A Palavra Indispensável

Teaching Legacy Letter
*First Published: 2021
*Last Updated: maio de 2026
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Quando se consulta um médico, quer-se ter a certeza de que ele sabe exatamente o que está a dizer. Espera-se que os médicos sejam capazes de dizer- nos como prevenir as doenças, remediar a dor ou o mal-estar quando necessário e como permanecer saudáveis e em forma. Queremos que eles tenham muita experiência na sua especialidade, mas também que tenham tido o estudo e o treino apropriado. Quantos de nós iríamos a um médico que nunca tivesse concluído o curso de medicina, estudado os livros ou que não se mantivesse atualizado acerca das mais recentes pesquisas científicas? Estaria esse indivíduo devidamente preparado para ajudar as outras pessoas?
O mesmo aplica-se a nós, cristãos. Podemos ter toda a “experiência de campo” possível e imaginária, mas se não tivermos estudado O Livro – se não confiarmos no manual da autoridade – não seremos bem-sucedidos em viver a vida abundante. Pode defender uma filosofia razoável e pensamentos nobres sobre Deus todo o dia, mas se não estiver enraizado na Sua Palavra, as suas palavras não serão de confiança. Não há forma de dar a volta a isto: a nossa vida cristã tem de ser construída sobre os alicerces da Palavra de Deus.
Existem duas aplicações nas Escrituras sob o título “a Palavra de Deus”. Uma é a própria Bíblia (a Palavra de Deus escrita) e a outra é Jesus Cristo (a Palavra de Deus em pessoa). Cada uma delas é chamada “a Palavra de Deus”. Se desejamos estar corretamente relacionados com Jesus, temos de estar corretamente relacionados com a Bíblia. Então, vamos descobrir a autoridade e o poder da Palavra de Deus.
De Quem É Esta Palavra?
A Palavra autoridade vem da palavra autor. A autoridade de qualquer trabalho é a autoridade do seu autor. É o autor que dá autoridade ao que quer que ele produza. Por isso é importante conhecer a identidade do autor da Bíblia.
“Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra.” (2 Timóteo 3:16- 17) (ARIB, Almeida Revisada Imprensa Bíblica)
Se deseja ser perfeito e plenamente preparado/totalmente equipado para toda a boa obra, a fonte de tudo isto são: as Escrituras. Paulo também diz “Toda a Escritura é inspirada por Deus.” A palavra grega para “inspirada por Deus” é definida como “respirada” ou “soprada por Deus”. A palavra para “fôlego” ou “sopro” e a palavra para “espírito” são idênticas. Paulo está a dizer, “Toda a Escritura é soprada pelo Espírito de Deus”. A autoridade por detrás da totalidade das Escrituras é a autoridade do Espírito Santo. Ele é, em última análise, o autor. Ele usou muitos instrumentos diferentes, mas a autoridade do Espírito Santo – que é o próprio Deus – dirigiu cada um deles. Quando nos alimentamos das Escrituras, estamos a alimentar-nos da autoridade do próprio Deus.
Paulo também ressalva que todas as Escrituras são inspiradas, não apenas algumas. Não podemos dar-nos ao luxo de separar os textos que consideramos valiosos, dos demais. O próprio Espírito Santo declarou que toda a Escritura é inspirada por Deus e que toda a Escritura é proveitosa. Não existem livros que possamos deixar de parte ou considerar sem importância. Não nos foquemos apenas em algumas passagens mais conhecidas das Escrituras e pensemos que só estas é que importam.
Se quer ser equipado - e permanecer equipado – então tem de confiar na totalidade das Escrituras. Verá que será cada vez mais fortalecido ao meditar, estudar e aplicar a Palavra de Deus. Jesus disse que nós precisamos de escutar e fazer o que a Palavra de Deus nos ensina; não apenas escutar, mas escutar e fazer.
Poderá dizer: “Mas os homens que escreveram a Bíblia eram, em muitos casos, fracos e falíveis. E a Bíblia até regista muitos dos seus pecados.” E teria razão. Eu acredito que isto é uma marca da exatidão da Bíblia – que Ela regista os pecados daqueles que A escreveram. Muitas pessoas hoje em dia omitiriam os seus pecados e tentariam apresentar-se como sendo infalíveis. Os escritores da Bíblia não fizeram isso. Até David, que escreveu a maioria dos salmos, registou os seus graves pecados para que todos lessem.
Então como pode a Bíblia ser infalível se as pessoas que A escreveram eram falíveis? Há uma resposta maravilhosa a esta pergunta num simples versículo:
“As palavras do Senhor são palavras puras,
Aqui está uma imagem de como as pessoas costumavam purificar o metal. Construíam uma fornalha de barro, acendiam o lume e colocavam o metal dentro, para ser purificado. Temos três coisas nesta ilustração: a fornalha de barro, que é o instrumento humano, somente barro; o fogo, que é o Espírito Santo, que purifica a prata, que é a mensagem. Isto demonstra como homens e mulheres falíveis podem ser canais para produzir uma Palavra de Deus inspirada e autoritária. O barro é o recipiente humano, o fogo é o Espírito Santo e a prata – purificada sete vezes, absolutamente pura – é a mensagem de Deus.
A Bíblia, apesar de ter vindo até nós através de recipientes de barro – homens e mulheres fracos, falíveis, com pecados – foi purificada sete vezes pelo fogo do Espírito Santo. Ela é totalmente fiável.
Jesus E A Palavra
Precisamos de compreender a atitude do próprio Jesus perante a Bíblia, porque para nós que somos os Seus discípulos, Ele é o padrão. Como é que Ele se relacionou com a Bíblia? Vejamos a Sua resposta numa discussão com líderes Judeus:
“Se ele chamou ‘deuses’ àqueles a quem veio a palavra de Deus (e a Escritura não pode ser anulada)” (João 10:35)(NVI, Nova Versão Internacional)
Aqui Jesus dá à Bíblia os dois títulos que os Seus seguidores têm usado desde então: a Palavra de Deus e a Escritura. Onde Ele usa “a Palavra de Deus”, quer dizer que ela provém de Deus. Ela não vem de homens, mas do céu, de Deus. E onde diz “a Escritura”, refere-se ao que foi registado pela escrita. Deus disse muitas coisas que não foram registadas pela escrita, mas as que estão inseridas na Bíblia, estão lá para o nosso benefício. Elas contêm tudo o que necessitamos de saber para a nossa salvação.
A atitude de Jesus está resumida na afirmação: “...a Escritura não pode ser anulada.” Nada consegue exprimir a autoridade das Escrituras de forma mais completa do que esta simples frase.
Vejamos como Jesus usou as Escrituras. Ele é o nosso padrão. Veremos o que aconteceu quando Jesus estava no deserto a ser tentado por satanás. O final do terceiro capítulo de Mateus regista o batismo de Jesus no rio Jordão.
“E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele. E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.” (Mateus 3:16-17)(ACF)
Nós poderíamos pensar que, após isto, Jesus iria ter uma vida fácil, já que Ele tinha a afirmação/confirmação tanto do Pai, como do Espírito – juntamente com o do profeta João o Batista. Mas não seria bem assim.
Depois deste sereno e poderoso encontro, Jesus deu por Si no deserto, em jejum, durante quarenta dias, e a ser tentado por satanás. Por favor, não pense que a bênção de Deus tornará sempre a sua vida mais fácil. A realidade é que, de certa forma, até poderá torná-la mais difícil, pois satanás opõe-se mais firmemente àqueles que Deus ungiu.
Lucas diz que Jesus foi guiado pelo Espírito para o deserto (Lucas 4:1), mas no termo dos quarenta dias, Ele saiu no poder do Espírito (v. 14). Repare na diferença. Uma coisa é ser guiado pelo Espírito; outra coisa é mover e operar no poder do Espírito. Jesus não moveu, operou no poder do Espírito até que teve o Seu conflito com satanás e venceu. De certa forma, cada um de nós necessitará de percorrer este mesmo caminho. Teremos de vencer a tentação e a oposição, de forma a podermos mover-nos no poder do Espírito Santo.
Quando satanás veio a Jesus, em Mateus 4, a primeira coisa que ele tentou Jesus a fazer, foi a duvidar. Essa é quase sempre a aproximação inicial de satanás. Ele não nega imediatamente a Palavra de Deus; ele vai questioná-La ou levará a que duvide dEla. Atente para a primeira coisa que satanás disse a Jesus:
“E, chegando-se a ele o tentador, disse: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães.” (Mateus 4:3)(ACF)
Lembre-se que Deus tinha acabado de falar do céu, dizendo: “Este é o meu Filho amado.” Mas satanás estava a desafiar Jesus para duvidar do que Ele tinha ouvido de Deus. “Se és o Filho de Deus, então faz alguma coisa para o provares. Manda que estas pedras se transformem em pães.”
“Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.” (Mateus 4:4)(ACF)
Isto é muito importante. Jesus lidou com a tentação, confrontando-a com a Palavra escrita de Deus. “Está escrito.” Não julgue que é suficientemente esperto para discutir com o diabo. Ele já anda neste ramo há muito, muito tempo. Não tente convencê-lo com os seus argumentos. Em vez disso, confronte-o com as Escrituras. De cada vez que Jesus foi tentado, Ele respondeu com “Está escrito”. E sempre que Jesus o dizia, satanás mudava de assunto. Ele sabia que não tinha qualquer resposta para as Escrituras. Não seja tentado a vencer satanás pelos seus próprios meios. Apenas responda-lhe com a Palavra escrita de Deus. As Escrituras têm autoridade. Aceite-A. Viva por Ela. Responda ao diabo com Ela. Ele não consegue responder à Palavra escrita de Deus.
Em Efésios 6:17 Paulo diz: ”Tomai também ... a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; (ACF) Existem duas palavras gregas para “palavra”: uma é logos e a outra é rhema. Logos é o completo e eterno conselho de Deus. Rhema é uma palavra falada por Deus. Esta é a palavra usada em Efésios 6:17: “tomai... a espada do Espírito, que é a (rhema, a falada) palavra de Deus.” Quando enfrenta satanás, tem de o confrontar falando a Palavra de Deus.
A Bíblia não o protegerá se estiver apenas a enfeitar a prateleira ou a mesinha de cabeceira. Ela só funciona quando A cita. É preciso pô-La na sua boca e recitá- La por si mesmo. Então Ela torna-se uma espada afiada da qual satanás recua. Ele não tem resposta para Ela.
Vejamos o que Jesus disse sobre a autoridade da Palavra escrita de Deus, quando falava sobre o que nós chamamos o Antigo Testamento:
“Não cuideis [penseis] que vim destruir a lei ou os profetas: não vim abrogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til jamais passará da lei, sem que tudo seja cumprido.” (Mateus 5:17-18)(ACF)
A palavra traduzida para o português como “jota”, no Hebraico moderno, é yod, semelhante a um apóstrofo, o símbolo mais pequeno do alfabeto. “Til” (keraia) é uma pequena curva que se coloca sobre uma letra para a distinguir de outra letra semelhante. Estes são os dois itens mais pequenos usados no texto escrito em Hebraico, e Jesus disse que nenhum deles jamais passaria. Ele não estava a referir-se à palavra falada por Deus, naquele momento, porque as palavras “jota” (yod) e “til” (keraia) só se aplicam ao que está escrito. Então, Jesus confirmou de forma absoluta a total autoridade da Palavra escrita de Deus.
Um pouco mais à frente, bem perto do fim do Seu ministério, Jesus estava a lidar com os Saduceus, que eram os liberais daqueles dias, as pessoas que não aceitavam a autoridade da totalidade das Escrituras. Na verdade, eles apenas aceitavam a autoridade dos primeiros cinco livros, o Pentateuco. Eles desafiavam o ensino de que haverá uma ressurreição dos mortos e vieram a Jesus com uma pergunta esperta, mas isto foi o que Jesus lhes respondeu:
“E, acerca da ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó? Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos.” (Mateus 22:31-32)(ACF)
Reparem como Jesus aplicou as Escrituras. Estas palavras foram escritas por Moisés catorze séculos antes. Foram palavras faladas por Deus diretamente a Moisés. Mas Jesus não falou acerca delas como algo que tinha sido dito a Moisés catorze séculos antes. Ele disse: “... não tendes lido o que Deus vos declarou?” As Escrituras nunca estão desatualizadas. Elas nunca são somente o registo da esperteza humana. Elas são inspiradas por Deus. E mesmo que tenha sido Deus a falar há três mil anos atrás, ainda é Deus a falar- lhe hoje. Essa é a autoridade das Escrituras, tal como Jesus a compreendia.
Autoridade Do Novo Testamento
A autoridade por detrás do Novo Testamento é a mesma por detrás do Antigo Testamento. Vamos dar uma olhadela a Jesus com os Seus discípulos. Ele está a prepará-los para o facto de ter de partir:
“Tenho-vos dito isto, estando convosco. Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.” (João 14:25-26)(ACF)
A autoridade por detrás dos escritos dos apóstolos é a autoridade do Espírito Santo. E Jesus disse que Ele faria duas coisas: “O que quer que Eu não vos tenha ensinado, Ele ensinar-vos-á; e o que quer que Eu vos tenha dito, que tenhais esquecido, Ele vos trará à memória.” Portanto, o registo dos evangelhos não depende da memória humana, depende da verdade do Espírito Santo.
Deixe-me apontar que Jesus quebra as regras gramaticais para enfatizar que o Espírito Santo não é uma “coisa”, mas uma “pessoa”. De acordo com a gramática grega, Ele deveria ter usado a preposição o (isto), mas não o fez, Ele disse Ele. É vital compreendermos que o Espírito Santo não é apenas uma “coisa”, Ele é um “Ele”, uma pessoa, e precisamos de relacionarmo-nos com Ele como uma pessoa.
Em João 16, Jesus revela outra característica importante do Espírito Santo:
“... porque [Ele] não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar.” (João 16:13-14)(ACF)
O Espírito Santo glorifica sempre Jesus. Se alguma vez se confrontar com manifestações espirituais que não glorificam Jesus, mas dão glória a um homem ou em qualquer outra direção, pode ter a certeza que não é o Espírito Santo. O ministério supremo do Espírito Santo é revelar e dar glória a Jesus. A Bíblia diz que devemos testar os espíritos e que podemos testar se algo é do Espírito Santo, pois só o é, se glorificar Jesus. Se não o fizer – pode até parecer muito bom ou espiritual, pode ser revelado em alta voz – então não é do Espírito Santo, porque Ele não glorificará nada ou ninguém além de Jesus. Estou particularmente atento a isto. Examino-me constantemente e pergunto- me: “Estou a dar glória a Jesus ou tento persuadir as pessoas que Derek Prince é alguém importante?” Derek Prince é apenas um pecador salvo pela graça de Deus.
Na próxima carta de ensino exploraremos mais acerca da natureza da Palavra de Deus. Ajudá-lo-ei a descobrir o seu extraordinário poder e os efeitos que ela pode ter na sua vida.
Código: TL-L141-100-POR