A Liderança de um Pai

Derek Prince
Published: 2007
Last Updated: October 2026
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Os pais têm a responsabilidade, concedida por Deus, de conduzir suas famílias no caminho do Senhor. Com base em exemplos bíblicos, Derek Prince exorta os pais a ensinar a lei de Deus, buscar a reconciliação e exercer a fé que conduz os membros da família à fé pessoal em Cristo.
No ofício da paternidade, Deus uniu os maiores privilégios com as maiores responsabilidades de liderança. Este tema atravessa as Escrituras do começo ao fim. Nos dias de terrível maldade, imediatamente antes do dilúvio, houve um homem que encontrou graça aos olhos de Deus – Noé.
“Disse o Senhor a Noé: Entra tu e toda a tua casa na arca, porque tenho visto que és justo diante de mim nesta geração” (Gênesis 7:1). Foi a justiça de Noé que providenciou uma proteção para toda a sua casa. Porque Noé tomou seu lugar de direito diante de Deus como chefe de sua casa, ele teve o privilégio de trazer toda a sua família com ele para a arca.
Assumindo a Liderança em Casa
Mais tarde – depois do dilúvio – Deus começou a procurar um homem que ia se tornar o chefe de uma nação especial, destinado a trazer bênçãos únicas a toda a humanidade. No devido tempo, Deus encontrou o homem que Ele estava procurando na pessoa de Abraão. Gênesis 18:19 revela o elemento especial no caráter de Abraão que fez com que Deus o escolhesse sobre todos os homens de sua época:
"Porque eu o tenho conhecido, e sei que ele há de ordenar a seus filhos e à sua casa depois dele, para que guardem o caminho do Senhor, para agir com justiça e juízo; para que o Senhor faça vir sobre Abraão o que acerca dele tem falado."
Deus escolheu Abraão por uma razão primária: Ele sabia que podia contar com ele para treinar e disciplinar seus filhos e sua família no caminho do Senhor. Que tremenda importância Deus deve atribuir a esse aspecto do caráter de um homem!
Deus esperava que Abraão "ordenasse" seus filhos e sua família. A palavra ordenar ou dar ordens pode soar antidemocrática para alguns ouvidos ocidentais. Mas é a palavra-chave nesta passagem. Há momentos em que um homem tem o direito e o dever de dar ordens. Quando ele se coloca como representante e governador de Deus em sua casa, ele não pode ser fraco e transigir. Ele deve dizer firmemente à sua esposa e filhos: "Eu exijo que você faça isso e aquilo".
Alguns homens podem se perguntar: "O que a minha esposa e meus filhos vão dizer? Eles não estão acostumados a me ouvir falar assim!"
Posso lhe dar uma sugestão de como eles vão reagir? Pode ser que leve um tempo para eles se recuperarem do choque, mas no final eles vão dizer: "Finalmente, temos um homem em casa!" Tanto a esposa quanto os filhos sabem em seus corações quem deve liderar, e responderão a um pai que toma seu lugar de direito. Muitas mulheres assumem a liderança em casa porque o seu marido não conseguiu fazê-lo; mas elas ficarão felizes em desistir dessa tarefa se o homem assumir o controle.
O Fracasso de Ló
Vimos que foi o caráter e a conduta de Abraão em sua casa que fez com que ele fosse escolhido por Deus. No entanto, o sobrinho de Abraão, Ló, foi o oposto. Ló começou com Abraão. Ele tinha visto as bênçãos de Deus e tinha ouvido as promessas de Deus. No entanto, ele tomou uma decisão perversa e tola. Ele escolheu levar sua família para a cidade degradada de Sodoma (Gênesis 13:10-13). A lição de Ló me comove profundamente cada vez que penso nela. Ele levou sua família para Sodoma e nunca mais foi capaz de tirá-la de lá! Quando o julgamento de Deus caiu sobre a cidade, Ló perdeu toda a sua família, exceto duas filhas (Gênesis 19:15-26).
Pais, deixem-me dizer isto claramente: Se vocês conhecem o caminho do Senhor, não tomem o mesmo caminho tolo de Ló. Você pode levar sua família a Sodoma — ao mundo com seus prazeres e seduções pecaminosas. Você pode fazer do mundo o centro da vida em sua casa. Então pode chegar o dia em que você se cansará do mundo e voltará para o caminho de Deus. Mas lembre-se disso: sua família pode não estar mais disposta a segui-lo. Você que os levou a Sodoma pode nunca mais ser capaz de tirá-los de lá!
A Escolha de Josué
Vejamos outro líder do povo de Deus — Josué. No final de sua vida, tendo trazido Israel para a Terra Prometida, Josué desafia o povo com uma decisão:
“Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais; se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais”. Então Josué acrescenta: “Mas, quanto a mim e à minha casa, serviremos ao Senhor” (Josué 24:15).
Durante anos, maravilhei-me com estas palavras de Josué. Obviamente, ele poderia tomar sua própria decisão pessoal de servir ao Senhor. Mas como ele poderia ter tanta certeza de que sua família serviria ao Senhor? Então, um dia, entendi a base da segurança de Josué. Ele havia assumido sua posição dada por Deus como sacerdote, profeta e rei em sua casa. Portanto, ele sabia que podia contar com a fidelidade de Deus para honrá-lo naquela posição — como sacerdote em sua casa, respondendo às suas orações por sua família, como profeta, confirmando a sua declaração feita em nome deles e, como rei, preservando sua autoridade e soberania sobre eles. A certeza de Josué não se baseava no que ele era em si mesmo, mas na fidelidade de Deus ao ofício de paternidade que ele ocupava.
A Fé de um Pai
Voltemos a uma das passagens mais frequentemente citadas do Novo Testamento — Atos 16:30-31. Sua resposta é: "Crê no Senhor Jesus Cristo, e serás salvo, tu e a tua casa".
Um dia, enquanto eu citava essa promessa a uma senhora que estava preocupada com a salvação de sua família, o Espírito Santo falou gentilmente, mas com firmeza, ao meu espírito: “Você está aplicando mal essa promessa. Não foi falado para a mulher, mas para um homem. Como marido e pai, o carcereiro de Filipos tinha o direito dado por Deus de reivindicar a salvação de toda a sua família.” Deus deu a cada pai, em virtude de sua posição, tanto o direito quanto a responsabilidade de exercer fé para a salvação de sua família.
Isso significa que outros membros da família podem ser salvos exclusivamente com base na fé do pai, sem exercer fé individual para si mesmos? Não, não significa isso. O que isso significa é que, por meio da fé e do ministério do pai em seu ofício dado por Deus, cada membro de sua família chegará à fé pessoal em Cristo e, assim, será salvo.
Isso não quer dizer que uma família não pode ser salva através da fé de uma mãe crente ou de algum outro membro. Raabe, a prostituta em Jericó, fornece uma bela imagem de uma mulher cuja fé e coragem trouxe salvação a toda a sua família. Do meio da destruição total da cidade onde ela vivia:
"E os jovens que tinham sido espiões entraram e tiraram Raabe, seu pai, sua mãe, seus irmãos e tudo o que ela possuía" (Josué 6:23).
Tudo isso foi fruto da fé de Raabe.
No entanto, o pai tem uma relação com a sua família que é diferente da de qualquer outro membro. Se ele assume sua posição dada por Deus como chefe de sua casa, junto com isso vem o direito dado por Deus de reivindicar a salvação de sua família. Este direito se baseia não apenas na fé individual do pai, mas na tarefa de paternidade que ele ocupa. A obrigação de Deus é para com o ofício, não meramente para com o homem.
Resultados de Pais Delinquentes
A Palavra de Deus oferece muitas expressões a respeito dos maus resultados que se seguirão quando os pais — e especialmente as figuras paternas— deixarem de cumprir suas responsabilidades dadas por Deus no lar. Em Deuteronômio 28:15–68, encontramos uma longa lista de maldições que Deus advertiu Israel que viria sobre eles se eles desobedecessem a Sua lei. Ao ler esta lista um dia, fiquei impressionado com o versículo 41:
"Filhos e filhas gerarás, porém não serão para ti, porque irão em cativeiro" (ACF).
Isto é dirigido principalmente aos pais, uma vez que a palavra "gerar" descreve a parte do pai na procriação.
Na tradução livre da KJV, ao invés de “não serão para ti” aparece “não irão desfrutá-las”. O que me ocorreu foi que as crianças nos são dadas por Deus para que possamos "desfrutá-las". Elas se destinam a ser uma fonte sempre presente de prazer para nós pais. No entanto, quantos pais hoje estão realmente gostando de seus filhos? Lembro-me de uma vez ouvir um pregador batista com uma grande família orar: "Senhor, ajude-nos a nos lembrar que nossos filhos são bênçãos, não fardos!" De alguma forma, tive a impressão de que ele não estava esperando uma resposta positiva à sua oração.
Como pais, podemos ter certeza de uma coisa: nossos filhos reconhecem nossa verdadeira atitude em relação a eles — quer sintamos que são fardos ou bênçãos. E eles reagirão de acordo com isso.
Se falharmos em disciplinar nossos filhos e se, ao nos relacionarmos com eles, eles não sentirem que são uma bênção, o que acontecerá? Deuteronômio 28:41 nos diz claramente – "eles entrarão em cativeiro". Isso já não aconteceu com milhões de crianças em nossa civilização ocidental? Eles "foram para o cativeiro" - para as drogas, para o sexo ilícito, para o ocultismo e para inúmeras outras armadilhas de Satanás. Tais crianças estão em cativeiro da mesma forma que estariam caso tivessem sido levadas como escravos por alguma potência estrangeira. A responsabilidade cai sobre os pais que não conseguiram se relacionar bem com seus filhos e ensinar-lhes a lei de Deus.
Comunicando a Lei de Deus
Malaquias 2:7 retrata o sacerdote como o guardião e intérprete da lei de Deus:
“Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca devem os homens buscar a lei.”
O “conhecimento” referido aqui é o conhecimento da lei de Deus. Como sacerdote em sua casa, cada pai tem essa responsabilidade: guardar e interpretar a lei de Deus para sua família.
E se os pais/sacerdotes de uma nação falharem na sua responsabilidade? Em Oséias 4:6 Deus resume a trágica situação que resulta:
“O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque rejeitastes o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de Mim; e visto que tu esqueceste da lei de Deus, também eu me esquecerei dos teus filhos.”
Que coisa terrível é quando o próprio Deus nos diz que Ele vai "esquecer" nossos filhos! Quando um pai rejeita o conhecimento da lei de Deus, ele não está mais apto a exercer seu ministério sacerdotal em nome de sua família. Como resultado, os filhos perdem a proteção da autoridade e da cobertura de um pai e se tornam presas de todas as armadilhas e enganos de Satanás. Por que nossa terra hoje está cheia de crianças esquecidas de Deus — crianças que são estranhas às promessas e provisões da aliança com Deus? Porque seus pais se esqueceram da lei de Deus!
Uma Palavra De Promessa
Em Malaquias 4:5–6, a palavra final deixada para nós no Antigo Testamento é uma maldição – mas também é uma promessa:
“Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor;E ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para que eu não venha, e fira a terra com maldição.”
Por revelação profética, a Bíblia aqui descreve o problema social mais urgente do período imediatamente anterior ao fim da era: lares divididos, dilacerados por conflitos, com pais e filhos alienados uns dos outros. Quão precisa é a Palavra de Deus! É precisamente com esta situação que hoje nos confrontamos. A menos que possa ser revertida, há apenas um resultado possível – uma maldição sobre toda a Terra. No entanto, Deus promete enviar um ministério que "converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos aos seus pais". Graças a Deus, a situação não é tão desesperadora assim! A reconciliação e a restauração em nossas casas ainda são possíveis. Esta é a mensagem do Espírito de Deus para nós hoje.
Mas devemos observar a ordem que a Palavra de Deus estabelece. Primeiro, os pais devem se voltar para seus filhos. A reconciliação em cada lar deve começar do lado do pai. Se os pais se arrependerem e se humilharem diante de seus filhos, então o coração dos filhos também se voltará para seus pais. Mas o primeiro passo é dos pais.
Pai, eu o desafio a ser homem! Levante-se e assuma a sua posição, debaixo do poder de Deus, como o chefe da sua casa! Se você tem sido um renegado, arrependa-se e peça à sua esposa e filhos que o perdoem. Reconcilie-se com eles. Em seguida, conduza sua família à provisão completa de Deus para eles.

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