Participantes da Sua Santidade

Derek Prince
Published: 2009
Last Updated: October 2026
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A santidade é a vontade de Deus para o Seu povo, envolvendo renovação interior, obediência e entrega total a Ele. Derek Prince identifica cinco fatores que contribuem para a santificação, mostrando como a provisão de Deus é recebida por meio da fé e se manifesta através do serviço abnegado.
Santidade é um atributo exclusivo de Deus.
Deus tem muitos outros atributos, tais como amor, sabedoria e poder. Até certo ponto, podemos entender esses atributos quando os comparamos às coisas do mundo físico, contudo, a santidade não tem paralelo na nossa realidade natural. Santidade é a combinação da justiça e do amor de Deus. O amor convida você a vir; a justiça diz que você não é adequado para vir. Existe essa tensão que é própria da santidade.
Uma Característica do Povo de Deus
A Palavra de Deus nos diz que a santidade deve ser uma característica do povo de Deus. Considere Hebreus 12:9–10:
“Além do que, tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e nós os reverenciamos; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos? Porque aqueles, na verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas este [Deus], para nosso proveito, [nos corrige] para sermos participantes da Sua santidade.”
O desejo de Deus é que participemos de Sua santidade. O versículo 14 de Hebreus 12 acrescenta:
“Segui [procurai, buscai] a paz com todos, e a santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor.”
Primeiro, devemos buscar a santidade — devemos torná-la um objetivo.
Em segundo lugar, para alcançar a santidade, devemos buscar a paz com todas as pessoas. Devemos tentar viver pacificamente, não dando espaço para brigas ou desacordos, buscando evitá-los, sempre que pudermos. O escritor de Hebreus aqui também emite uma advertência muito solene. Ele diz que não veremos o Senhor a menos que nos tornemos participantes de Sua santidade.
Uma escritura que expressa o desejo de Deus por santidade em Seu povo é 1 Tessalonicenses 4:3: “Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação.” O que, precisamente, é santificação?
Até certo ponto, a nossa própria língua obscurece o verdadeiro significado desta palavra. Qualquer verbo terminado em -ficar significa “tornar-se” naquilo que vem antes dele. Por exemplo, purificar significa “tornar puro”, clarificar significa “tornar claro”, retificar significa “tornar reto”. Por analogia, então, santificar significa “tornar santo”. Portanto, a santificação é "a ação de se tornar santo".
Assim, podemos traduzir com precisão 1 Tessalonicenses 4:3-4: “Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação; (...). Que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra”. Este versículo usa o verbo “saber” que significa “conhecer ou estar informado a respeito de algo". Então, na nossa tradução numa linguagem mais simples, estes versículos ficariam assim: “Porque esta é a vontade de Deus, que vocês se tornem santos. É necessário conhecer ou estar informado a respeito das Escrituras para alcançar uma condição de santidade”.
O vaso de uma pessoa é seu corpo - o vaso de barro do espírito humano. Muitos cristãos falam como se o corpo fosse algo mau - algo para se envergonhar. O corpo não é mau, é bom. É uma das realizações supremas da genialidade e da criatividade de Deus. Davi disse: “Eu te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito” (Salmo 139:14). Ele via seu corpo com espanto e admiração.
Por que os crentes deveriam saber como manter seus corpos em condições de santidade? Podemos responder a isto combinando duas Escrituras: “O Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens” (Atos 7:48) e “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós?” (1 Coríntios 6:19). Deus ordenou um templo na terra para habitar. Não é um templo feito por mãos, mas o corpo do crente. Portanto, cada um de nós precisa saber como manter seu corpo numa condição adequada para Deus poder habitar nele.
Os Agentes da Santificação
Como as Escrituras retratam o processo de santificação e que papel desempenhamos nele? Pelo que entendo, no processo de santificação, existem cinco agentes responsáveis.
O Espírito Santo
Sem o Espírito Santo—ou Espírito de Santidade, como é chamado em hebraico—não há esperança de nos tornarmos santos.
“Mas nós, devemos sempre dar graças a Deus por vocês, irmãos amados pelo Senhor, porque desde o princípio Deus os escolheu para serem salvos mediante a obra santificadora do Espírito e a fé na verdade” (2 Tessalonicenses 2:13) (NVI). Na santificação, como em todo o processo de redenção, a iniciativa é de Deus. Começa com a escolha de Deus sobre nós, feita na eternidade. Depois disso, a sequência de eventos no tempo é a seguinte:
- O Espírito Santo começa a nos influenciar.
- Ele nos desvia do caminho largo que conduz à destruição (Mateus 7:13).
- Ele nos coloca face a face com a verdade (em último caso, com Jesus, pois Ele próprio é a Verdade).
- Ele nos dá fé para crer na verdade.
- Através da crença na verdade, entramos na salvação.
Em Efésios 2:8, Paulo nos diz que somos "salvos por meio da fé" e depois nos lembra que essa fé não vem de nós mesmos, mas nos é concedida como um dom de Deus.
Nesse sentido, poderíamos dizer que “santificar" significa “separados para Deus”. Em muitos casos, o processo de santificação começa muito antes de conhecermos pessoalmente a Deus. O apóstolo Paulo disse que foi separado desde o ventre de sua mãe (Gálatas 1:15) e Deus disse a Jeremias que o havia santificado no ventre de sua mãe (Jeremias 1:5). Deus começa a nos separar para Si mesmo muito antes de termos qualquer conhecimento disso.
1 Pedro 1:2 apresenta uma imagem semelhante do processo:
“... escolhidos de acordo com o pré-conhecimento de Deus Pai, pela obra santificadora do Espírito, para a obediência a Jesus Cristo e a aspersão do seu sangue.” (NVI)
A escolha de Deus, feita na eternidade, é baseada em Seu pré-conhecimento - nunca é casual, nunca é aleatória. A santificação é o processo pelo qual o Espírito Santo nos leva a um lugar de confronto com as reivindicações de Cristo. O Espírito Santo nos dá a graça de obedecer ao Evangelho e, quando obedecemos, o sangue de Jesus é aspergido sobre nós.
Em ambas as passagens acima — 2 Tessalonicenses e 1 Pedro — a iniciativa no processo de santificação está com Deus, não com o homem, e o primeiro agente no processo é o Espírito Santo.
A Palavra
Em Efésios 5:25–26, encontramos o segundo agente da santificação:
“Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra.”
No Antigo Testamento, depois que o sangue era derramado, todo sacrifício tinha que ser lavado em água pura. No Novo Testamento, 1 João 5:6 diz que Jesus veio “por água e por sangue”. O sangue é o sangue redentor de Cristo derramado na cruz, e a água é a água pura da Palavra. Cristo nos redime pelo Seu sangue; então Ele nos santifica e nos purifica pela lavagem da água por meio da Palavra.
Jesus orou ao Pai por Seus discípulos: “Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade.” (João 17:17). Uma das principais maneiras pelas quais a Palavra de Deus nos santifica é que ela muda nossa maneira de pensar. A santificação procede de dentro para fora; não de fora para dentro. O caminho que a religião segue para a santificação é de fora para dentro, ou seja, fazendo com que as mulheres alonguem o vestido e tirem o batom e fazendo com que os homens aparem os seus cabelos. Mas Paulo diz: “Transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2) (NVI) e “...vos renoveis no espírito da vossa mente” (Efésios 4:23). É o Espírito Santo que renova nossa mente. Ele o faz por meio da verdade, que é a Palavra de Deus.
Muitas vezes usamos o termo “lavagem cerebral” em um sentido ruim. No entanto, esse termo seria apropriado para descrever a maneira pela qual o Espírito Santo renova nossas mentes, lavando-as com a água pura da Palavra de Deus.
Fé
Esta é a grande incumbência que o Senhor Jesus Cristo deu a Paulo quando ele foi enviado aos gentios:
“Para lhes abrires os olhos, e das trevas os converteres à luz, e do poder de Satanás a Deus; a fim de que recebam a remissão de pecados, e herança entre os que são santificados pela fé em mim.” (Atos 26:18)
Um elemento indispensável para sermos santificados é a nossa fé. O Espírito de Deus e a Palavra de Deus nunca variam, mas é nossa fé que nos permite receber o que Deus oferece por meio desses agentes. O processo de santificação será tão eficaz quanto nossa fé permitir.
Além disso, existe uma conexão direta entre a Palavra de Deus e a nossa fé, porque “a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Romanos 10:17). Quanto mais damos ouvidos à Palavra de Deus, mais a nossa fé se expande, permitindo que nos apropriemos da provisão total que Deus fez para a nossa santidade.
O Sangue de Jesus
Hebreus 13:12 diz:
“Por isso também Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta.”
Jesus derramou Seu sangue para muitos propósitos. Um deles era nos redimir. Outro deles era nos santificar ou nos separar para Deus e nos tornar santos.
É possível viver em um lugar onde o pecado e Satanás não podem nos tocar porque somos protegidos e santificados pelo sangue de Jesus.
“Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.” (1 João 1:7)
O tempo verbal usado nesta Escritura é o Presente Progressivo ou Contínuo: Se andarmos continuamente na luz, continuamente temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus continuamente nos purifica e nos mantém limpos. Somos mantidos puros e santificados, pois vivemos em um elemento diferente. Não vivemos na contaminação e sujeira deste mundo perverso. Somos separados para Deus, santificados, colocados à parte pelo sangue de Jesus.
Isso nos leva a outra passagem importante da Escritura:
“Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca.” (1 João 5:18)
Isso é desafiador, quase assustador. João quer dizer que uma pessoa que nasceu de novo nunca mais peca? Outras passagens das Escrituras, juntamente com a nossa própria experiência, tornam esta interpretação improvável. A chave para entender este versículo, creio eu, é ver que João não está falando de uma pessoa, mas de uma natureza. Não é o irmão David ou a irmã Maria que não podem pecar; mas é a nova natureza que cada crente recebe através do renascimento que não pode pecar.
Em 1 Pedro 1:23 lemos que esta nova natureza é gerada “... não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre.” Em todas as formas de vida existe um princípio que nunca muda. A natureza da semente determina a natureza da vida que vem da semente. Uma semente de maçã produz uma maçã, não uma laranja. A semente incorruptível da Palavra de Deus produz uma natureza que é, como a semente, incorruptível. Essa natureza é o “novo homem”. Ele é incorruptível. Ele não peca. Isso não é verdade para o indivíduo que é crente, mas é verdade para o “novo homem” em cada crente.
Isso está de acordo com 1 João 3:9:
“Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus”.
A linguagem de João aqui é ainda mais forte. Ele diz não apenas que tal pessoa não peca, mas que ela não pode pecar. Por que não? Porque a semente incorruptível da Palavra de Deus, habitando nele, produziu uma natureza como a semente - incorruptível. O novo homem não pode ser corrompido pelo pecado.
Esta interpretação é confirmada pela comparação de três passagens diferentes nos escritos de João. A Epístola de 1 João 3:9 diz: “Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado”. João 3:6 diz: “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.” Finalmente, 1 João 5:4 diz: “Todo o que é nascido de Deus vence o mundo.” Ao analisarmos essas três Escrituras percebemos que nenhuma delas está falando do crente como um indivíduo, mas sim, da natureza que é produzida quando o crente nasce de novo. Esta nova natureza é incorruptível e invencível. Não peca e não pode pecar.
Uma vez que uma pessoa nasce de novo, o curso que a vida dela toma depende de qual é a natureza que a controla - o novo homem ou o velho. Se a pessoa age como derrotada, é porque ela não está enfrentando seu problema com a sua nova natureza. A nova natureza é invencível. Certa vez, perguntaram a uma senhora de idade que havia tido uma vitória notável em sua vida, como foi que ela venceu a tentação. Ela respondeu: “Quando o diabo vinha bater na minha porta, eu deixava Jesus responder”. Este é o novo homem - Cristo em nós.
Satanás só pode tocar no velho. Deus criou a natureza carnal do homem do pó e, quando o homem pecou, Deus disse à serpente que dali em diante ela se alimentaria do pó. A natureza carnal é a presa legítima de Satanás, mas ele não pode tocar na nova natureza. O novo homem não pode pecar, não pode ser corrompido, não pode ser derrotado, não pode ser tocado por Satanás.
Voltemos brevemente a 1 João 5:18:
“Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca.”
Isso coloca uma responsabilidade sobre cada um de nós que nasceu de novo. Somos obrigados a nos manter. Como? Debaixo do sangue. E fazemos isso andando na luz, pois 1 João 1:7 diz:
“Mas, se andarmos [continuamente] na luz (...) o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica [continuamente].”
Andando na luz, mantendo-nos debaixo do sangue, o novo homem vive em um reino onde Satanás não pode alcançá-lo. Ele é incorruptível, invencível, separado de todo poder e contaminação do mal pelo sangue de Cristo.
O Altar
O quinto agente da santificação é, em certo sentido, a chave prática - o lugar da santificação. Em Mateus 23:16–17, Jesus repreende o ensino dos escribas:
“Ai de vós, condutores cegos! pois que dizeis: Qualquer que jurar pelo templo, isso nada é; mas o que jurar pelo ouro do templo, esse é devedor. Insensatos e cegos! Pois qual é maior: o ouro, ou o templo, que santifica o ouro?”
Jesus está dizendo que o ouro não é sagrado em si mesmo; é apenas metal. Mas quando é construído no templo de Deus, torna-se santo. O templo o torna sagrado.
Nos versículos 18 e 19 Ele continua,
“E aquele que jurar pelo altar isso nada é; mas aquele que jurar pela oferta que está sobre o altar, esse é devedor. Insensatos e cegos! Pois qual é maior: a oferta, ou o altar, que santifica a oferta?”
A oferta não santifica o altar, mas o altar santifica a oferta que é colocada sobre ele.
No Antigo Testamento, até o sacrifício ser colocado no altar, era apenas o corpo de um animal. Mas quando era colocado no altar e ligado a ele, tornava-se santo, separado para Deus. Isso também é verdade para o crente do Novo Testamento. Paulo diz:
“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Romanos 12:1)
Acredito que a única diferença entre o sacrifício do Antigo Testamento e o sacrifício do Novo Testamento é que nossos corpos permanecem vivos quando os colocamos no altar. Mas em cada caso o princípio da santificação é o mesmo. É o altar que santifica a oferta colocada sobre ele.
Observe como esse ato de entrega de nossos corpos a Deus acompanha o processo interno de santificação em nossa mente. No versículo 2, Paulo continua:
“E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.”
A mudança interior em nossos pensamentos e motivos não pode ser alcançada até que tenhamos renunciado a todos os direitos sobre nossos próprios corpos, até que os tenhamos colocado sem reservas no altar de Deus, para serem usados como Deus deseja.
Vamos revisar brevemente o papel que cada um desses cinco agentes desempenha em nossa santificação. O Espírito Santo nos separa e nos leva ao ponto de crer e obedecer ao Evangelho. A Palavra de Deus, como água pura, lava nossas mentes, mudando nossos pensamentos e atitudes, colocando-os em conformidade com os padrões de Deus. Nossa fé, que vem por meio de ouvir a Palavra de Deus, nos permite apropriar-nos da provisão completa de Deus para nós. À medida que continuamos a andar em obediência, o sangue de Jesus nos mantém em um lugar de separação para Deus, onde o pecado e Satanás não podem nos contaminar ou nos derrotar. Finalmente, o altar do serviço santifica o sacrifício vivo de nossos corpos, pois os colocamos sem reservas à disposição de Deus.
Com nossas mentes assim renovadas, percebemos e nos apropriamos da perfeita vontade de Deus para nós – que sejamos um povo santo, santificado, separado para Deus – participantes de Sua santidade.

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