Ação de Graças

Derek Prince
Published: 1990
Last Updated: October 2026
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A ação de graças mantém os crentes receptivos à graça de Deus, em vez de os levar a cair na reclamação e na ingratidão. As Escrituras associam a gratidão à oração, ao acesso a Deus e ao fato de Jesus ter dado graças antes de realizar milagres.
Nosso ponto de partida para nosso estudo sobre a ação de graças é Hebreus 12:28:
“Por isso, tendo recebido um reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e piedade.”
Há uma diferença notável entre esta e a Nova Versão Internacional. Onde a Almeida Corrigida Fiel diz: 'retenhamos a graça', a NVI diz: 'sejamos agradecidos'. Cada uma delas, no entanto, é uma tradução correta, porque em grego ter graça - e a palavra-chave é charis – é dizer, ‘obrigado’. (Curiosamente, a palavra grega moderna para "obrigado" é Eucaristia, que está diretamente relacionado a charis, graça). Portanto, há uma conexão direta entre graça e gratidão. Uma pessoa ingrata é uma pessoa fora da graça de Deus. Você não pode ser ingrato e estar na graça de Deus.
Três outras línguas modernas também trazem isso à tona. Em francês, grâce à Dieu significa "graças a Deus". Em italiano, a palavra para ‘obrigado’ é grazie, diretamente relacionada, mais uma vez, à graça. E em espanhol, gracias. Como você pode ver então, essas três línguas românicas (línguas baseadas no latim) mantêm a conexão direta entre graça e gratidão.
Este é um ponto tremendamente importante: quando somos ingratos, estamos fora da graça de Deus. Não podemos desfrutar da graça de Deus sem ser gratos. Nem podemos separar a gratidão da graça de Deus. E quer digamos: 'Sejamos gratos' ou 'Tenhamos graça', estamos realmente dizendo a mesma coisa.
Aqui estão quatro declarações sobre gratidão – requisitos, na verdade – de quatro diferentes epístolas de Paulo. Começando com Colossenses 3:15:
“E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos.”
Isso não é uma sugestão; é um comando: Sede agradecidos. Paulo continua nos versículos 16-17:
“A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração. E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai”.
Em tudo o que fazemos, precisamos ser guiados por dois princípios: fazê-lo ‘em nome do Senhor Jesus’ e ‘dar graças a Deus por meio dele’. Isso define um limite maravilhoso! Às vezes, os jovens perguntam: 'Tudo bem eu fazer isso ou aquilo?' 'Se você consegue fazer o que quer que seja em nome do Senhor Jesus, dando graças a Deus através Dele, pode fazer. Caso contrário, é melhor não fazê-lo.' Isso estabelece o limite para o que somos, ou não somos, livres para fazer.
Agradecer, então, não é uma opção: é uma ordem.
Em segundo lugar, em Efésios 5:18, Paulo fala sobre o que significa se encher continuamente do Espírito Santo:
“E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito.”
Não é notável o quanto a Igreja se concentrou no negativo e ignorou o positivo? Todo mundo sabe que você não deve se embriagar com vinho, mas quantos sabem que você deve se encher do Espírito?
E qual é o resultado de se encher do Espírito? Os versículos 19 e 20 nos dizem:
“...Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração; Dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo.”
Quando você estiver cheio do Espírito Santo, você continuamente dará graças a Deus. Na verdade, você pode medir a plenitude do Espírito dentro de você em parte por esse mesmo critério – quanto tempo você gasta dando graças a Deus. Quando você para de fazê-lo, é uma indicação segura de que você está se esvaziando.
A terceira declaração (ou requisito) de Paulo sobre gratidão é encontrada em 1 Tessalonicenses 5:16–18, alguns dos versículos mais curtos do Novo Testamento, mas repleto de verdades poderosas:
“Regozijai-vos sempre.”-
Muito simples de dizer, não é? Mas é preciso graça para fazê-lo!
"...Orai sem cessar."
Você não precisa orar o tempo todo, mas, por outro lado, nunca diga: 'Agora terminei de orar.' Disseram que Smith Wigglesworth, e eu acredito, nunca orou mais de meia hora de cada vez, mas ele nunca passou meia hora sem orar. Essa é uma boa imagem do que significa orar sem cessar.
O último dos requisitos concisos de Paulo em 1 Tessalonicenses 5:
“Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco”.
Qual é a vontade de Deus em Cristo Jesus? Dar graças em tudo. Portanto, se você não está dando graças, como já vimos, na verdade você está fora da vontade de Deus.
Conversei com muitos obreiros cristãos que estavam no lugar certo, fazendo o trabalho certo, mas ainda se sentiam fora da vontade de Deus. Não era por causa do lugar ou do trabalho; era porque eles haviam deixado de ser continuamente gratos. Portanto, lembre-se, no momento em que você deixa de ser grato, você está fora da vontade de Deus – não necessariamente pelo que está fazendo, mas porque não está respondendo adequadamente à bondade de Deus.
Em Filipenses 4:6 chegamos ao quarto dos requisitos de Paulo a respeito da gratidão:
“Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças.”
Nunca traga um pedido a Deus sem ação de graças.
Anos atrás, fiquei impressionado com os diários de John Wesley. Eu sempre me lembro de seu comentário sobre este versículo. Da frase, 'Sejam em tudo conhecidas pela oração e súplica', Wesley isolou três palavras, tudo pela oração, e disse: 'Estou convencido de que Deus faz tudo pela oração e nada sem ela', acredito que esta seja uma verdade básica.
Além disso, Paulo está dizendo: 'Qualquer pedido que você tenha, traga-o com ação de graças'.
Agora que examinamos quatro exortações separadas do apóstolo Paulo a respeito da gratidão, consideremos duas funções importantes que ela cumpre.
Primeiro, a gratidão fornece acesso a Deus. O melhor lugar para ver isso é no Salmo 100, um Salmo familiar e muito bonito. Falando sobre entrar na casa de Deus, o salmista escreve no quarto verso:
“Entrai pelas portas dele com gratidão, e em seus átrios com louvor; louvai-o, e bendizei o seu nome”.
Observe que há dois estágios de acesso a Deus. A primeira é através das portas; a segunda é por meio de Seus átrios. As portas lhe dão acesso aos átrios, e os átrios lhe dão acesso à verdadeira casa de Deus. Mas você não pode entrar exceto pela rota prescrita – ‘em Suas portas com ação de graças, e em Seus átrios com louvor’. Estou convencido de que uma pessoa não obtém acesso próximo a Deus a menos que venha dessa maneira prescrita – com ações de graças e louvor.
Alguns de vocês podem sentir, às vezes, apesar de suas orações, que estão muito longe de Deus. Muito possivelmente, a razão é que você não está se aproximando Dele pela rota prescrita. Você pode ficar do lado de fora dos átrios e gritar com Deus, e Ele ouvirá e terá misericórdia de você. Mas você não terá acesso próximo ao Pai a menos que venha com ações de graças e louvor.
Algumas pessoas podem resmungar: ‘Não tenho nada para agradecer a Deus. As coisas estão dando errado. Minha vida está uma bagunça. Por que devo agradecer a Ele?” Bem, o salmista deu três razões no versículo 5 para agradecer a Deus:
“Porque o Senhor é bom, e eterna a sua misericórdia; e a sua verdade dura de geração em geração”.
Não importa como nos sentimos, não importa quais sejam nossas circunstâncias, três fatos nunca mudam: o Senhor é sempre bom; Sua misericórdia é eterna; e a sua verdade dura de geração em geração. Portanto, temos três razões permanentes e imutáveis para agradecer a Deus.
Não se concentre em seus sentimentos. Não se concentre na sua situação. Concentre-se nesses aspectos eternos e imutáveis da natureza de Deus e de Seu trato conosco. Então você se verá agradecendo a Deus incessantemente.
Vejamos uma ilustração no Novo Testamento do acesso especial a Deus que a gratidão fornece. Você se lembra dos dez leprosos de Lucas 17 que não tinham permissão para chegar perto de ninguém? Eles tinham que gritar continuamente: 'Impuro, impuro', alertando a todos para ficarem fora de seu caminho, visto que sua doença era muito contagiosa.
O relato de Lucas registra que eles levantaram a voz à distância e gritaram para Jesus: ‘Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós!
Agora, uma pessoa limpa de lepra tinha que se apresentar ao sacerdote para receber uma certificação, declarando que não era mais leprosa. Então, ao dizer-lhes para irem e se apresentarem ao sacerdote, Jesus estava dizendo: 'Quando vocês chegarem lá, o sacerdote lhes dará a certificação de que vocês não têm mais lepra.' Isso, você vê, é fé. Às vezes, somos curados à medida que avançamos. Se ficarmos parados e dissermos que nada aconteceu, nada acontecerá.
Bem, todos os dez foram curados da lepra; mas apenas um - que por acaso era samaritano, não judeu - voltou para agradecer a Jesus. Jesus disse:
“E, respondendo Jesus, disse: Não foram dez os limpos? E onde estão os nove? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?” (Lucas 17:17–18)
Então ele disse ao homem (de acordo com o grego): 'Sua fé o salvou, vá em paz'. Não fica tão claro na tradução inglesa que, embora todos os dez leprosos tenham sido purificados, apenas aquele que voltou para dar graças a Jesus foi salvo. Cada um deles teve uma cura física, mas somente aquele que voltou para agradecer recebeu a cura espiritual eterna da salvação. Ele foi o único que se aproximou de Jesus. Veja, a ação de graças fornece acesso especial a Deus.
A segunda função de importância vital da ação de graças é que ela libera o poder miraculoso sobrenatural de Deus. Vou oferecer dois exemplos notáveis do Novo Testamento. A primeira delas é a alimentação dos cinco mil registrada em João 6. Jesus tinha uma multidão de cinco mil homens (sem incluir mulheres e crianças) diante Dele, todos famintos. Seu único recurso era o almoço de um garotinho - cinco pães pequenos e dois peixinhos. Mas Ele disse: ‘Façam todos se sentarem; vamos alimentá-los'. E foi isso que aconteceu nos versículos 11 e 12 de João 6:
“E Jesus tomou os pães e, havendo dado graças, repartiu-os pelos discípulos, e os discípulos pelos que estavam assentados; e igualmente também dos peixes, quanto eles queriam. E, quando estavam saciados, disse aos seus discípulos: Recolhei os pedaços que sobejaram, para que nada se perca.”
É digno de nota que nesta situação Jesus não orou. Ele não pediu nada a Deus. Tudo o que Ele fez foi agradecer a Deus pelo que Ele tinha em Suas mãos.
João deve ter ficado impressionado com isso porque no versículo 23, descrevendo algo que se seguiu, ele escreveu:
“...Contudo, outros barquinhos tinham chegado de Tiberíades, perto do lugar onde comeram o pão, havendo o Senhor dado graças”.
Aparentemente, João ficou impressionado com o fato de que o milagre foi liberado não por uma longa oração, mas simplesmente por Jesus dar graças! Eu realmente acredito que muitas vezes perdemos o poder de Deus simplesmente porque não o liberamos dando graças.
Um pouco mais tarde, no décimo primeiro capítulo de João, encontramos um segundo exemplo desse princípio. Enquanto Jesus estava diante do túmulo de Lázaro, que havia sido sepultado por quatro dias, Ele não fez uma longa oração. Ele disse simplesmente: 'Pai, eu te agradeço porque você me ouviu.' Isso foi tudo o que ele disse. Então Ele falou com Lázaro – e Lázaro saiu!
Direi mais uma vez que, a menos que cultivemos o hábito de agradecer a Deus da maneira descrita aqui, perderemos muito do poder sobrenatural de Deus. Tal poder não é necessariamente liberado por longas orações. Muito pelo contrário, a maioria das orações realmente poderosas na Bíblia, na verdade, são muito curtas. (Penso na oração de Moisés por Miriã quando ela foi acometida de lepra por ter criticado seu irmão. Tudo o que Moisés disse foi: 'Senhor, cure-a'). Se misturarmos mais ação de graças às nossas petições, poderemos fazer orações mais curtas e realmente mais eficazes.
Antes de concluir nossa discussão sobre gratidão, precisamos olhar para o lado negro dessa verdade, o oposto de ser grato. A Bíblia tem muito a dizer sobre a ingratidão, mas aqui estão apenas três declarações significativas.
A primeira aparece em Romanos 1, onde Paulo, da forma mais exemplar, descreve o declínio da raça humana que vai de um conhecimento inerente de Deus para uma terrível maldade. Romanos 1 termina com uma das listas mais horríveis da Bíblia sobre a degradação, a miséria e a maldade humana.
Podemos nos perguntar: como é que a humanidade pode cair a esse nível? A resposta é dada no versículo 21:
“(...) tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças,”
Paulo descreve assim os dois primeiros degraus descendentes que levam ao poço escuro descrito no final do capítulo: primeiro, o povo não glorificou a Deus como Deus; e segundo, eles não lhe deram graças.
Toda vez que uma pessoa deixa de ser grata, ela começa a trilhar um caminho escorregadio. Deixe-me avisá-lo: nem comece a descer por esse caminho porque é difícil dar meia volta e subir de novo!
A segunda observação bíblica importante sobre a ingratidão aparece em 2 Timóteo 3, que contém outra lista terrível. É interessante compará-lo com o de Romanos 1, que é o que chamo de resultado lógico da ingratidão. 2 Timóteo 3 é o resultado histórico. Como será a humanidade nos últimos dias, no final dos tempos? O apóstolo Paulo nos dá esta imagem, começando no versículo 1:
“Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos.”
O que trará os tempos trabalhosos? O declínio do caráter humano. Verso 2:
“Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos.”
Onde o ingrato encontra seu lugar na lista? Ao lado do profano. Ser ingrato é ser profano. Você não pode ser santo e ingrato. E a gratidão é um passo importante para ser santo.
Que tipo de conduta é o oposto de ser grato? A melhor palavra da Bíblia, eu acho, é ‘murmurar’ – em inglês mais moderno, ‘reclamar’. Deixe-me sugerir que sempre que dizemos algo, vai ser sempre algo positivo ou algo negativo. Muito poucas palavras são neutras. Portanto, se não estivermos expressando gratidão, quase certamente acabaremos murmurando e reclamando. Não seja esse tipo de pessoa!
Terceiro e último, vejamos o que Paulo diz sobre a ingratidão em 1 Coríntios 10:7–10. Ele está alertando os cristãos contra cair nos mesmos erros em que Israel caiu depois que foram libertados do Egito:
“Não vos façais, pois, idólatras, como alguns deles, conforme está escrito: O povo assentou-se a comer e a beber, e levantou-se para folgar. E não nos forniquemos, como alguns deles fizeram; e caíram num dia vinte e três mil. E não tentemos a Cristo (...) E não murmureis, como também alguns deles murmuraram, e pereceram pelo destruidor.”
Uma advertência contra a murmuração é encontrada em Números 21. Israel ficou desanimado e impaciente por causa de sua longa e cansativa jornada. Eles começaram a murmurar contra Deus e Moisés. Deus respondeu enviando serpentes ardentes entre eles, e o povo começou a morrer.
Tome cuidado! Murmurar pode expor você a serpentes ardentes. Sua mordida pode não ser física, mas injetará todo tipo de veneno em seu espírito.
Deparamo-nos, então, com duas possibilidades opostas: ser agradecido, que abre o caminho para a presença de Deus e para o seu poder milagroso, ou ser um murmurador. Decida-se. Defina sua vontade:
Vou ficar agradecido. Vou continuar a encontrar razões bíblicas para ser grato. E vou praticar agradecer a Deus o tempo todo.

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