de segunda categoria e em dificuldades.
Na minha memória e experiência pessoal, algo muito semelhante aconteceu com a minha própria pátria, a Grã-Bretanha. A Grã-Bretanha emergiu vitoriosa de duas Guerras Mundiais, mantendo intacto, um império que talvez fosse o mais extenso da história humana. Mas em 1947-1948, como a potência mandatária sobre a Palestina, o Reino Unido opôs-se e tentou frustrar o renascimento de Israel como uma nação soberana com o seu próprio estado. (Como vivi em Jerusalém durante todo este período, faço esta afirmação como uma testemunha ocular do que realmente ocorreu). A partir desse exato momento da história, o império da Grã-Bretanha sofreu um processo de declínio e desintegração tão rápido e total que não pode ser explicado apenas pelos fatores políticos, militares ou económicos relevantes. Hoje, menos de uma geração depois, a Grã-Bretanha—tal como a Espanha—é uma potência de segunda categoria em dificuldades.
Isto representa, pelo menos, em parte, a realização de um princípio divino declarado em Isaías 60:12:
"Porque a nação e o reino que não te servirem perecerão; sim, essas nações serão de todo assoladas.” (ACF)
Deus promete aqui a Israel, e também adverte a todos os gentios, que Ele trará julgamento sobre qualquer nação que se oponha aos Seus propósitos de redenção e restauração para Israel. Portanto, ao buscarem e orarem pelo bem de Israel, os cristãos gentios precisam de se lembrar de que estão a servir não apenas os interesses de Israel, mas ainda mais os da sua própria nação.

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