O Clímax do Conflito

Derek Prince
Published: 2001
Last Updated: October 2026
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O sacrifício de Jesus anulou as reivindicações de Satanás sobre aqueles que foram redimidos pelo Seu sangue. Esse ensinamento mostra como os crentes vencem as acusações de Satanás por meio do sangue do Cordeiro, do testemunho pessoal e da obediência sincera a Deus.
Quando nos confrontamos com a revelação bíblica da rebelião de Satanás e de seus anjos contra Deus, podemos ser tentados a exclamar: “Bem, será que Deus não poderia ter esmagado aquela rebelião na mesma hora e enviado Satanás com todos os seus anjos para o lago de fogo que é onde eles deveriam estar?”
Certamente Deus poderia ter feito isso, mas escolheu não fazer desta forma. Em Sua sabedoria inescrutável, Deus escolheu fazer da rebelião de Satanás um instrumento para seus próprios propósitos. C. T. Studd, um jogador de críquete inglês que acabou se tornando missionário, fez o seguinte comentário a esse respeito: “Deus usou Satanás quase mais do que qualquer outro ser criado.”
À medida que esta série, Por causa dos anjos, chega ao fim, veremos como o conflito espiritual do qual fazemos parte atinge seu clímax e descobriremos que os crentes desempenham um papel crucial na derrota final de Satanás.
De acordo com os próprios princípios divinos, nosso relacionamento com Deus não estará seguro até que tenhamos passado por certos testes designados por Ele. Isso se aplica tanto aos anjos quanto aos seres humanos. Relacionamentos não testados são como ouro não refinado. Eles não são aceitáveis no céu.
Por esta razão, Jesus disse aos cristãos em Laodiceia: “Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo” (Apocalipse 3:18). Em outras palavras, “Sua reivindicação de ser Meu povo não é válida até que você tenha passado no teste.” Ouro de uma qualidade assim não é barato. Temos que comprá-lo. Há um preço a pagar!
Satanás, o Testador
O instrumento principal que Deus usa para nos testar é Satanás. Duas vezes nas Escrituras ele é chamado de “o tentador” (Mateus 4:3; 1 Tessalonicenses 3:5). Isso poderia ser traduzido mais literalmente como o testador.
Em primeiro lugar, Deus usou Satanás como Seu testador entre os anjos no céu. Somente os anjos que se recusaram a se juntar a Satanás em sua rebelião passaram no teste. Três vezes em referência ao retorno de Cristo em glória e aos julgamentos que Ele realizará, as Escrituras afirmam que Ele será acompanhado pelos santos anjos (Mateus 25:31; Marcos 8:38; Lucas 9:26). Esses anjos são diferentes daqueles que haviam se juntado a Satanás em sua rebelião e por isso acabaram perdendo a sua santidade.
Deus também usa Satanás para testar a humanidade. Isso começou com os primeiros seres humanos — Adão e Eva. Deus os colocou no jardim com um simples comando negativo: não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Então Satanás entrou no jardim e os tentou a fazer a única coisa que Deus havia proibido. Quando eles cederam a essa tentação, Deus pronunciou Seu julgamento sobre todos os três. Satanás havia desempenhado o papel que lhe havia sido atribuído de o testador, mas Adão e Eva tinham falhado no seu teste. Em relação a falhar no teste, eles eram os únicos responsáveis.
Mesmo na vida do próprio Jesus, Satanás foi permitido de desempenhar o papel de testador.
Depois de Jesus ter jejuado quarenta dias no deserto, o tentador (testador) veio a Ele e O sujeitou a três tentações (testes) sucessivas (Mateus 4:1–11). Mas onde o primeiro Adão falhou, o último Adão prevaleceu. Ele passou vitoriosamente em todos os três testes e Satanás teve que recuar.
Três anos e meio depois, o testador foi novamente solto contra Jesus. Em primeiro lugar, Satanás entrou em Judas Iscariotes e o usou para trair Jesus (Lucas 22:3). Então, Satanás incitou uma multidão de homens ímpios a exigir a crucificação de Jesus. Mais uma vez, Jesus passou no teste. Ele voluntariamente entregou Sua vida como sacrifício pelos pecados de toda a humanidade.
Mas foi aqui que a insondável sabedoria de Deus atingiu seu clímax. A morte expiatória de Jesus na cruz, de fato, cancelou todas as reivindicações de Satanás sobre a humanidade caída. A aparente vitória de Satanás tornou-se a causa de sua derrota irrevogável.
De Escravos a Conquistadores
No entanto, Deus ainda tinha mais uma maneira de usar Satanás como uma demonstração de Sua própria sabedoria insondável. Satanás havia tentado a humanidade a rebelar-se contra Deus e, assim, torná-la sua escrava. Mas por meio do sacrifício expiatório de Jesus na cruz, Deus não apenas nos salva de nossos pecados, mas também nos faz herdeiros de Seu reino. Na verdade, Ele nos faz ser instrumentos de derrota para Satanás. Ao invés de sermos seus escravos, é ele quem acaba sendo conquistado por nós. Só Deus poderia ter planejado isso!
Em Apocalipse 12:7–11, João descreve uma guerra—ainda no futuro—que finalmente põe fim ao reino de Satanás e dos anjos rebeldes nos lugares celestiais:
“E houve batalha no céu; Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão, e batalhavam o dragão e os seus anjos. Mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou nos céus. E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele. E ouvi uma grande voz no céu, que dizia: ‘Agora é chegada a salvação, e a força, e o reino do nosso Deus, e o poder do seu Cristo; porque já o acusador de nossos irmãos é derrubado, o qual diante do nosso Deus os acusava de dia e de noite. E eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho; e não amaram as suas vidas até à morte.'”
Este relato traz alguns fatos extremamente importantes:
- Até o momento dos eventos aqui descritos, o reino de Satanás e de seus anjos ainda era nos lugares celestiais.
- Quando a voz no céu fala de “nossos irmãos”, está se referindo aos crentes na terra.
- Satanás e seus anjos não são expulsos até que sejam derrotados por uma força combinada dos anjos de Deus nos lugares celestiais e dos crentes na terra.
Isso aponta para um clímax incrível para o conflito: “eles [os crentes na terra] o venceram [Satanás].” São os crentes redimidos na terra os responsáveis pela expulsão final de Satanás dos lugares celestiais onde ele mantinha seu reino. As vítimas de Satanás finalmente se tornaram os conquistadores do seu reino.
A batalha é travada com armas espirituais. A principal arma de Satanás é lançar acusações. É por isso que ele nos acusa dia e noite diante de Deus. Ele lembra Deus de todos os pecados que cometemos. Seu propósito é enfatizar continuamente nossa culpa. Se somos realmente culpados, então não temos poder contra ele e nenhum direito de tomar seu lugar no céu.
Nossa vitória só virá quando nos valermos da mais poderosa de todas as armas que Deus colocou à nossa disposição: o sangue do Cordeiro e a palavra do nosso testemunho. O sangue do Cordeiro afirma o sacrifício todo-suficiente que Jesus ofereceu na cruz por nós. “Porque com uma só oblação [sacrifício, oferta] Ele aperfeiçoou para sempre os [esses somos nós] que são santificados” (Hebreus 10:14). O sacrifício de Jesus em nosso favor é para sempre suficiente. Nada precisa ser adicionado a ele e nada pode ser tirado dele. A última declaração de Jesus na cruz foi “Está consumado!” (João 19:30). Está completamente completo e perfeitamente perfeito.
O Padrão da Páscoa
A provisão que Deus fez para nós neste conflito do fim dos tempos com Satanás foi prenunciada profeticamente nas ordenanças da Páscoa por meio das quais Deus libertou Israel de sua escravidão no Egito. O cordeiro a ser sacrificado na cerimônia prenuncia Jesus “o Cordeiro de Deus”.
Era responsabilidade do chefe de cada família israelita selecionar e sacrificar o cordeiro e depois colher seu sangue em uma bacia. Mas sua tarefa ainda não estava completa. O sangue na bacia não protegia nenhum israelita. O sangue tinha que ser transferido da bacia e espalhado na verga da porta e nas duas ombreiras de cada casa israelita. Só então aquela casa ficaria protegida. A promessa de Deus era: “vendo eu sangue, passarei por cima de vós" (Êxodo 12:13), isto é, “Meu julgamento não cairá sobre vocês.”
Havia, portanto, mais um elemento essencial na cerimônia da Páscoa: uma planta chamada hissopo, que cresce abundantemente na maior parte do Oriente Médio. O chefe de cada família tinha que colher um ramo de hissopo, mergulhá-lo no sangue da bacia e aspergi-lo na verga da porta e nas duas ombreiras de sua casa. Só então aquela casa era protegida.
Como isso se aplica ao sacrifício de Jesus na cruz quando Ele derramou Seu sangue por nós? Vamos pegar emprestado aquela imagem da cerimônia de Páscoa no Egito onde o sangue ainda estava na bacia. Mas o sangue na bacia não protege ninguém. Tem que ser transferido da bacia para o local onde cada um de nós vive.
Na cerimônia da Páscoa era o hissopo que aplicava o sangue onde era necessário. O que há em nossas vidas que corresponde ao hissopo? Como podemos aplicar o sangue de Jesus onde precisamos dele?
A resposta é fornecida em Apocalipse 12:11: “eles [os crentes na terra] o venceram [Satanás] pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho.” É nosso testemunho que faz por nós o que o hissopo fez pelos israelitas. É quando testemunhamos pessoalmente o que o sangue de Jesus faz por nós que podemos reivindicar todos os benefícios que Deus nos concedeu por meio do sacrifício de Jesus na cruz. Nosso testemunho pessoal ousado e contínuo se torna o hissopo que aplica o sangue de Jesus em nossas vidas.
Precisamos nos lembrar, entretanto, que Satanás tem acesso à Bíblia. Ele está familiarizado com os propósitos de Deus revelados nas Escrituras. Ele sabe que Deus pretende fazer dos crentes na terra um instrumento principal de sua derrota final. Sua estratégia, portanto, é paralisar-nos com um sentimento de culpa, fazer-nos sentir totalmente indignos e inadequados. Para isso, ele nos acusa “diante do nosso Deus, dia e noite” (Apocalipse 12:10).
Podemos perguntar: Por que Deus não silencia as acusações de Satanás? A resposta é que Deus não fará por nós o que Ele nos deu os meios para fazer por nós mesmos. Ele providenciou para nós armas espirituais com as quais podemos vencer toda e qualquer acusação que Satanás possa lançar contra nós. Para cada acusação de Satanás, podemos responder que o sangue de Jesus derramado na cruz forneceu uma propiciação completa e perfeita. Portanto, nós somos declarados inocentes!
Um Manual para Soldados do Tempo do Fim
Em um exército aqui na Terra, um soldado alistado recebe armas apropriadas e então recebe treinamento para ficar proficiente em seu uso. É imperativo para nós, como soldados do exército do Senhor no fim dos tempos, que também nos tornemos proficientes no uso das armas que Deus providenciou: o sangue do Cordeiro e a palavra do nosso testemunho. Devemos aprender como testemunhar apropriadamente sobre cada provisão feita para nós por meio do sangue de Jesus.
Descrevo abaixo um “manual de treinamento” sobre como nos apropriar das várias provisões feitas para nós por meio do sangue de Jesus. Se você se familiarizar com as passagens das Escrituras citadas - ou melhor ainda, memorizá-las - você estará preparado para participar do vasto conflito espiritual no final desta era.
"Vencemos Satanás quando testemunhamos pessoalmente o que a Palavra de Deus diz que o Sangue de Jesus faz por nós." (Apocalipse 12:11)
"Através do sangue de Jesus, fui redimido das mãos do diabo." (Efésios 1:7)
"Através do sangue de Jesus, todos os meus pecados são perdoados." (1 João 1:9)
"Através do sangue de Jesus, estou continuamente sendo purificado de todo pecado." (1 João 1:7)
"Através do sangue de Jesus eu sou justificado, feito justo, como se eu nunca tivesse pecado." (Romanos 5:9)
"Através do sangue de Jesus, eu sou santificado, feito santo, separado para Deus." (Hebreus 13:12)
"Através do sangue de Jesus, tenho ousadia para entrar na presença de Deus." (Hebreus 10:19)
"O sangue de Jesus clama continuamente a Deus no céu por mim." (Hebreus 12:24)
Um Requisito Final
Apocalipse 12:11 termina com uma característica distintiva de todos aqueles que saem vitoriosos deste conflito:
“...eles não amaram suas vidas até à morte.”
Como devemos aplicar isso a nós mesmos? Significa que para nós é mais importante fazer a vontade de Deus do que permanecer vivo. Se alguma vez nos encontrarmos em uma situação em que obedecer a Deus nos custe a vida, vamos escolher obedecer a Deus.
Provavelmente nem todos nós teremos que fazer essa escolha tão radical. Mas a questão decisiva é o nosso compromisso. Isso confere uma qualidade ao nosso testemunho que o torna uma arma contra a qual Satanás não tem defesa. Cada um de nós precisa, portanto, confrontar-se com esta questão: Posso verdadeiramente dizer de mim mesmo que não amo minha vida até à morte?

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