Nesta série de quatro partes sobre o tema orgulho vs humildade, estudamos a lei eterna e universal afirmada por Jesus em Mateus 23:12:

“Pois todo aquele que a si mesmo se exaltar será humilhado, e todo aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado.”

Na parte 1 desta série, apresentei o padrão perfeito de auto-humilhação fornecido por Jesus Cristo. Descendo da glória do céu e de Seu lugar de igualdade com Deus, Jesus deu sete passos de humildade para baixo (descritos em Filipenses 2:5–8). Ele esvaziou-se a si mesmo; Ele tomou a forma de servo; Ele se tornou “semelhante aos homens” — como um ser humano normal; Ele assumiu o mesmo tipo de comportamento dos homens de Seu tempo; Ele se humilhou para ser um homem comum, sem cargo ou posição especial; Ele suportou o destino final de todos os homens - a morte; e, no final, Ele morreu como um criminoso na cruz.

Porque Jesus se humilhou de forma tão completa dessas sete maneiras, Deus por sua vez o exaltou soberanamente. Deus deu a Ele o nome que é sobre todos os nomes e ordenou que, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre e toda língua O confesse como o Senhor.

Na Parte 2 desta série, é importante perceber que, embora essa lei da auto-humilhação tenha sido perfeitamente demonstrada em Jesus, ela opera com a mesma precisão e totalidade em cada uma de nossas vidas. Há três fases principais em que precisamos aplicar esse princípio de auto-humilhação a nós mesmos, as quais serão abordadas nessa série de ensinamentos. A primeira fase é quando inicialmente nos aproximamos de Deus. A segunda fase é quando progredimos na vida espiritual depois de termos nos aproximado de Deus. A terceira fase é quando nos relacionamos com outros cristãos.

Nesta seção—Orgulho vs Humildade, Parte 2—vamos nos concentrar na primeira fase.

Humilhar-se para se Aproximar de Deus

Como nos humilhamos para nos aproximarmos de Deus inicialmente? Em Mateus 18:1–4, Jesus nos dá o padrão de uma criança como exemplo:

“Naquele momento os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no Reino dos céus?” E Jesus chamando uma criança, colocou-a no meio deles. E disse: “Com toda a certeza vos afirmo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos céus. Portanto, todo aquele que se tornar humilde, como esta criança, esse é o maior no Reino dos céus.” (KJA)

Alguns dos discípulos presumiam que já estavam no reino dos céus. Mas Jesus disse: “Você ainda nem entrou! E a razão por não ter entrado é porque você ainda não satisfez uma condição.” Qual era a condição? Em Sua resposta, Jesus usou a própria frase “se tornar humilde”. “Todo aquele que se tornar humilde, como esta criança, esse é o maior no Reino dos céus.”

As pessoas da época de Jesus esperavam que Ele apontasse algum governante, algum rabino erudito ou alguma pessoa de grande riqueza como um exemplo de grandiosidade. Em vez disso, ele usou o exemplo mais visível de fraqueza e humildade: uma criança. Jesus disse: “se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos céus.”

Todos os pais sabem que as crianças pequenas não são perfeitas! Mas há uma característica de uma pequena criança que é quase universalmente verdadeira: ela está sempre disposta a aprender. As crianças não têm preconceitos ou ideias pré-concebidas que afastam suas mentes do que é verdadeiro. Elas recebem a verdade sem ter que provar que têm razão ou demonstrar sua inteligência.

Da mesma forma, temos que nos humilhar. Temos que nos tornar como a pequena criança que Jesus escolheu como o melhor exemplo do tipo de humildade que Ele espera.

Deus Escolhe os Humildes

Continuando nossa avaliação sobre a importância da humildade para nos aproximarmos de Deus, vamos ler o que Paulo diz em 1 Coríntios 1:26–29 sobre as pessoas que Deus escolhe. (Francamente, é um tipo de gente bem diferente!):

“Porque, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados [Observe os três “nem muitos” — nem os sábios, nem os poderosos, nem os nobres]. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes. E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são. Para que nenhuma carne se glorie perante ele.”

Existem três categorias de pessoas que têm particular dificuldade para entrar no reino de Deus: os sábios, os poderosos e os nobres. Deus tem alguma coisa contra a sabedoria, o poder ou a nobreza? De modo algum. A questão é que essas são as três principais fontes de orgulho da natureza humana. As pessoas são orgulhosas por causa de sua sabedoria, educação, esperteza, poder, influência, posição social ou nascimento nobre. Mas aqui está o problema: os orgulhosos não podem entrar no reino de Deus.

Em Lucas 18, há uma notável conversa entre Jesus e um certo rico. O homem faz a Jesus uma pergunta muito séria: “Bom mestre, o que devo fazer para herdar a vida eterna?” (versículo 18-NAA). Vejamos como Jesus responde, começando com o versículo 20:

Você conhece os mandamentos: "Não cometa adultério", "não mate", "não furte", "não dê falso testemunho", "honre o seu pai e a sua mãe". Então o homem disse: — Tudo isso tenho observado desde a minha juventude. [E acredito que ele estava falando a verdade.] Ouvindo isso, Jesus lhe disse: — Uma coisa ainda falta a você: venda tudo o que tem, dê o dinheiro aos pobres e você terá um tesouro nos céus; depois, venha e siga-me. Mas, ouvindo ele estas palavras, ficou muito triste, porque era riquíssimo. Jesus, vendo-o assim triste, disse: — Como é difícil para os que têm riquezas entrar no Reino de Deus! [Por quê? Porque as pessoas irão frequentemente confiar em suas riquezas. Riquezas são constantemente uma fonte de orgulho. Então, vemos este comentário de Jesus:] Porque é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus.” (Lucas 18:20–25 NAA)

A experiência de viver na terra de Israel por vários anos ampliou minha compreensão do comentário de Jesus a esse jovem rico. Na muralha da cidade antiga, no Portão de Jafa, em Jerusalém, havia um grande portão de ferro que era fechado todas as noites ao pôr do sol. Em hipótese alguma, aquele portão deveria ser aberto até o nascer do sol do dia seguinte. No entanto, às vezes acontecia que um viajante em um camelo chegava ao portão depois do anoitecer, procurando ser admitido na cidade. Quando isso acontecia, abria-se um portãozinho que ficava no portão principal de ferro. O homem que procurava entrar descia de seu camelo, arrancava tudo o que estava nas costas dele, fazia o camelo se ajoelhar e então, com grande dificuldade, ele se espremia para poder passar. Como se chamava aquele pequeno portão? Era conhecido como o Buraco da Agulha.

Em sua resposta ao homem rico, Jesus estava descrevendo como é quando um rico chega no reino de Deus. Ele tem que deixar de lado toda a sua bagagem - toda a sua pretensão, orgulho, arrogância, independência - e ajoelhar-se para conseguir entrar. No entanto, um homem pobre que não carrega nada em suas mãos a não ser um cajado, pode passar com muito mais facilidade. Tudo o que ele precisa fazer é se abaixar, passar e ele está do lado de dentro. A mesma porta é para todos, sejam ricos ou pobres. Mas muitas vezes é mais difícil para o rico passar do que para o pobre.

Deixar Tudo de Lado

Vejamos mais um modelo para nos aproximarmos de Deus com humildade. Esse é o relato de Naamã, um homem do Antigo Testamento que tentou se aproximar de Deus em grande estilo e descobriu que não funcionava assim. Sua história está relatada em 2 Reis 5.

Naamã tinha um passado muito distinto. Ele era muito respeitado, um soldado valente e comandante de um exército. Mas ele tinha um problema: ele era leproso. Quantas pessoas são assim? Elas parecem ter tudo, mas têm sempre algum tipo de problema.

Uma das criadas de Naamã, uma menina israelita que havia sido levada em cativeiro, disse a seu mestre que, se ele procurasse o profeta Eliseu em Samaria, ele seria curado de sua lepra. Assim, Naamã obteve permissão do rei da Síria e partiu com dez talentos de prata (isto é, setecentos e cinquenta libras de prata), seis mil siclos de ouro (isto é, cento e cinquenta libras de ouro) e dez conjuntos de roupas. Você percebe que ele queria se aproximar de Deus em grande estilo! Quando Naamã chegou a Israel, o profeta Eliseu disse: “Envie-o a mim e ele ficará curado”. Aqui está o final da história em 2 Reis 5:9–14:

“Então, Naamã foi com seus cavalos e carros e parou à porta da casa de Eliseu. Eliseu enviou um mensageiro para lhe dizer: "Vá e lave-se sete vezes no rio Jordão; sua pele será restaurada e você ficará purificado". ' [Que insulto – Eliseu nem chegou à porta! Ele apenas mandou uma mensagem.] Mas Naamã ficou indignado e saiu dizendo: "Eu estava certo de que ele sairia para receber-me, invocaria de pé o nome do Senhor seu Deus, moveria a mão sobre o lugar afetado e me curaria da lepra. [Naamã queria que o grande profeta ministrasse pessoalmente para ele — algo dramático.] Não são os rios Abana e Farfar, em Damasco, melhores do que todas as águas de Israel? Será que não poderia lavar-me neles e ser purificado?" Então, foi embora dali furioso. Mas os seus servos lhe disseram: "Meu pai, se o profeta lhe tivesse pedido alguma coisa difícil, o senhor não faria? Quanto mais, quando ele apenas lhe diz para que se lave e seja purificado!" Assim ele desceu ao Jordão e mergulhou sete vezes conforme a ordem do homem de Deus; ele foi purificado e sua pele tornou-se como a de uma criança.” (NVI)

Você entende o padrão? Naamã teve que deixar tudo de lado. Assim como o camelo que se espremeu por aquele pequeno portão, Naamã teve que deixar de lado sua posição, seu uniforme, sua riqueza, sua posição, seu prestígio. Teve que tirar a roupa e expor a sua pele leprosa. Mas quando ele se humilhou - obedeceu totalmente e mergulhou naquele rio sete vezes - recebeu sua recompensa. Que belo retrato de um homem que tentou se aproximar de Deus em grande estilo, mas aprendeu a se humilhar e receber o que Deus lhe havia prometido.

Um Ato Simples

E você? Existe algum obstáculo de orgulho no seu caminho até o Senhor?

Ao encerrarmos a Parte 2 desta série sobre Orgulho vs Humildade, deixe-me fazer uma pergunta objetiva. Existe alguma questão de orgulho que pode estar impedindo você de se aproximar totalmente de Deus? Nesse caso, eu recomendaria fortemente que, em um simples ato de contrição, você se ajoelhasse diante do Senhor, se humilhasse como Naamã fez, se esvaziasse de qualquer coisa que pudesse atrapalhar seu relacionamento com o Senhor e chegasse a Ele com humildade.

A melhor notícia de todas é que, se você cumprir essa condição de ir até Ele com a humildade de uma criança, Ele estará esperando ansiosamente para aceitá-lo e recebê-lo. Você vai dar esse passo em direção a Ele agora mesmo?