Padrões de Relacionamento no Lar

Derek Prince
Published: 2007
Last Updated: October 2026
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A ordem de Deus para o lar une autoridade à responsabilidade, à honra e à unidade mútua. As Escrituras apresentam marido e mulher como iguais em Cristo, ao mesmo tempo em que chamam cada um a cumprir um papel distinto. Os pais são especialmente chamados a liderar suas famílias como sacerdotes, profetas e governantes, representando sua família perante Deus e a Deus perante sua família.
Para ter autoridade é preciso estar debaixo de autoridade. É este princípio que rege as relações dentro de um lar. Quando o marido está debaixo da autoridade de Cristo, ele tem a autoridade de Cristo. Quando a esposa está debaixo da autoridade do marido, ela tem a autoridade do marido em casa. Mas se a cadeia de autoridade for quebrada em qualquer ponto, então a autoridade dentro do lar fica desfeita. Aqui está o maior problema de muitos lares hoje em dia - na América e em outros países. Há uma quebra de autoridade porque um dos elos da cadeia está fora do lugar. Ou o marido não está sujeito a Cristo, ou a esposa não está sujeita ao marido. Muitas vezes ambos estão fora de seu lugar. O resultado: desordem, desarmonia e rebeldia.
O assunto a respeito da submissão da mulher em casa tem sido bastante abordado. Muitas mulheres cristãs se ressentem desse ensinamento porque acham que isso quer dizer que elas são “inferiores". Mas isso resulta de um mal-entendido básico sobre o relacionamento marido/esposa.
Relacionamento de Jesus com Seu Pai
Jesus disse três coisas sobre Seu relacionamento com o Pai, todas as quais se aplicam igualmente ao relacionamento da esposa com o marido.
Primeiro, Ele disse: “Eu e o Pai somos um” (João 10:30). Havia completa unidade entre Jesus e Seu Pai. Sendo um com o Pai, Jesus também era igual ao Pai. Filipenses 2:6 nos diz que Ele tinha o direito divino de ser “igual a Deus”. Ele era Deus.
Da mesma forma, o marido e a esposa são um. A Bíblia nos diz que eles são “uma só carne” (Gênesis 2:24; Mateus 19:5–6). Uma parte da carne de alguém não pode ser “inferior” à outra parte; toda carne é igual. O lugar de submissão da esposa ao marido, de forma alguma implica em inferioridade, pois a Escritura indica claramente que Deus considera o marido e a mulher iguais no corpo de Cristo (Gálatas 3:28).
A segunda coisa que Jesus disse sobre Seu relacionamento com o Pai foi que Deus exige “(…) que todos honrem o Filho, como honram o Pai” (João 5:23). O próprio Pai honrou o Filho colocando toda a criação sob Seus pés (Efésios 1:22). O Pai se deleita em exaltar o Filho (Filipenses 2:9–11). Ele deseja exaltá-Lo e colocar todas as coisas debaixo de Seus pés. Não há sequer uma palavra sobre o Pai “rebaixando” Seu Filho, ou tentando receber mais honra do que Seu Filho. É desejo do Pai exaltar, honrar, promover e estabelecer Jesus sobre toda a criação.
A atitude do marido para com a esposa deve refletir a do Pai para com Jesus. O marido deve deleitar-se em honrar e exaltar sua esposa. Ele deve fazer tudo ao seu alcance para que ela se sinta respeitada, honrada, elogiada e estimada. Deus, o Pai, não tolerará nenhum tipo de indignidade em relação a Jesus - muito menos fará qualquer coisa desse tipo! A atitude do marido para com a esposa deve ser exatamente a mesma. A esposa não precisa buscar sua própria honra ou estabelecer sua própria posição. O marido deve fazer isso por ela. Desta forma, todo estigma de inferioridade é removido.
O que aconteceria se nós, homens, tratássemos consistentemente nossas esposas dessa maneira? Na maioria dos casos, elas reconheceriam de bom grado nossa liderança. Elas não desejariam mais lutar por reconhecimento ou independência.
Em Hebreus 1:3, o escritor nos diz que Jesus é “o resplendor da Sua glória [da glória do Pai]”. Em 1 Coríntios 11:7, Paulo nos diz que “a mulher [esposa] é a glória do homem". Aqui, novamente, há um paralelo entre o relacionamento de Deus Pai com Jesus e o relacionamento do marido com sua esposa. O Pai revela Sua glória na Pessoa de Jesus. O marido revela sua glória na pessoa de sua esposa.
Se uma esposa está descansada, segura e contente, isso traz glória para o marido. Isso mostra que seu marido a está tratando como deveria. Mas se a esposa é amargurada, ressentida e insegura, isso traz desonra ao marido. Isso mostra que ele está falhando em suas responsabilidades para com ela. Uma vez perguntaram a um conhecido pregador se certo homem era um bom cristão. Sua resposta: “Não sei; ainda não vi a esposa dele. Eu lhe conto depois de conhecê-la!”
Isso nos leva a uma terceira faceta do relacionamento Pai/Jesus. Jesus disse: “Meu Pai é maior do que eu” (João 14:28). Aqui está um aparente paradoxo: Jesus é igual ao Pai, mas Ele diz que o Pai é maior. Diz-se de Jesus que Ele “não considerou o ser igual a Deus algo a que devia apegar-se” (Filipenses 2:6 NVI). Ele não lutou por reconhecimento ou autoridade, mas voluntariamente se submeteu a Seu Pai e permitiu que Seu Pai ocupasse Seu lugar de liderança por direito. Ao permanecer em submissão a Seu Pai, Jesus manteve a unidade dentro da Divindade. Se Ele tivesse deixado Seu lugar voluntário de submissão, a unidade da Divindade teria sido quebrada.
Da mesma forma, embora a esposa seja uma com o marido - e, portanto, também igual a ele - Deus a chama para se submeter ao marido em prol da unidade e da orde m no lar. Se ela se recusar, haverá um colapso da unidade no lar, resultando em desordem. Milhares de esposas cristãs felizes vão dar testemunho de que o lugar de proteção e abrigo, sob a autoridade de seus maridos, é de fato um lugar de segurança e paz projetado por Deus.
No entanto, isso coloca uma tremenda responsabilidade sobre a esposa. Significa que nenhum homem pode realmente ser o chefe de sua casa, a menos que sua esposa ceda à sua autoridade. Nenhuma cabeça pode funcionar sem um pescoço para sustentá-la; e nenhum homem pode realmente ser o chefe de sua casa sem a submissão voluntária e o apoio de sua esposa.
O que acontece se um dos cônjuges deixar de preencher o lugar que Deus lhe deu no lar? Isso libera o outro parceiro da responsabilidade? Não! A responsabilidade final de cada parceiro é para com Deus, não para o outro parceiro. Cada um tem um lugar de obediência a assumir diante de Deus, e a conduta do outro parceiro não muda esse fato.
Certa vez, ouvi esse princípio vividamente ilustrado em um tribunal de trânsito. O juiz estava interrogando um homem acusado de exceder o limite de velocidade. “Você estava viajando além do limite de velocidade?”
“Havia outros carros viajando mais rápido do que eu”, respondeu o homem.
“Você não é responsável pelos outros carros!”, o juiz retrucou. “Você é responsável apenas pelo carro que você estava dirigindo.” Então, ele perguntou novamente: “Você estava excedendo o limite de velocidade?” Relutantemente, o homem admitiu que sim!
Assim é entre marido e mulher. Um dia “todos iremos comparecer ante o tribunal de Cristo” (2 Coríntios 5:10). Naquele dia, o marido não será obrigado a responder pela conduta de sua esposa, nem a esposa pela conduta de seu marido. Cada parceiro responderá diretamente ao Senhor pelo papel que desempenhou no lar.
Os Papéis do Pai
Em minha última carta, ressaltei que o pai é o principal “dono da casa”. A menos que o pai cumpra o desígnio de Deus para ele e assuma seu lugar, aceite suas responsabilidades e permaneça com a função de chefe de sua família, o programa de Deus para o lar não pode funcionar. Se o pai não fornecer a liderança adequada no lar, o lar cairá em desordem.
Em Seu relacionamento com a igreja, Cristo possui três grandes ofícios que foram delegados a Ele por Deus Pai. Ele é Sacerdote, Profeta e Rei (ou Governador). Em cada lar, o pai mantém um relacionamento paralelo com sua família. Existem três ofícios principais delegados pela autoridade divina ao pai, dos quais ele nunca pode abdicar aos olhos de Deus. Cada pai em cada dispensação é chamado por Deus para ser o sacerdote, o profeta e o rei de sua casa.
- Como sacerdote, ele representa sua família diante de Deus.
- Como profeta, ele faz o contrário; aqui apresenta Deus à sua família.
- Como rei, ele governa sua família, em nome de Deus.
Como sacerdote, o pai é chamado a interceder por sua família, trazendo suas necessidades em oração diante de Deus e reivindicando a proteção e bênção de Deus sobre eles. Isso ele não pode fazer sem fé. A menor das responsabilidades de um pai é exercer fé em favor de sua família.
No Antigo Testamento, isso é tipificado pela ordenança da Páscoa. Em cada família, era dever do pai matar o cordeiro do sacrifício e aspergir seu sangue na verga e nas duas ombreiras de sua casa (Êxodo 12:3–7). Por este ato de fé e obediência, o pai obtinha a proteção de Deus para toda a sua família.
No Novo Testamento, o mesmo princípio é dramaticamente ilustrado em Marcos 9:20–27, onde o pai de um filho endemoninhado vem a Jesus. Implorando ajuda para a criança, ele diz a Jesus: “Mas, se tu podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós, e ajuda-nos.” Jesus imediatamente devolve a responsabilidade pelo filho ao pai e diz: “Se você pode acreditar, tudo é possível àquele que crê.” A libertação da criança dependia da fé do pai. Um pai tem o direito e a responsabilidade de acreditar por seus filhos.
As pessoas frequentemente me trazem crianças pequenas para que sejam libertadas, mas aprendi a perguntar a elas: "Você é o pai da criança?" Às vezes é apenas uma tia ou um vizinho bem-intencionado. Com demasiada frequência, os pais - e particularmente o pai - além de não comparecer, ninguém sabe onde está. Não encontro base nas Escrituras para ministrar a uma criança, exceto com base na fé de um ou de ambos os pais.
A única pessoa que quase nunca me procura em busca de ajuda para uma criança é o pai. Todo o esquema de operação da sociedade está fora de ordem e depois nos perguntamos por que Deus não está abençoando. Ao ministrar a uma criança, nenhum pregador pode ocupar o lugar de um pai.
O segundo ofício dado a cada pai por Deus é o de profeta - ele deve representar Deus para sua família. Um pai faz isso quer perceba ou não - seja uma boa representação ou não. A maioria das pessoas envolvidas no aconselhamento ou no trabalho com crianças dará testemunho do fato de que todas as crianças formam sua impressão básica de Deus a partir de uma fonte - seus pais. Não é de se admirar que tantos de nossos jovens queiram pouco ou nada a ver com Deus, não é verdade?
O terceiro ofício de um pai em sua casa é o de um rei. Como rei, o pai deve governar sua família em nome de Deus. Ao descrever as qualificações de um líder na igreja, Paulo especificou que ele deve ser “alguém que governe bem a sua própria casa” (1 Timóteo 3:4). A palavra “governar” indica o exercício da autoridade governamental. Existe uma relação direta entre a liderança no lar e a liderança na igreja. O lar é o campo de provas da vida e do ministério de cada homem.
Vamos encarar um fato simples e objetivo: se nossa religião não funciona em casa, ela não funciona — ponto final! Pelo amor de Deus, não exportemos para o mundo algo que não funciona em casa! O mundo já está farto de conflitos e desarmonia. Não há necessidade de nem mais um pouco!
O trágico desastre do lar americano é o homem renegado. Alguns homens podem achar que a palavra renegado é forte demais — quase um insulto. No entanto, eu uso com cautela. Um renegado é aquele que abandona, e a grande maioria dos homens americanos abandonou suas três responsabilidades principais - como maridos, pais e líderes espirituais. Isso nos deixou com uma sociedade matriarcal, dominada por mulheres.
Deixe-me perguntar: Quem, se é que existe alguém, normalmente ora com as crianças na hora de dormir? Quem as prepara para a escola dominical? Quem lê as histórias da Bíblia com elas? Quem ora quando uma criança está doente? Na maioria dos casos, é a mãe. A mãe deve de fato participar do crescimento espiritual da criança, mas é o pai quem é chamado por Deus para ser o iniciador e líder na vida espiritual da família.
Quando uma criança se desvia, queremos culpar a igreja... a sociedade... as escolas - tudo, menos a pessoa que mais merece a culpa - que é o pai. A maioria dos meninos acha que a igreja e as coisas de Deus são “coisas de marica” porque veem apenas suas mães envolvidas nelas. O pequeno João cresce dizendo para si mesmo: “Quero ser como o papai.” Ao ser “como o papai”, ele decide deixar as coisas de Deus para o “vaso mais fraco” (1 Pedro 3:7).
Mais tarde, quando o pequeno João falha na vida - quando ele se torna um desistente ou um delinquente - não é realmente o João que falhou, mas seu pai. Eu percebi que não há delinquentes juvenis, apenas delinquentes adultos. Não são as crianças que se desviam primeiro, mas sim os seus pais - e, frequentemente, mais os pais do que as mães.
Meu amigo, deixe-me perguntar: Como você se avaliaria como marido e pai? Você pode alcançar o sucesso em seu negócio ou obter popularidade no clube de esportes - você pode se tornar presidente de um banco ou conseguir uma pontuação espetacular no esporte entre amigos - mas se você falhar como marido e pai, então aos olhos de Deus você é um fracasso.

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