O Campo de Batalha da Mente

Derek Prince
Published: 2005
Last Updated: October 2026
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A mente é um campo de batalha onde argumentos e atitudes podem se opor ao conhecimento de Deus. As Escrituras identificam o orgulho, o preconceito e as ideias preconcebidas como fortalezas que bloqueiam a Palavra de Deus, enquanto a oração e as Escrituras ajudam a submeter os pensamentos à obediência a Cristo. O ensinamento também enfatiza a importância de manter a liberdade que Deus concede, cultivando uma maneira renovada de pensar.
Você já tentou se convencer de que algo não ia dar certo? Antes mesmo da entrevista, você tinha quase certeza de que não ia conseguir aquele emprego, mas, no final, acabou dando certo e você o conseguiu. Ou você tinha certeza de que as crianças iriam se envolver em um acidente de carro voltando da escola, mas elas chegaram em casa sãs e salvas. Em retrospectiva, muitas vezes olhamos para situações como essas e nos perguntamos por que estávamos tão preocupados. E, será que algumas vezes você chegou à conclusão de que essas preocupações eram “tudo coisa da sua cabeça”?
Não é de se surpreender que a Bíblia aborda a síndrome de “tudo coisa da nossa cabeça”. Deus entende que, se não formos cuidadosos, somos capazes de imaginar inúmeros cenários em que coisas ruins acontecem. Assim, Ele incorporou em Sua Palavra instruções para reconhecermos e superarmos a nossa inclinação de deixar nossas mentes vaguearem na direção negativa.
Essas batalhas em nossas mentes são, na verdade, uma parte normal da experiência cristã. Em 2 Coríntios 10, Paulo fala sobre isso de forma muito vívida. No versículo três ele diz:
“Porque, andando na carne, não militamos segundo a carne.”
Paulo diz que somos corpos físicos vivos em um mundo material. Ao mesmo tempo, estamos em uma guerra, mas a guerra não está sendo travada na realidade física ou material. Está numa realidade diferente. Ele explica no versículo quatro:
“Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas.”
Deus nos deu as armas apropriadas porque esta guerra em que estamos engajados não é, na realidade, física. Nossas armas não são físicas, mas espirituais. Deus nos deu armas espirituais que destruirão fortalezas do mal. Nesta guerra existem fortalezas que se opõem a nós e se opõem a Deus. E Paulo continua descrevendo essas fortalezas:
“Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo.” (2 coríntios 10:5) (NVI)
Todas essas palavras lidam com a realidade da mente: argumentos, o conhecimento de Deus e colocar em cativeiro todo pensamento. Paulo deixou claro que o campo de batalha é a mente.
Ter pressões em sua mente, portanto, não é antinatural ou anormal. Faz parte da vida cristã. Não é necessariamente um sinal de que você está fazendo algo errado ou está no caminho errado. É apenas parte de sua experiência como cristão.
O Inimigo Interno
Numa certa altura da minha experiência como cristão, fiz uma descoberta surpreendente: eu tinha um inimigo de Deus em mim. Mesmo sendo cristão, servindo a Deus, descobri que meu inimigo era minha própria mente. Em Romanos 8:7 (NVI), Paulo explica:
“A mentalidade da carne é inimiga de Deus porque não se submete à lei de Deus, nem pode fazê-lo.”
Frequentei muito a escola na minha vida. Fiz uma faculdade de prestígio e me tornei professor. Mas o problema era que a mente que estava sendo educada era inimiga de Deus. Eu tinha dentro de mim um inimigo de Deus altamente educado.
Muitas pessoas confiam na educação acadêmica. Mas a educação não fará com que você deixe de ser um inimigo de Deus. Isso apenas educará sua mente do jeito que ela é. Se você tem uma mentalidade carnal e frequenta o seminário por cinco anos, provavelmente emergirá com uma mentalidade carnal altamente educada dentro de você.
É necessário haver uma mudança total e completa.
Em 2 Coríntios, Paulo diz que Deus nos deu as armas apropriadas. Existem muitas armas para usarmos nesta guerra, mas acredito que as duas mais essenciais são o tempo investido na Palavra de Deus e a oração.
No início da minha vida cristã, por um ano inteiro, tive uma experiência em que tive que confiar na Palavra de Deus para alcançar a minha cura física. Em Mateus 4:4, Jesus diz que o homem viverá “de toda palavra que sai da boca de Deus”. Eu tive que fazer isso. No final daquele ano, não apenas fui curado fisicamente, mas tinha uma mente completamente diferente. Eu tinha aprendido a pensar de forma diferente. Aprendi a pensar em termos da Palavra de Deus.
Não se engane, no entanto. No decorrer daquele ano, tive muitas batalhas durante os tempos de oração. Eu tive que lutar até encontrar o caminho para a verdade. Eu tive que rejeitar mentiras do diabo - dúvidas, desânimo, medo - e tive que fazer isso através da oração. Ao usar essas duas grandes armas - a palavra de Deus e a oração - finalmente ganhei essa batalha em minha mente.
Três Fortalezas
Em 2 Coríntios, Paulo fala sobre “fortalezas”. Outra tradução diz: “fortalezas em nossas mentes”. Quais são essas fortalezas? Tenho pensado muito nisso e gostaria de sugerir que elas se enquadram em três títulos principais.
O primeiro é orgulho. A maior fortaleza de todas na mente humana não regenerada é o orgulho — orgulho egoísta, pretensioso e altivo.
Quase todas as raças e nações têm um certo orgulho nacional. Nasci britânico - e, acredite, os britânicos podem ser pessoas muito orgulhosas. Pode levar muito tempo até que um britânico reconheça que tem um problema com o orgulho.
A Alemanha é outro país com uma história de orgulho nacional. Acredito que o nacionalismo foi a chave para Hitler ter conseguido dominar o povo alemão, inclusive multidões de cristãos alemães.
O orgulho denominacional é uma outra forma dessa fortaleza se manifestar. Algumas pessoas dizem: “Eu conheço minha denominação, então não me diga nada que não esteja de acordo com minha doutrina denominacional – ainda que isto esteja na Bíblia”. Isso pode ser dito de batistas, metodistas, pentecostais, presbiterianos - a lista pode ser interminável. Se você se apega a qualquer coisa vinculada a um determinado rótulo - seja protestante, católico, presbiteriano, pentecostal ou qualquer outro - acredito que você tenha uma fortaleza de orgulho em sua mente.
Do orgulho procede a discriminação ou o prejulgamento - ter sua opinião formada antes de ouvir os fatos. Isso é tacanho, arrogante e destrutivo.
A terceira fortaleza é a presunção ou preconceito - pensar que sabe algo que não sabe, presumindo ter uma imagem clara de algo do qual não tem conhecimento.
Deixe-me oferecer-lhe uma maneira de verificar se há uma fortaleza em sua mente. Se você se sentir agitado com a menção de uma dessas fortalezas, deve ser honesto o suficiente consigo mesmo para considerar isso como algo que deverá ser tratado. A razão mais importante para enfrentar isso é que essas fortalezas bloqueiam a entrada da Palavra de Deus em sua vida. No Salmo 119:130, aprendemos:
“A entrada das tuas palavras dá luz, dá entendimento aos símplices.”
Você quer luz e compreensão? Ou você quer continuar na semi-escuridão, na ignorância e no preconceito? A escolha é sua. Se você deseja luz e entendimento, precisará enfrentar essas fortalezas em sua própria mente com a verdade da Palavra de Deus e com o poder da oração. Humilhe-se e deixe a Palavra de Deus fazer Seu trabalho em você, permita que ela mude você, ajuste você, refaça você, remodele você.
Você pode se perguntar como é que eu sei tanto sobre você. Eu não sei nada sobre você. Eu sei sobre todos nós. Somos todos suscetíveis a essas fortalezas do mal. Estamos todos em uma guerra espiritual em nossas mentes, e Deus nos deu as armas para a vitória.
O Capacete da Esperança
Aprendi pela própria experiência como usar essas armas. De 1949 em diante (por cerca de nove anos) fui pastor de uma congregação em Londres, Inglaterra. Eu havia alcançado uma certa medida de sucesso no meu ministério. Regularmente víamos pessoas sendo salvas, curadas e batizadas no Espírito Santo em nossa igreja. No entanto, eu tinha problemas pessoais para os quais não tinha resposta. Em particular, eu tinha um problema de crises recorrentes de depressão que me atingiam como uma nuvem escura e pesada. A nuvem parecia me pressionar e cortar minha comunicação normal com outras pessoas, até mesmo com minha família.
Eu lutava contra isso com todos os meios ao meu alcance. Jejuava. Orava. Fazia resoluções. Fazia tudo o que eu sabia fazer e não melhorava. Na verdade, quanto mais eu orava e jejuava, pior ficava. Lembro-me de uma de nossas filhas — que tinha cerca de 14 anos na época — dizendo-me um dia: “Papai, por favor, não jejue mais. Você fica pior quando jejua.”
Eu tinha chegado ao fim de minhas soluções, e um dia uma frase em Isaías 61:3 chamou minha atenção:
“Vestes de louvor em vez de espírito angustiado...”
Ao ler essa frase, de repente percebi que estava lidando com um espírito – uma personalidade que me estudava, conhecia minhas fraquezas, sabia como e quando me atacar. Eu não estava lidando apenas com condições mentais ou psicológicas do meu próprio ser. Eu não estava simplesmente lidando com um padrão de hábito. Mas havia uma pessoa agindo contra mim, enviada pelo próprio Satanás, me estudando e planejando minha queda.
Então entendi por que a pressão aumentava quanto mais eu queria servir ao Senhor: porque a missão deste espírito era me atrapalhar no meu serviço a Deus. Quando eu relaxava e ficava indiferente, a pressão diminuía. Mas quanto mais dedicado e sério eu me tornava, mais a pressão aumentava. Eu estava lidando com uma personalidade que compreendia e sabia exatamente como e quando aplicar a pressão.
Reconhecer a identidade do meu inimigo foi um tremendo passo à frente. Pesquisei nas Escrituras e encontrei um versículo que julguei ser a solução para o meu problema. Joel 2:32 diz:
“E há de ser que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” (na tradução livre da versão King James: será liberto)
Eu acreditava que essa promessa era tão inclusiva quanto João 3:16:
“Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”
Eu vi Joel 2:32 como uma promessa especificamente de libertação. Juntei as duas Escrituras — Isaías 61:3 e Joel 2:32 — e fiz uma oração muito específica. Dei nome ao espírito (o espírito de angústia) e reivindiquei a promessa do próprio Deus : “Todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo (liberto)".
Eu orei: “Deus, em nome do Senhor Jesus Cristo, de acordo com a Sua Palavra, estou pedindo que me livre deste espírito de angústia”. E quando fiz aquela oração bíblica específica, fui liberto. A pressão foi levantada.
Então minha experiência de aprendizado continuou. Aprendi que uma coisa é ser liberto; outra coisa é permanecer liberto.
Deus começou a me mostrar que Ele havia feito a Sua parte, e agora eu tinha que fazer a minha. Ele libertou minha mente dessa pressão demoníaca. Agora cabia a mim reeducar minha mente - cultivar uma perspectiva e uma maneira de pensar totalmente diferentes. Antes de ser liberto, eu não era capaz de fazê-lo. Depois que fui liberto, era minha responsabilidade fazê-lo. Deus fez Sua parte ao me libertar, mas eu tinha que fazer minha parte para manter minha libertação.
Acredito que isso seja verdade em quase todos os domínios em que Deus intervém em seu favor - salvação, cura, libertação. Deus faz a parte Dele e cabe a você fazer a sua parte. Sua parte é agarrar e manter aquilo que Deus lhe deu.

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